PSDB, MDB e PP podem se unir pra organizar a oposição em Goiás

O problema é que o desgaste do PSDB pode contaminar os possíveis aliados. Seus deputados querem cair fora do partido

Vítima de um armagedom dos mais poderosos, o PSDB de Goiás se tornou “amigo” das funerárias ou dos caixões. Não morreu. Mas está baleado. Seus deputados só pensam em sair do partido. Tião Caroço, Diego Sorgatto, deputados estaduais, e Célio Silveira já estão negociando, no bom sentido, o passe. Não ficam, nem que a vaca tussa euros ou dólares, no Partido da Derrota Acachapante, como o PSDB está sendo chamado pelos próprios tucanos. Acredita-se que, no final, só Lêda Borges, Talles Barreto e Gustavo Sebba, deputados estaduais, vão permanecer tucanos.

Diego Sorgatto deve ser candidato a prefeito de Luziânia pelo DEM ou pelo MDB. Célio Silveira, à espera da janela partidária, está de “contrato assinado” com o DEM de Ronaldo Caiado. Trata-se do único deputado federal do PSDB. Tião Caroço está com a ficha do PP no bolso, mas ainda não pode assiná-la, sob pena de perder o mandato.

Cultivando o fino da fossa, não da bossa, líderes do PSDB avaliam que só há uma saída: produzir, quase do nada, uma oposição. Como? Sozinho, com poucos deputados, não dá para fazer oposição. Sobretudo porque o partido não tem líderes. A rigor, ninguém quer ser líder do partido. Ou melhor, quem quer talvez não tenha condições de ser líder.

Há uma saída: unir-se a parte do MDB, a de Daniel Vilela e Maguito Vilela, que planeja fazer oposição a Ronaldo Caiado. O vilelismo quer manter a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e eleger o prefeito de Goiânia — talvez com Maguito Vilela na disputa (se não estiver inelegível). O objetivo é constituir força para a disputa do governo em 2022 e, ao mesmo tempo, manter o controle do MDB. A parte caiadista do MDB rejeita qualquer ideia de oposição e está disposta a bater chapa com Daniel Vilela para tentar conquistar o mando político no partido.

O MDB quer unir-se ao PSDB? A resposta vale 1 milhão de dólares. Se for para subordinar o tucanato, conquistando sua estrutura no interior, o que encorparia a força política dos Vilelas, é provável que Daniel Vilela e Maguito Vilela aceitem a composição. Mas resta saber se o brutal desgaste do tucanato não contaminará o emedebismo. Com quem o PSDB vai subir no palanque do emedebismo nas disputas de 2020 e 2022?

A outra possibilidade é uma composição com o PP do senador eleito Vanderlan Cardoso — que não quer aderir ao governo de Ronaldo Caiado —, do ministro Alexandre Baldy e dos deputados federais eleitos Professor Alcides Ribeiro e Adriano do Baldy. Há pepistas que defendem que o tempo de Ronaldo Caiado na política não será longo — até porque já tem 69 anos — e, por isso, avaliam que quem ficar na oposição, desde já, pode conquistar o governo em 2022 ou 2026. Demarcar posição agora seria vital para o futuro. Mas há setores da base pepista, como Alcides Ribeiro (já teria uma listinha de cargos a pedir), que querem participar do governo Caiado.

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