Se participar da campanha em Goiás, Michel Temer desgasta Daniel Vilela

O presidente da República mais atrapalha do que ajuda o candidato do MDB a governador

Michel Temer e Daniel Vilela: o presidente da República, tremendamente impopular, pode prejudicar a candidatura do jovem emedebista em Goiás

A política nacional nunca foi decisiva na política de Goiás. Se fosse, Marconi Perillo não teria sido eleito em 1998, pois Fernando Henrique Cardoso, na época presidente da República, jogou mais pró-Iris Rezende, o postulante do MDB, do que apoiou seu, em tese, candidato. Foi sempre assim. Os motivos são os de sempre. Goiás representa apenas 3% do eleitorado do país, consequentemente os candidatos a presidente estão de olho, muito mais, em Estados como São Paulo (cuja capital tem mais habitantes do que Goiás), Minas Gerais e Rio de Janeiro. Depois, cada Estado tem sua especificidade e uma interferência nacional pode ser desastrosa e infrutífera. Em 2018, será diferente? Não, possivelmente.

Há quem acredite que o presidente Michel Temer vai interferir em Goiás, naturalmente a favor do pré-candidato do MDB a governador, Daniel Vilela. Pode até ajudá-lo, mas interferir é outra história. Porque, com a corda no pescoço, com a credibilidade e a popularidade no chão, o chefe do Executivo nacional está mais preocupado em terminar seu mandato e escapar das malhas do Ministério Público Federal e da Justiça. Ademais, como lhe restam sete meses de governo, precisa de base parlamentar para gerir o país. Portanto, necessita, para além do MDB, também dos deputados federais do PSDB do ex-governador Marconi Perillo e dos parlamentares de outros partidos que são aliados do tucano. Portanto, Michel Temer não vai trocar sua governabilidade por aventuras regionais, que, se malsucedidas, podem comprometer sua base no Congresso Nacional.

Na prática, nos Estados, é cada um por si. O senador Ronaldo Cai­a­do não precisa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodri­go Maia, ou de outro prócer do DEM pa­ra articular sua candidatura a go­vernador de Goiás. O mesmo o­co­r­re com o governador José Eliton, do PSDB, pré-candidato à reeleição. O tucano sabe que conta tão-so­mente com as forças locais. Daniel Vilela, se aferrar-se ao apoio nacional — uma espécie de dom Se­bastião, o rei que deu origem ao ter­mo sebastianismo —, ficará a ver navios. Para se tornar competitivo, precisa consolidar apoios locais.

O pré-candidato do MDB a pre­sidente da República, Henrique Meirelles, pode ser um bom general eleitoral para Daniel Vilela. Porém, como sabe que terá de concentrar suas forças nos Estados-chaves eleitoralmente, como São Paulo, Minas e Rio, e no complicado Nordeste — onde a esquerda petista costuma ter muitos votos —, pouco terá a fazer em Goiás. Quanto a Michel Temer, se subir no palanque de Daniel Vilela ao menos duas vezes, tende a prejudicar o jovem político do Estado. Ho­je, se apoiar de maneira discreta (com estrutura), a distância, o presidente pode até colaborar. Porém, se o apoio se configurar como presença, o decano emedebista tende a prejudicar a candidatura do deputado federal.

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