“Será que Ronaldo Caiado quer ficar na história como o governador que acabou com a UEG?”

“Será a 1ª vez na história que um governador sugere que pode fechar, via asfixia financeira, uma universidade. Goiás precisa de um movimento em defesa da UEG”

O deputado estadual Cláudio Meirelles (PTC) esteve com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), na casa do deputado estadual Paulo Cezar Martins (MDB), na semana passada. Conversaram com civilidade e franqueza. O parlamentar saiu com a convicção de que o gestor estadual não tem o hábito de ouvir o interlocutor. “É como se escutasse, mas não ouvisse. Quer dizer, não presta atenção no que o outro diz.”

Cláudio Meirelles, deputado estadual: “O governo não vai conseguir pagar empréstimo feito junto ao Tribunal de Justiça” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Cláudio Meirelles afirma que estudantes, professores e funcionários da Universidade Estadual de Goiás (UEG) estão apreensivos. “Porque é a primeira vez na história que um governador sugere, ainda que não de maneira direta, que pode fechar, via asfixia financeira, uma universidade. Goiás precisa de um movimento cívico em defesa da UEG. Estranha-me, por sinal, que não tenha sido feito até agora. Prefeitos e vereadores, por exemplo, deveriam se organizar em sua defesa. Os cortes propostos por Caiado resultarão numa universidade que tende a apequenar-se. Clamo para que Goiás se levante, de maneira global, para defendê-la. Se for verdade que Caiado quer destruir as coisas feitas por Marconi, com o objetivo de acabar com seu legado, estará cometendo um grande erro. A UEG, por exemplo, é de todos os goianos — não é de Marconi Perillo”, postula o deputado.

Na avaliação de Cláudio Meirelles, “Caiado vai ficar na história, se continuar assim, não como o governador das realizações, e sim como o governador dos cortes, o político que não sabe levar esperança às pessoas. Ele queria ‘reduzir’ os salários dos servidores públicos, com a alegação de que o Estado passa por uma grave crise, mas felizmente o Supremo Tribunal Federal não autorizou. O funcionário público não pode ser penalizado pelos governantes, até porque são funcionários do Estado, e não dos governos ‘x’ ou ‘y’”.

Rodovias com buracos

O parlamentar diz que as chuvas estão quase chegando. “Quando chegarem, as rodovias vão ficar cheias de buracos. Se o governo de Caiado continuar fazendo discurso, atacando governos anteriores, vai perder contato real com a sociedade. As pessoas querem estradas sem buracos, não discursos esburacados de ideias e fatos. Ora, quem não dá conta de fazer não pode culpar o outro. É preciso trabalhar, começar a fazer as coisas. Caiado precisa entender que a solução de Goiás, em larga medida, está em Goiás — não em Brasília. Ele colocou Cristiane Schmidt na Secretaria de Economia porque venderam-lhe a informação de que a economista lhe abriria as portas no governo federal, por ser amiga e discípula do ministro da Economia, Paulo Guedes. Na verdade, apesar dos salamaleques, as portas continuaram fechadas. As relações entre Estados e União se dão, quando se trata de questões financeiras, no plano institucional — o ‘amiguismo’ nada resolve. Caiado já posou para fotografias com o presidente Jair Bolsonaro e com Paulo Guedes, mas, de concreto, nada melhorou para Goiás. Porque, insisto, as coisas se dão no plano institucional. O governo federal não pode abrir o cofre para Goiás sem cumprir as leis.”

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Jair Bolsonaro, presidente da República: Goiás não tem recebido benefícios, segundo Cláudio Meirelles | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Orçamento impositivo

O governo Caiado, receia Cláudio Meirelles, “talvez não pague as emendas do orçamento impositivo — o que, se acontecer, caracteriza crime de responsabilidade”. Segundo o parlamentar, “o governo Caiado não está pagando os empréstimos. Não tem dinheiro sequer para pagar o empréstimo feito pelo Tribunal de Justiça de Goiás”.

O Vapt-Vupt, denuncia Cláudio Meirelles, “foi praticamente desativado por Caiado. Antes de acabar com o Vapt Vupt, como aparentemente se pretende, era preciso colocar outra coisa no lugar”.

Há alguma possibilidade de Cláudio Meirelles recompor com o governador Ronaldo Caiado? “Não. Eu o procurei, inicialmente. Mas só fui recebido depois de quase oito meses. O secretário de Governo, Ernesto Roller, perguntou o que eu queria. Respondi: ‘Respeito e falar com Caiado’. Agora, depois de minhas críticas, que são contundentes e bem formuladas, porque conheço como poucos as leis de Goiás e do país, não há mais como compor com Caiado. O que posso dizer é que ele perdeu o apoio de um deputado corajoso, bem informado e experiente. Caiado me disse que tem uma base consolidada na Assembleia. Como conheço a Casa como ninguém, falei para o governador: ‘O sr. está sendo enganado’”.

Na conversa com Ronaldo Caiado, Cláudio Meirelles disse: “‘Com o sr. e sem o sr., eu sempre ganho eleições’. Era assim no governo de Marconi Perillo, e vai continuar, porque sei trabalhar politicamente. Meus companheiros sabem que sou leal e, por isso, são leais comigo”.

2 respostas para ““Será que Ronaldo Caiado quer ficar na história como o governador que acabou com a UEG?””

  1. Avatar cledes soares disse:

    Um absurdo fechar uma faculdade UEG por faltas de verbas c tantos impostos q nós pagamos. É uma vergonha e falta de caráter de nossos governantes.

  2. Avatar Fernando disse:

    Bolsonaro é um doido, pior presidente que Brasil já teve, deixará muitas histórias pro Brasil (só que muito tristes)

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