Senador Wilder Morais surpreende como maior “vencedor”

Pesquisas maltrataram candidato à reeleição, que teve quase a soma dos votos de Marconi e Lúcia para o Senado ou Daniel e Zé Eliton para o governo

Nilson Gomes

Desde o início do processo eleitoral deste ano, o senador Wilder Morais (DEM) não foi levado a sério pelos institutos de pesquisa, pela maioria da imprensa e até por alguns partidos e candidatos. Mas quem acompanhava de perto seu trabalho no Senado percebia o potencial. Foi o caso, por exemplo, do colega de Parlamento que se tornou parceiro de campanha, Ronaldo Caiado (DEM). Na noite de domingo, 7, Wilder se tornou o mais surpreendente “vencedor” das eleições 2018 em Goiás, ainda que não tenha reavivado o mandato para 2019 a 2027.

Dos atropelos que o vitimaram, o mais forte foi o das pesquisas. Em todos os levantamentos, Wilder ficava na casa de 1%, às vezes menos, o que seriam em torno de 20 mil votos válidos. Ele não é de reclamar e ficava quieto, mas agindo, visitando, articulando, conseguindo verbas para os municípios, viabilizando máquinas, enfim, cumprindo o que para ele é rotina desde 2012 em Brasília. Como ele repete em palestras, “trabalhar sempre dá resultado” e o que se viu na contagem dos votos foi um assombro. Wilder teve 796.387, quase a soma dos candidatos a governador Daniel Vilela (479.180) e Zé Eliton (407.507). Foi mais que três vezes superior ao que conseguiu a candidata do PT, Kátia Maria (271.807).

Superando Lúcia Vânia e Marconi Perillo

Porém, o mais chocante foi comparar a votação de Wilder com a de dois de seus concorrentes ao Senado, a também candidata à reeleição Lúcia Vânia e o ex-governador de quatro mandatos Marconi Perillo. Wilder foi dispensado da base aliada de Marconi e Lúcia sob a alegação de que pretendia algo inviável segundo as pesquisas, que era se reeleger tendo percentual insignificante nas pesquisas. O grupo governista preferia os dois então líderes nas pesquisas, a senadora Lúcia e o governador à época, Marconi Perillo. Para pasmo de governistas e oposicionistas, os que digitaram 251, o número de Wilder, foram pouco menos do que os eleitores do 405 (Lúcia: 519.691) e do 456 (Marconi: 416.613)… somados. Nem em sonho a base previa que precisaria juntar os apoiadores de seus dois maiores nomes para alcançar os de Wilder.

Diversos fatores podem explicar a ascensão meteórica de Wilder na fase final da campanha. Um deles é a antítese dessa frase: a ascensão não foi meteórica e não ocorreu somente na fase final. Em nenhum momento, em 2018 e nos anos anteriores, Wilder não deixou que as pesquisas desfavoráveis atrapalhassem o seu ritmo. A todos que perguntavam, dizia que estava “trabalhando para ganhar”. Por que não ganhou? Aí vem uma justificativa que, essa sim, ocorreu de forma súbita e nos derradeiros dias: o voto útil dos que rejeitavam o governo se concentrou em Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru, os que as pesquisas apontavam como mais próximos de derrotar os representantes oficiais, Marconi e Lúcia.

Houve outras razões para o sucesso de Wilder, como a empatia pessoal, a distribuição de livros para estudantes e a beleza de sua biografia (veio da roça para a cidade, dormia no chão de um prédio abandonado e virou empregador de 6 mil pessoas sem jamais fazer negócio como governo). Quem olha para o espectro político tem outro argumento forte, a proximidade com os dois grandes vencedores para os Executivos estadual (Ronaldo Caiado) e federal (Jair Bolsonaro). Porém, há um detalhe: Vanderlan foi o primeiro colocado para senador com quase quatro vezes mais votos (1.729.637) que seu companheiro de chapa Daniel Vilela.

Em mensagem que divulgou aos amigos, Wilder reclamou das pesquisas:

“Minhas amigas, meus amigos, vocês estão diante de um homem grato e feliz. Minha gratidão a cada um dos 796.387 votos e a outros tantos que eu poderia ter conseguido se não fossem as pesquisas.

Em vez de me chatear, esse é outro motivo de felicidade: as pesquisas me davam menos de 1%, às vezes 2%. Nos últimos dias, algumas reconheciam 3%. As mais generosas viam 5% votando em mim. E vocês desmentiram todas elas porque a verdade das urnas calou as perseguições que sofri.

Mas, repito, estou grato e feliz. O menino que saiu da roça, o rapaz que dormia num colchão num prédio abandonado no Centro de Goiânia, o homem que só tem a agradecer a Deus teve quase 800 mil votos. Oitocentos mil votos! Apesar de tudo, 800 mil votos.

Parabéns aos eleitos, principalmente a nosso governador Ronaldo Caiado, a sua esposa Gracinha, ao nosso vice Lincoln Tejota. A tarefa do Caiado é uma das mais difíceis do Brasil. Mas Deus dá os grandes desafios para os grandes homens.

Desde ontem à noite, estou em nova campanha. Vamos eleger Jair Bolsonaro presidente do Brasil. Será ótimo para Goiás que o Caiado tenha um parceiro no governo federal.

Agradeço em especial aos meus suplentes, Bispo Abigail e Domingos Sávio. À minha equipe e à equipe do Caiado. Aos candidatos a deputado federal e estadual que nos ajudaram. Aos prefeitos e prefeitas, ex-prefeitos, primeiras-damas, ex-primeiras-damas, vereadoras e vereadores, secretários municipais e outros companheiros que foram leais nesta campanha. Agradeço a minha família, à Ana Fleury, aos coordenadores da coligação, aos dirigentes partidários.

Muito obrigado a todas e todos. É o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.”

Nilson Gomes é advogado e jornalista.

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