Rogério Troncoso pode se tornar o “grande eleitor” de Tiago Mendonça em Morrinhos

Ao não se posicionar, longe de fortalecer Tércio Menezes ou André Luiz, o prefeito contribui para o descolamento do pré-candidato do DEM

Rogério Troncoso, prefeito de Morrinhos: estaria perdendo o timing? | Foto: Divulgação

O prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso (PSD), é um dos maiores políticos da história do município. Administrador rigoroso, é respeitado pela sociedade. Tanto que sua aprovação é alta. Os eleitores o percebem muito mais como gestor do que como político — daí, possivelmente, sua popularidade. Curiosamente, não é populista e não se entusiasma com tapinhas nas costas e, mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, abraços.

Com toda a sua popularidade, Rogério Troncoso deve ser considerado uma espécie de “general” — e não cabo — eleitoral. Deve? Não é bem assim. A popularidade do prefeito parece dele e tudo indica não é facilmente transferível. Tanto que, no momento, seus dois pré-candidatos a prefeito, Tércio Menezes (vice-prefeito), do PSD, e André Luiz Mattos Dias (ex-secretário da Saúde), do MDB, não são tão bem avaliados quanto o postulante do Democratas, o produtor rural Tiago Mendonça (que deve ter o empresário e produtor rural Vinicius Cândido como vice).

Tiago Mendonça: o pré-candidato do Democratas acaba por ter a “ajuda” — ainda que indireta — do prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso, do PSD | Foto: Reprodução

A luta de todos é para ser o “novo” Rogério Troncoso? No momento, paradoxalmente, é Tiago Mendonça quem tem sido apontado como o Rogério Troncoso da oposição. O quadro pode mudar? Claro, porque as campanhas não começaram de fato e os candidatos ainda nem estão definidos.

Mas há um drummond no meio do caminho: exatamente Rogério Troncoso. E se o prefeito tiver perdido o “timing”?

Rogério Troncoso (PSD) e André Luiz Dias Mattos (MDB) | Foto: Divulgação

É provável que Tiago Mendonça tenha descolado dos demais pré-candidatos porque o grupo de Rogério Troncoso, derivado da indecisão do prefeito, ainda não conseguiu firmar um candidato. Ora, se dirá, tem dois. Sim, mas, ao dividirem a mesma base político-eleitoral, mas se prejudicam do que se ajudam. A definição de um único nome, unindo a base, certamente poderá levar o postulante governista a ser mais consistente. André Luiz e Tércio Menezes dizem que não saem do páreo. Se a base do prefeito quiser ter alguma chance de vencer Tiago Mendonça, que tem o apoio do governador Ronaldo Caiado, do Democratas, deve bancar apenas um candidato.

Um repórter do Jornal Opção conversou com seis políticos de Morrinhos e todos, mesmo os da oposição — dois —, disseram a mesma coisa: Rogério Troncoso “não” parece muito empolgado com o pleito deste ano (um aliado do gestor municipal contesta: ele estaria preocupado, dada a crise de saúde pública e econômica, em organizar as contas da prefeitura).

Tércio Menezes, pré-candidato a prefeito de Morrinhos pelo PSD, e o prefeito Rogério Troncoso | Foto: Facebook

Os políticos ouvidos admitem que, a partir de determinado momento, Rogério Troncoso deverá ir às ruas para pedir voto para o “seu” candidato. A palavra “seu” entre aspas sugere claramente que o prefeito não terá dois candidatos. Será só um: Tércio Menezes ou André Luiz. Um dos entrevistados disse: “Para piorar as coisas, Rogério gosta imensamente dos dois, que considera como leais e, até, amigos”.

O depoimento mais curioso é de um veterano político da cidade: “Rogério Troncoso não tem ambições políticas estaduais. O que ele gosta mesmo é de administrar Morrinhos. Portanto, não ficarei surpreso se ele já estiver pensando nas eleições de 2024, quando poderá disputar outro mandato. Se André Luiz — ou Tércio Menezes — for eleito, em 2020, certamente disputará a reeleição em 2024, o que travará o projeto político de Rogério. Porém, se Tiago Mendonça, da oposição for eleito, possivelmente Rogério retornará para enfrentá-lo”.

Em Morrinhos, cidade importante de Goiás, todos estão à espera não dos pré-candidatos, mas de Rogério Troncoso: o que ele irá fazer? É a pergunta que não se cala. De alguma maneira, o prefeito trava o processo, mas trava o processo sobretudo na sua base, prejudicando tanto Tércio Menezes quanto André Luiz.

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