Não há a menor dúvida de que Neymar é um craque do futebol internacional. É uma espécie de rei informal de Paris, ao lado do moderado duque Messi e do rebelde conde Mbappé.

Porém, se Neymar joga um bolão, encantando o mundo, seria possível indicá-lo para a Secretaria de Economia do governo de Goiás, no lugar de Cristiane Schmidt — uma craque em economia? De maneira alguma. Não daria certo.

O delegado aposentado da Polícia Federal Rodney Miranda é um craque em segurança pública. Tanto que, nos primeiros anos do governo de Ronaldo Caiado, brilhou como secretário de Segurança Pública. Trabalhando com Inteligência, combateu de maneira precisa e decidida o crime no Estado — o que contribuiu para reduzir a criminalidade em Goiás, de acordo com levantamentos nacionais.

Pois, se Rodney Miranda é uma espécie de Neymar da segurança, não o é da política. O delegado disputou eleição no Espírito Santo e foi derrotado. Em Goiás, na eleição deste ano, disputou mandato de deputado federal e ficou em 81º lugar (foram eleitos 17), com apenas 4.869 votos (0,14%).

A votação pífia revela, basicamente, inaptidão para o jogo político, ou seja, para a articulação… que, no fundo, é o que rende votos e, portanto, vitórias eleitorais.

Porém, mesmo não se dando bem na política, Rodney Miranda é cotado para assumir a Secretaria de Governo da Prefeitura de Goiânia. Mas terá o delegado traquejo e conhecimento do meio político para articular, por exemplo, com os vereadores? Terá condições de articular a reeleição do prefeito Rogério Cruz em 2024?

Evidentemente que, se for confirmado no cargo de secretário de Governo, Rodney Miranda não poderá tratar a relação com os vereadores e demais agentes políticos como um “caso de polícia”.

Os vereadores não aprovam o delegado na Secretaria de Governo. A Câmara Municipal está em polvorosa. Há informação também de que, ao contrário do que se sugere, o governador Ronaldo Caiado não indicou Rodney Miranda para o prefeito Rogério Cruz, do Republicanos.

Neymar, se informado do caso, certamente perguntará: “Por que vão dar uma bola fora?”