Republicanos corre o risco de não eleger senador nem deputado federal em 2022

João Campos e Jefferson correm o risco de serem derrotados para senador e deputado federal? É possível. Mas política é irmã de se correr risco

O Republicanos é um partido forte em Goiás. Conta a Prefeitura de Goiânia, com Rogério Cruz. A capital é um mini-Estado, praticamente autossuficiente — praticamente como uma cidade feudal. O partido tem um deputado federal, João Campos — um dos porta-vozes da Igreja Assembleia de Deus no Estado (e com forte presença na Polícia Civil (ele é delegado licenciado) —, e um deputado estadual, o pastor Jefferson Rodrigues, representante da Igreja Universal. Os dois vereadores mais votados da capital, Isaías Ribeiro (9.323 votos) e Sargento Novandir (7.247 votos), são filiados ao partido (a título de comparação: o presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo, foi eleito com 4.541 votos).

Dada sua estrutura, poderosa, o Republicanos luta para ser protagonista em 2022 — o que, além de lógica, é um direito do partido, de seus líderes.

João Campos e Jefferson Rodrigues, deputados federal e estadual: nomes fortes do partido Republicano em Goiás | Fotos: Reproduções

João Campos pretende disputar mandato de senador e Jefferson Rodrigues postula uma vaga na Câmara dos Deputados. São dois nomes consistentes.

Parlamentar atuante, com forte presença em Brasília, João Campos gostaria de ser candidato na chapa majoritária do governador Ronaldo Caiado. Entretanto, se não houver espaço, pode disputar na chapa de Gustavo Mendanha (sem partido), segundo Jefferson Rodrigues.

Dado o fato de ter o prefeito Rogério Cruz, que opera uma estrutura gigante — uma máquina poderosa —, tanto João Campos quanto Jefferson Rodrigues são candidatos fortes.

Se permanecer na base do governador Ronaldo Caiado, há a possibilidade de o partido Republicanos eleger pelo menos dois deputados federais — exatamente seus principais líderes, João Campos e Jefferson Rodrigues

Há drummonds no meio caminho. Como não há coligações partidárias, se João Campos não disputar mandato de deputado, o Republicanos terá condições de eleger Jefferson Rodrigues para deputado? É possível, desde que o partido apresente uma chapa com pelo menos cinco candidatos ao Parlamento com votação média. Se tais postulantes aparecerem, aí, sim, o pastor poderá ser eleito. Porém, sozinho, dificilmente terá entre 160 mil e 180 mil votos para se eleger. João Campos (certamente mais popular do que o pastor) obteve 106.014 votos em 2018, ficando em quinto lugar (entre 17 eleitos). Quer dizer, mesmo com uma votação expressiva, foi eleito graças às coligações partidárias — o que não se terá em 2022.

Então, apesar de toda a força do Republicanos, não será fácil eleger um deputado em 2022. Ao mesmo tempo, se candidato a senador, João Campos terá dificuldade de ser eleito na chapa de Mendanha.

O Republicanos corre o risco, portanto, de não eleger um senador e de perder um deputado federal. O que certamente deixará a cúpula — leia-se deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional — insatisfeita com a liderança do partido em Goiás.

Como se sabe, o Republicanos, como quaisquer outros partidos, prefere eleger deputados federais. Porque é o número de deputados que garante o Fundo Partidário, o Fundo Eleitoral e o tempo de televisão dos partidos. Se permanecer na base de Ronaldo Caiado, há a possibilidade de a legenda eleger pelo menos dois deputados federais — exatamente João Campos e Jefferson Rodrigues.

Entretanto, quem se torna político precisa correr riscos. Por isso, apesar do “alerta”, é possível que o Republicanos saia da base do governador Ronaldo Caiado.

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