Setores do PT podem apoiar José Eliton para governador em 2018

O PT de Goiás, incólume à crise da cúpula nacional, não deve apoiar Daniel Vilela, o da Reforma Trabalhista, nem Ronaldo Caiado, que é da direita

Dois petistas disseram ao Jornal Opção, na semana passada, que será muito difícil, talvez até impossível, uma composição com o PMDB em 2018 depois que o deputado Daniel Vilela comandou a Reforma Trabalhista na Câmara (o vereador Antônio Gomide é o único que defende a aliança com o peemedebismo; Paulo Garcia e Luis Cesar Bueno não compõem com o peemedebismo). O parlamentar peemedebista teria atuado contra os interesses dos trabalhadores, na visão dos petistas. O fechamento das portas para o PMDB — vale dizer que o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, está liberando artilharia pesada com o PT, sobretudo contra o ex-prefeito Paulo Garcia (aliados do decano chegam a dizer que vão trabalhar para que seja preso e inventam dívidas muito maiores do que realmente são; no fundo, são heranças do próprio Iris) — pode significar um abre-portas para apoiar o candidato do PSDB a governador em 2018, José Eliton.

Apoio não se dispensa, sabia Tancredo Neves. Em 1982, setores intelectualizados recomendaram que Tancredo Neves dispensasse o apoio do prefeito de Contagem, Newton Cardoso, que seria fisiológico e coronel. Tancredo Neves disse que não apenas não rejeitaria seu apoio, como o procuraria para pedir seu empenho na campanha. Seu adversário, Eliseu Rezende, bancado pelo ministro Mario Andreazza, torrou uma fortuna, mas acabou perdendo. Sabe por quê? Porque Newton Cardoso desequilibrou o pleito em prol de Tancredo Neves. Este ganhou com uma diferença de 243 mil votos. Só em Contagem, que foi decisiva, obteve 206 mil votos de frente. Quer dizer, com os intelectuais mas sem Contagem e Newton Cardoso, teria sido derrotado e, portanto, não teria acumulado força para disputar a Presidência da República, no Colégio Eleitoral, em 1985. Disputou, ganhou mas, ao morrer, não levou.

José Eliton, que é inteligente e articulado, certamente quer e vai trabalhar para obter o apoio do PT (que também rejeita compor com Ronaldo Caiado, do DEM). Vale frisar que o PT de Goiás tem, no geral, uma história ética irrepreensível.

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