“Renato de Castro derrotou o Sistema e o Sistema quer derrubá-lo”, diz secretário do prefeito

Thalles Moura, secretário de Comunicação da Prefeitura de Goianésia, afirma que Jalles Fontoura, “que não aceita vitória do peemedebista, tenta desestabilizar gestão do prefeito do PMDB”

Thalles Moura, secretário de Comunicação da Prefeitura de Goianésia: “Renato de Castro luta contra o Sistema coordenado por Jalles Fontoura e Otávio Lage Filho” | Foto: divulgação

O secretário de Comunicação da Prefeitura de Goianésia, Thalles Moura, disse ao Jornal Opção na segunda-feira, 16, que o prefeito Renato de Castro, do PMDB, “não apenas ganhou uma eleição; ele, na verdade, derrotou o Sistema”. O que é o Sistema, com S maiúsculo? “Trata-se de um poderoso grupo capitaneado pelos irmãos Jalles Fontoura (PSDB) e Otávio Lage Filho, o Otavinho. Eles representam o poder econômico na cidade e querem manter o poder político, mesmo quando desautorizados pelos eleitores.”

O secretário frisa que há uma espécie de “terceiro turno” e que os derrotados não aceitam a derrota e querem derrubar o prefeito. “Nós sabemos que estamos lutando contra um Sistema poderoso, que não aceitou e não vai aceitar a derrota. Tal Sistema controla parte dos meios de comunicação de Goianésia e, deste modo, tenta jogar a população contra Renato. Ora, o povo quis a mudança e optou por aquele que é bisneto do fundador de Goianésia. O grupo de Jalles Fontoura, o prefeito que foi derrotado, quer desestabilizar a gestão de Renato. Mas o prefeito não vai se agachar, pois confia na Justiça, nas instituições e no povo que lhe deu o mandato.”

Renato de Castro, prefeito de Goianésia | Foto: Bruna Aidar / Jornal Opção

Compra de votos

Renato de Castro é apontado como suspeito de ter comprado votos na eleição de outubro de 2016 e, por isso, há uma ação judicial em curso. Como o secretário avalia a questão? “Não houve compra de voto e o fato é que não há nenhuma evidência disso, não. Se não há como provar que a campanha de Renato comprou votos, como será possível condená-lo? A campanha do prefeito foi limpa. O prefeito cumpriu a lei.” Mas o vice, Carlos Veículos, o Unabomber do Vale do São Patrício, denunciou a compra de votos. “Se é assim, é ele quem tem de provar. Quem acusa tem de apresentar as provas correspondentes. Agora, se Carlos cometeu irregularidades por conta própria, por que Renato tem de assumi-las?”

Ao contrário de vários políticos locais, inclusive do PMDB, que apontam que Renato de Castro e Carlos Veículos estão rompidos, o secretário Thalles Moura ressalta que “o rompimento é especulativo. Os dois se respeitam. Não há uma ruptura pública”.

Jalles Fontoura: ex-prefeito de Goianésia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Eleição na Câmara Municipal

Na eleição para presidente da Câmara Municipal, Carlos Veículos não se uniu a Jalles Fontoura, o que possibilitou a eleição de um tucano para chefiar o Legislativo? “Na verdade, independentemente da união ou não de Jalles e Carlos Veículos, foi eleito o nome indicado pelo Sistema, que tem maioria na Câmara.”

“Jalles deixou quadro caótico”

Thalles Moura diz que, ao produzir denúncias contra a gestão de Renato de Castro — “que só tem 16 dias” —, “o objetivo do grupo de Jalles Fontoura é, além de desestabilizar a gestão atual, esconder o quadro caótico deixado pela própria administração. As dívidas superam 15 milhões de reais e, frise-se, ainda estamos levantando o montante completo. Jalles sequer pagou a folha de dezembro. O Ipasgo suspendeu o atendimento dos funcionários da Prefeitura de Goianésia”.

Retirada de ciclovia

O prefeito Renato de Castro começou a retirada da ciclovia de Goianésia, mas, instado pelo Ministério Público, recuou. Thalles Moura frisa que “a ciclovia é indesejada por mais de 80% da sociedade. Jalles gastou muito dinheiro para fazê-la, e os resultados foram pífios. Goianésia é uma cidade planejada, com ruas largas. A ciclovia contribuiu para o ‘estreitamento’ da Avenida Goiás e isto desagradou profundamente a sociedade. Mesmo aliados de Jalles a desaprovaram. A ciclovia contribuiu para a derrota de Jalles. O povo derrotou-o ao avaliar sua gestão”.

Thalles Moura informa que Renato de Castro vai “retirar a ciclovia”. “Só não a retirou porque a massa asfáltica que encomendou ainda não chegou. Retirá-la é uma prova de que o prefeito escuta a voz do povo, não é um político elitista, ao contrário de Jalles.”

Mas como fica o Ministério Público em relação à ciclovia? “O promotor de justiça apenas solicitou esclarecimentos. Renato apresentou suas razões e o problema está regularizado, quer dizer, a ciclovia pode ser retirada a qualquer momento.”

Logotipo da prefeitura

Em 2012, Gilberto Naves (ex-prefeito, do PMDB) e Jalles Fontoura (então eleito prefeito) selaram um acordo para não mudar o logotipo da prefeitura, quer dizer, seria mantido o brasão. “Renato decidiu mudar o logotipo, acrescentando o slogan ‘Cidade que cresce’. Por que não fazer a mudança?”

Ao final da entrevista, Thalles Moura diz que o “Sistema” — “o poder da família de Otávio Lage” — “perdeu a eleição mas acha que pode ganhar no tapetão. O que posso dizer é que, apesar as pressões e do poderio econômico e midiático, a sociedade quer manter Renato na prefeitura”.

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