Diz-se: a eleição será disputada daqui a um ano, seis meses e alguns dias. Portanto, seria cedo para debater o tema sucessão municipal. Na prática, não é assim. A realidade é outra. Na verdade, a campanha de 45 dias, feita entre agosto e setembro (os poucos dias de outubro nem precisam ser contabilizados), não é mais levada a “sério” pelos políticos. A verdadeira campanha, quando os candidatos se tornam conhecidos e formatam suas alianças político-eleitorais, começa na chamada pré-campanha.

Portanto, o que se chama de pré-campanha, feita em regra a partir de abril, é a campanha que conta. A pré-campanha, então, já começou. O prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, do Republicanos, aproximou-se da cúpula do pP — leia-se Alexandre Baldy e Roberto Naves (prefeito de Anápolis) — pensando muito mais na reeleição do que em questões administrativas. O Progressistas não tem presença forte na Câmara Municipal e também não tem uma grande bancada de deputados federais para transferir recursos financeiros para a capital. Há também uma aproximação com o senador Wilder Morais, e aí, sim, a relação é mais administrativa, porque o integrante do PL tende a apoiar o senador Vanderlan Cardoso para prefeito da maior cidade goiana. A palavra a reter é “tende”.

Edward Madureira: o ex-reitor tem experiência administrativa | Foto: Divulgação

O PT tem cinco pré-candidatos a prefeito de Goiânia: Adriana Accorsi, Edward Madureira, Kátia Maria, Mauro Rubem e Wolmir Amado. São políticos consistentes, com forte presença na capital.

Adriana Accorsi, delegada da Polícia Civil — de uma conduta exemplar —, foi deputada estadual e, agora, é deputada federal. É o nome mais sólido do partido na capital.

Edward Madureira foi reitor da Universidade Federal de Goiás, por três vezes, e é suplente de deputado federal. Sua experiência administrativa é comprovada. Observe-se que construiu outro Hospital das Clínicas, que serve a capital e quase todo o interior do Estado. É uma obra que nem prefeitos de Goiânia conseguiram fazer.

Wolmir Amado: ex-reitor da PUC tem experiência administrativa | Foto Fernando Leite/Jornal Opção

Kátia Maria é vereadora em Goiânia, tem discurso afiado e tem força dentro do partido.

Mauro Rubem é tido como um político radical, porque defende as áreas de Educação e Saúde com extrema firmeza, mas está mais moderado, porque sabe que ninguém é eleito prefeito da capital com um discurso revolucionário.

Ex-reitor da PUC-Goiás, com ampla experiência, Wolmir Pedro foi candidato a governador em 2022. Não foi bem votado, mas se tornou mais conhecido. Seu discurso é moderno e arejado.

O PT, portanto, tem alternativas políticas — todas de valor, com credibilidade. Mas há uma pedra no caminho de Edward Madureira, Kátia Maria, Mauro Rubem e Wolmir Amado. Trata-se de Adriana Accorsi.

Kátia Maria, vereadora em Goiânia: discurso afiado | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Em entrevista ao Jornal Opção, Adriana Accorsi foi explícita: frisou que não será candidata a prefeita em 2024. Porém, no próprio PT, há quem postule que a parlamentar está apenas “jogando” e que, na hora agá, se apresentará como candidata. “Não será por pressão do presidente Lula, e sim porque Adriana tende a avaliar que, para continuar como protagonista, precisa disputar eleição de dois em dois anos. Isto, em tese, firma seu nome na memória do eleitorado”, assinala um ex-deputado.

Então, de acordo com a fonte, há dois jogos. Primeiro, como aparece bem nas pesquisas — entre os primeiros colocados, ao lado de Vanderlan Cardoso, Silvye Alves, Gustavo Gayer e Rogério Cruz —, se continuar sugerindo que será candidata, fortalece o PT. Segundo, se os demais postulantes não crescerem, o partido terá de apostar na deputada, até para ajudar na eleição de vereadores.

Entretanto, um veterano lua vermelha do PT apresenta um argumento mais realista: se Adriana Accorsi se mantiver no jogo, qualquer que seja o cálculo político, pode acabar prejudicando o partido, ou seja, seus possíveis pré-candidatos.

Mauro Rubem: forte presença em Goiânia | Foto: Renan Accioly

“Se Adriana se mantiver no jogo, é óbvio que os eleitores, aos serem pesquisados, não apontarão os nomes de Edward Madureira, Kátia Maria, Mauro Rubem e Wolmir Amado. Ou seja, a permanência da deputada, como pré-candidata, mesmo ela dizendo que não disputará, barra a possível ascensão dos quatro citados. O ideal é que o partido apresente, desde já, os quatro — ou três, porque Kátia Maria não tem falado que pode pleitear — como pré-candidatos, para que comecem a ser avaliados pelos eleitores”, afirma o red, que participou das campanhas de Darci Accorsi (desde a primeira, quando perdeu para Daniel Antônio), Pedro Wilson, Paulo Garcia e Adriana Accorsi para a Prefeitura de Goiânia. “Então, para provar que é adepta da renovação, é hora de Adriana, uma política de primeira linha, abrir espaço para os outros postulantes.”

Outros dois petistas corroboram que, se o PT quiser “firmar” novos nomes na capital, é preciso que Adriana Accorsi declare, desde já, que vai apoiar um dos quatro mencionados, Edward Madureira, Kátia Maria, Mauro Rubem ou Wolmir Amado. “O PT, se fortalecer mais um nome em Goiânia, cidade que conta com mais de 1 milhão de eleitores, certamente elegerá mais um deputado federal em 2026 — Adriana e outro, afirma um ex-vereador. “Se perder mais uma eleição, Adriana Accorsi ficará com o nome ‘desconstruído’ para uma disputa majoritária em 2026, quando poderá ser candidata a senadora, por exemplo. Porém, se atuar como uma espécie de ‘general’ eleitoral em Goiânia — e também no Estado —, ‘puxando’ o candidato a prefeito, Adriana vai se consagrar, ainda mais, politicamente”, afirma um petista ligado ao grupo de Pedro Wilson e Marina Sant’Anna.(E.F.B.)