PSDB pode ficar sozinho para a disputa de 2022

Ao rejeitar aliança com o Democratas no interior, tucanato pode ter dado um tiro no pé. Outros partidos devem se afastar espontaneamente

O PSDB de Marconi Perillo e Jânio Darrot tomou a decisão de não compor com o DEM nas disputas municipais. A ideia fixa parece ser o DEM, mas acaba sendo dirigida também para outros aliados do governador Ronaldo Caiado, como o Podemos do deputado José Nelto e do prefeito de Catalão, Adib Elias, e o PSB dos deputados Elias Vaz e Lissauer Vieira.

Marconi Perillo subordina a eleição de 2020 à de 2022, quando deve disputar mandato de deputado federal | Foto: Wagnas Cabral

A decisão de não compor com o DEM, uma imposição de Marconi Perillo — que alguns subordinados acataram, mas não ficaram satisfeitos —, subordina a eleição municipal à estadual, ou seja, os líderes das cidades do interior à cúpula estadual. O que os líderes municipais querem, isto sim, é que as alianças sejam examinadas caso a caso. Em alguns municípios, o Democratas e o PSDB são hermanos siameses há vários anos.

A pressão do marconismo, que é a corrente dominante e que subordina o partido aos seus interesses, tem a ver com o fato de rejeitar, em termos absolutos, o governador Ronaldo Caiado, principal líder do Democratas em Goiás. O contrário também é verdadeiro: os democratas, com o gestor estadual na comissão de frente, rejeitam totalmente o ex-governador Marconi Perillo e seu grupo político.

Mas a decisão pode ser um tiro pela culatra. Porque o PSDB pode acabar com uma base municipal bem menor, por causa da pressão de Marconi Perillo, e, em 2022, pode não contribuir para a disputa governamental. Quanto menor o partido, menores as chances de disputar e ganhar eleições majoritárias.

Portanto, em 2022, o PSDB corre o risco de chegar tão pequeno que pode não ser chamado à mesa de negociação política com as oposições políticas. Corre, assim, o risco de repetir 2020: não apenas deixando de eleger o governador (e o senador), mas ficando em último lugar. A tendência — repita-se: tendência — é que a base do governador Ronaldo Caiado, o MDB de Daniel Vilela, o PSD de Vanderlan Cardoso, o PSB de Lissauer Vieira e o PP de Alexandre Baldy saiam fortalecidas do o pleito de 2020.

Jânio Darrot: um dos poucos nomes realmente fortes do PSDB para a disputa de 2022 | Foto: Fernando Leite

Vejamos cidades de Goiás com maior eleitorado.

Goiânia tem quase 1 milhão de eleitores. Aí o candidato do PSDB a prefeito, Talles Barreto, é quase traço nas pesquisas de intenção de voto — perdendo inclusive para o desgastado PT da deputada Adriana Accorsi.

Aparecida de Goiânia é uma base do MDB e o prefeito Gustavo Mendanha (provável candidiato a governador em 2026) tende a ser reeleito com uma votação extraordinária. O PSDB não tem estrutura alguma no município. Se lançar um candidato, não terá 2% dos votos. Começaram em último e terminará em último.

Em Anápolis, o nome mais forte é o do prefeito Roberto Naves, do Progressistas, aliado do governador Ronaldo Caiado e do ex-ministro Alexandre Baldy. O pré-candidato do PSDB na cidade, o ex-prefeito João Gomes, é visto assim por um ex-tucano que acaba de aportar no MDB: “Em Anápolis só há dois tipos de eleitores — os que não votam em João Gomes e os que jamais votarão no ex-prefeito”. A tendência é que seja “traço” — atrás de todos, inclusive de José de Lima, Valeriano Abreu, Humberto Evangelista e Márcio Corrêa.

Em Rio Verde, o PSDB arranjou um garoto de 21 anos, Clailton Filho, mas está negociando apoio ao candidato do MDB, Osvaldo Fonseca Júnior. Por receio que Clailton Filho faça feio na campanha. O fato é que na principal cidade do Sudoeste o tucanato não tem presença sólida. Já o candidato do DEM, o prefeito Paulo do Vale, é tido como imbatível.

Em Luziânia, mais importante cidade do Entorno de Brasília, como mais de 110 mil eleitores, o PSDB não tem candidato a prefeito. Não tem nem mesmo a quem apoiar — tanto que sua situação é complicada. Em Valparaíso, outra cidade eleitoralmente relevante, a deputada Lêda Borges está sendo empurrada para o “matadouro” político por Marconi Perillo, mas não quer disputar. Diz que quer, mas não quer, pois teme ser derrotada pelo prefeito Pábio Mossoró, do MDB, que, ao contrário da parlamentar, não briga com ninguém e é simpático com todos, independentemente de política. Uma grande frente política está sendo articulada para impedir que Marconi Perillo seja o elemento decisivo da política local.

Em Itumbiara, a cidade mais importante do Sul do Estado, o PSDB não tem candidato e tende a apoiar o prefeito José Antônio, do Republicanos, que talvez nem dispute a reeleição. Os pré-candidatos mais cotados são Murilo Borges, do PP, Rogério Rezende, do PRTB, Gugu Nader, do PSL, e Dione Araújo, do DEM.

Em Catalão, o prefeito Adib Elias, do Podemos, lidera, com ampla frente. O PSDB, com Gustavo Sebba, patina em segundo lugar, com receio de perdê-lo para Elder Galdino, do MDB.

Em Senador Canedo, cidade com mais de 70 mil eleitores, os candidatos mais fortes são o prefeito Divino Lemes, do Podemos, Misael Oliveira, do PDT, Fernando Peloso, do PSD, e Júlio de Pina, do PRTB. O PSDB não tem candidato na cidade.

Vivendo num passado de glórias, a cúpula do PSDB parece não perceber a diferença em ter sido grande e ter se tornado um partido pequeno — que ainda tem nome, mas a quem faltam lideranças. Jânio Darrot tentou fazer um trabalho de reestruturação do partido, mas esbarrou nas forças tradicionais, que, com os pés grudados no passado, não conseguem caminhar para o futuro. Já o governador Ronaldo Caiado trabalha para agregar e atrair novos aliados…

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