A crise do PT de Goiás está se ampliando. Tudo porque a presidente do partido, a deputada federal Adriana Accorsi, não consegue liderá-lo na definição de um candidato a governador e de candidatos a senador.

A chapa majoritária do PT e aliados, como Partido Verde e Partido Comunista do Brasil (PC do B), agora só definiu um candidato a senador, Aldo Arantes, do PC do B. Ele tem discurso afiado e história.

No momento, há três políticos do PT inscritos para a disputa do governo: Cláudio Curado, jornalista, Luis Cesar Bueno, ex-deputado estadual, e Valério Luiz Filho, advogado.

Marconi Perillo e Lula da Silva: diálogo via Aécio Neves e Delúbio soares | Foto: Reprodução

O problema é que a cúpula nacional não aposta em nenhum dos três. Não por falta de respeito, e sim por considerar que não têm condições de forjar um palanque forte para a reeleição de Lula da Silva em Goiás.

A candidata que o presidente Lula da Silva quer é Adriana Accorsi. Ele e Edinho Silva, o presidente nacional do PT. A segunda escolha da dupla recai em Aava Santiago.

O Jornal Opção ouviu alguns petistas e vai resumir a seguir suas versões. São complementares e, por vezes, contraditórias.

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Um grupo diz que as conversações de Lula da Silva com o deputado federal Aécio Neves — presidente do PSDB nacional — foram retomadas, o que poderá refletir em Goiás.

De acordo com uma fonte petista, o PT poderia indicar o vice de Marconi Perillo — o pré-candidato do PSDB a governador de Goiás.

Lula da Silva, Aava Santiago e Janja: diálogo positivo (mas indefinido) | Foto: Divulgação

Quem seria o vice? O preferido do tucanato seria o produtor rural Flávio Faedo, de Rio Verde. É uma das vozes respeitadas do Agro na região mais próspera do Estado. Outra fonte disse ao Jornal Opção que o membro do PT não tem entusiasmo para ser vice ou disputar qualquer outro cargo.

O tucano aceitaria compor com o PT do Agro, mas não com o chamado PT Vermelho.

Marconi Perillo estaria dizendo que prefere circular com a direita (ainda que parte substancial do espaço da direita já esteja ocupada pelos grupos de Ronaldo Caiado, do União Brasil, e do senador Wilder Morais, do PL). Mas Delúbio Soares — pré-candidato a deputado federal — ainda não perdeu a esperança de uma composição entre PT e PSDB. Estaria “ecoando” Lula da Silva e José Dirceu.

“O PSDB está à beira do precipício, para não dizer da cova. Só Lula poderá salvá-lo”, sublinha um petista.

Luis Cesar Bueno: a aposta de Delúbio Soares e José Dirceu | Foto: Leoiran/Jornal Opção

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Sem Marconi Perillo no páreo, o grupo de Delúbio Soares e do ex-ministro José Dirceu apostam na pré-candidatura de Luis Cesar Bueno. Ele também poderá obter o apoio do deputado Mauro Rubem e da vereadora Kátia Maria. Até por seu uma figura histórica do PT em Goiás.

Edinho Silva disse para um petista, em Brasília: “Calma, cautela. As coisas vão ser definidas em nível de Brasil”. Políticos como José Guimarães e Márcio Macedo tendem a apoiar Luis Cesar Bueno para governador.

Se não for a governador, é praticamente certo que Luis Cesar Bueno será candidato a senador.

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Valério Luiz Filho: a renovação do PT | Foto: Jornal Opção

Um petista frisa que Aava Santiago poderia ser “boa candidata a governadora, mas estaria se aproximando do governador Daniel Vilela”. O que um membro do PSB contesta: “Não procede. Ela busca um caminho autônomo, pois quer liderar, e não ser liderada”.

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Fontes posicionadas ao lado de Lula da Silva e de Edinho Silva dizem que a dupla está examinando o quadro político de Goiás com lupa. Estão de olho nos 5 milhões de eleitores do Estado. Afinal, o petista-chefe derrotou Jair Bolsonaro, em 2022, por pouco mais de 2 milhões de votos. Frise-se que, em Goiás, Lula da Silva obteve pouco mais de 1,5 milhão de votos.

A priori, Lula e Edinho Silva não vão enquadrar nem Adriana Accorsi nem Aava Santiago (PSB). Mas, de fato, a decisão sobre a candidatura em Goiás sairá, em larga medida, da cúpula nacional.

Lula da Silva e Edward Madureira: o vereador pode voltar ao jogo | Foto: Divulgação

Pragmático, Lula da Silva vai chamar tanto Adriana Accorsi quanto Aava Santiago, juntas ou separadamente, para uma conversa. Diálogos preliminares já foram entabulados.

Em Anápolis, Lula da Silva disse para duas pessoas, logo apoiar conversar com Adriana Accorsi e Aava Santiago, que a chapa dos sonhos deveria ter as duas políticas. A deputada para o governo e a vereadora para senadora.

Lula da Silva postula que a chapa ideal é com Adriana Accorsi para governadora. Se não quiser mesmo, Aava Santiago poderia ser candidata. Mas parece que este quadro já passou, não será possível estabelecê-lo para a disputa. Até porque a deputada não quer ficar sem mandato.

Mas Adriana Accorsi está mesmo “fora” da disputa? Na verdade, não está fora nem dentro. Lula da Silva não quer enquadrar a deputada. Mas alguém com certa substância será convocado para a missão de ser candidato. Poderá ser Adriana Accorsi, Aava Santiago ou o vereador Edward Madureira. Fora daí, dizem os lulistas, não há outro nome.

Cláudio Curado: aposta num PT crítico e posiconado | Foto: Divulgação

Um lulista insiste numa questão: “Se fosse para enquadrar, Lula já teria enquadrado Adriana Accorsi. Ele fez isto em alguns Estados, como Minas Gerais (Rodrigo Fonseca), Rio Grande do Sul (Juliana Brizola), Rio de Janeiro (Eduardo Paes) e São Paulo (Fernando Haddad)”.

O Jornal Opção perguntou para um segundo lulista: Aava Santiago estaria se movimentando em direção a Daniel Vilela? Ele respondeu: “Não sei. Mas, pelo visto, ela tem um desenho de longo prazo que passa por se tornar o maior quadro moderado — é evangélica — da esquerda goiana. Tipo uma Lula de Goiás. Por isso, talvez não caminhe com o líder do MDB. O melhor para ela é uma aliança com o PT. Por sinal, no campo na esquerda, incoerência acaba com carreiras políticas”.

Sobre uma aliança com Marconi Perillo, os lulistas concluem que a aposta do tucano é aproximar-se de Wilder Morais, o pré-candidato do PL, no segundo turno? “Ele acha que Wilder o apoiará no segundo turno. E se o tucano não for para o segundo? Agora, se Marconi não quer caminhar com o PT, devemos nos afastar dele desde já. Nós sabemos que, mesmo se fizer aliança conosco, para ampliar sua frente política — porque a direita vai isolá-lo —, Marconi tentará esconder o PT e não trabalhará para Lula. Então, por que tentar compor com ele?” (E.F.B.)