Rachadinha no Senado: Davi Alcolumbre teria ficado com parte de salários de servidoras fantasmas

Reportagem da revista “Veja” mostra que o senador do Amapá “copiou” Flávio Bolsonaro e articulou uma rachadinha de 2 milhões de reais

A revista “Veja” colocou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (DEM do Amapá), numa situação delicada. O título da reportagem de capa é: “A rachadinha de R$ 2 milhões de Davi Alcolumbre” (na capa é: “Na bancada da rachadinha”). Trata-se de um material bombástico? Poderá levar à cassação? Não se sabe. Irritada com o fato de o senador boicotar a ida de André Mendanha para o Supremo Tribunal Federal, a turma de Bolsonaro estaria em ação? É provável. Porém, independentemente disto, há um fato: o político, tudo indica, ficou com parte significativa dos salários seis funcionárias fantasmas de seu gabinete. A matéria do repórter Hugo Marques é consistente.

“As seis foram contratadas como assessoras do senador Davi Alcolumbre em Brasília, mas nunca trabalharam. As seis tinham vencimentos que variavam de 4 mil a 14 mil reais por mês, mas não recebiam esse dinheiro de forma integral. (…) Admitidas, elas abriam uma conta no banco, entregavam o cartão e a senha a uma pessoa da confiança do senador e, em troca, ganhavam uma pequena gratificação. Salários, benefícios e verbas rescisórias a que elas tinham direito não ficavam com elas. Valor da fraude? Pelo menos 2 milhões de reais”, reporta a “Veja”.

Alcolumbre, como os demais senadores, tem uma verba mensal de 280 mil reais para contratar auxiliares.

Desempregada, Marina Ramos Brito aceitou a proposta do gabinete de Alcolumbre. De “seu” salário de 14 mil reais ficava com 1.350 reais. O esquema funcionou de 2016 até março de 2021. A proposta teria sido feito à diarista diretamente pelo senador, que teria dito: “Eu te ajudo e você me ajuda”.

Adriana Souza de Almeida, no contrato, ganhava 4 mil reais, mas só recebia 800 reais por mês. “Nunca prestei nenhum serviço para o senador, e também nunca vi ele”, relata a mãe de cinco filhos.

Jessyca Priscylla Pires ficava com 800 e repassava 5 mil reais para “uma pessoa indicada por Paulo Boudens, chefe de gabinete do senador”. A dona de casa disse: “Tinha medo de denunciar isso, mas agora tomei coragem”.

A estudante Erica Almeida Castro recebia 900 reais por mês, mas seu salário era de 14 mil reais. “Me arrependo amargamente de ter me envolvido nisso. Na época, eu precisava muito desse dinheiro, mas hoje tenho vergonha”, afirma. “Eles [a turma de Alcolumbre] ficava até com a gratificação natalina.”

Larissa Alves Pereira Braga faturava 800 reais, e alguém do gabinete de Alcolumbre ficava com 4.200 reais. Ela foi demitida quando estava grávida. “Estou solicitando indenização na Justiça, porque fui exonerada com sete meses de gravidez”, afirma.

Uma irmã de Larissa, Lilian Alves Braga, no papel recebia 11.900 reais. Na prática, uma ninharia. “Fui demitida com oito meses de gravidez”, conta. Ela “cobra uma indenização do senador por não ter recebido os direitos trabalhistas.”

A reportagem relata que os funcionários de Alcolumbre — ou “o” funcionário — sacavam o dinheiro “das” servidores fantasmas “num caixa eletrônico que fica a 200 metros do gabinete do senador”.

A “Veja” ouviu Alcolumbre. Ele “informou” que as contratações ficavam a cargo de seu chefe de gabinete, Paulo Boudens — que foi exonerado em 2020. O senador frisou que não se lembra das funcionárias. Por que são ou eram “fantasmas”?

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