Tereza Cristina pode ser vice de Bolsonaro. Mas o União Brasil fortaleceria mais sua candidatura
15 junho 2022 às 11h09
COMPARTILHAR
Braga Netto parece descartado. A ex-ministra tem força no agronegócio e é mulher. Mas o União Brasil pode ajudar a encorpar a aliança bolsonarista nos Estados
Política envolve razão e emoção. Pela emoção, mas também pela razão (se ousar uma aventura golpista), o presidente Jair Bolsonaro pode colocar o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto como vice. Há dois meses, o pré-candidato do PL disse que o general tinha “90% de chances” de ser o vice.
Porém, como Braga Netto só tem os votos da família e, certamente, de alguns militares, Bolsonaro articula a ex-ministra Tereza Cristina, do pP do Mato Grosso do Sul, para vice. Primeiro, é ligada ao agronegócio (e ao empresariado em geral) e uma voz respeitada. Segundo, é mulher, o que suaviza um pouco a imagem de Bolsonaro, que é amplamente rejeitado pelo eleitorado feminino. Terceiro, é filiada ao Progressistas, alma do Centrão.
A escolha de Tereza Cristina, se efetivada, seria racional. Porque, de fato, fortalece Bolsonaro. Ela soma por si pelo partido.
Porém, no setor do agronegócio, Bolsonaro já é forte, independentemente de uma aliança com Tereza Cristina. Depois, o pP já está na base do presidente.
Há uma escolha mais realista para vice de Bolsonaro? Há, por certo. O partido União Brasil lançou o deputado federal Luciano Bivar para presidente da República. Mas as pesquisas indicam que ele é um postulante não da terceira via, e sim da última via, e, como tal, pode prejudicar os candidatos do partido a governador, senador, deputado federal e deputado estadual nos Estados.
Esboça-se, no União Brasil, a tese de que é melhor ficar independente no primeiro turno. Pois é: e se várias eleições, da presidencial à de governadores, forem decididas no primeiro turno? De acordo com as pesquisas de intenção de voto, Lula da Silva tem chance de ser eleito no primeiro turno.
Portanto, Bolsonaro precisa encorpar suas alianças já no primeiro turno (como também o União Brasil nos Estados). Primeiro, para levar o pleito para o segundo turno. Segundo, para, no segundo turno, ter condições de virar o jogo contra Lula da Silva. Assim, Bolsonaro precisa ampliar suas alianças nos Estados, atraindo um partido forte nacionalmente, como o União Brasil.
Candidatos a governador do União Brasil certamente poderão precisar de Bolsonaro no primeiro turno.
Pode ser uma aliança faustiana? Até pode ser. Mas uma aliança entre Bolsonaro e Democratas poderia criar expectativas positivas para ambos.
Há muito mais lógica num vice do Democratas para Bolsonaro. Insista-se: lógica. E frisando que é preciso definir posições, antes de tudo, no primeiro turno.