Sem Jeferson Rodrigues, Henrique Arantes e Flávia Teles, PSDB pode não eleger nenhum federal; entenda
22 setembro 2026 às 17h58

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Desde o fechamento da ata da convenção partidária, evento que define quais os nomes que estarão nas urnas para escolha do eleitor, a chapa de deputado federal do PSDB passou por um processo de desidratação considerado catastrófico por alguns de seus militantes. Justamente os tucanos mais cotados para puxarem votos foram os que pularam fora, ou melhor, “bateram asas” para longe do pleito.
A primeira a abandonar o barco foi Flávia Teles. O motivo divulgado é plausível: a viúva de Maguito Vilela foi diagnosticada com um quadro grave de hipotireoidismo e ficou, na época, sob os cuidados da médica clínica e cardiologista Ludhmila Hajjar.
Tivesse seguido na disputa, mesmo que de forma tímida, Flávio Teles poderia ter puxado alguns votos para a chapa. Leia-se: Maguito Vilela ainda segue vivo no imaginário popular, e uma figura tão ligada a ele poderia, sim, ter despontado em uma chapa que tem tantos nomes que não empolgam muito o eleitorado.
Poucos dias depois, foi a vez de Henrique Arantes. Filho de Jovair Arantes, o ex-deputado estadual confirmou sua saída da disputa a uma cadeira na Câmara dos Deputados por “questões familiares”.
E nesta terça-feira, 22, o pastor Jeferson Rodrigues anunciou ter aberto mão de tentar se reeleger deputado federal.
Há ainda outros nomes do PSDB que podem surpreender (positivamente falando), entre eles Adair “Vovô do Jeep” Henriques e o deputado federal Professor Alcides Ribeiro. Mas sem outros puxadores de votos e com três desistências, a batalha será triplamente árdua.
Vale destacar que, com aumento do eleitorado em Goiás, a disputa proporcional ficou ainda mais competitiva no Estado. Base do sistema proporcional, o quociente eleitoral define quantos votos são necessários para que um partido conquiste uma vaga. No pleito de 2022, eram necessários 180 mil no caso da federação PSDB/Cidadania. Algo que, com a atual situação do partido, torna-se um objetivo, no mínimo, improvável.
Para eleger um deputado, o PSDB precisa obter ao menos de 180 mil votos. A pergunta é: Professor Alcides, Vovô do Jeep e Itamar Leão terão, juntos, 180 mil votos? Muito difícil. Porém, se tiverem, o partido vai eleger apenas um parlamentar, possivelmente o político de Aparecida de Goiânia. “Vovô do Jeep tem consciência de que entrou na disputa unicamente para ajudar Professor Alcides?”, pergunta um tucano.
Outro ponto que é difícil de ignorar é que o principal motivo para tantos bons nomes do tucanato pularem fora do barco, ou melhor, voarem pra longe do ninho eleitoral, talvez não seja a dificuldade imposta pela escassa verba eleitoral — distribuída de forma desigual. Mas sim o líder da chapa majoritária.
Marconi Perillo, que até 2018 mantinha um histórico irretocável de vitórias eleitorais, passou a colecionar derrotas a partir de então. Hoje, o tucano aparece com quase uma dezena de pontos atrás do primeiro colocado na maioria das pesquisas de intenção de voto (em algumas, até em terceiro lugar).
O “tucano maior” já não empolga o eleitorado, e isso claramente se reflete na chapa proporcional. Resta saber, apenas, quem ficará até o final para observar o “crepúsculo dos deuses”. Comenta-se, nos bastidores do tucanato, sobre a possibilidade de novas desistências. (T.P.)


