Projeto de Baldy exclui Vanderlan e o deste exclui o daquele

Ninguém quer perder um senador, mas os projetos políticos do ex-ministro e de Vanderlan Cardoso são excludentes

Há uma tentativa local e nacional de manter o senador Vanderlan Cardoso no PP (publicamente, tem afirmado que não sai do partido, mas aliados contrapõem: pode não sair agora, mas sairá depois das eleições de 2020, ou até um pouco antes). Ninguém quer perder um senador de uma hora para outra. Afinal, são oito anos de mandato. E um senador, num universo de 81 senadores, pode e soma muito.

Vanderlan Cardoso toma um cafezinho e planeja disputar o governo de Goiás em 2022 | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O presidente do PP em Goiás, Alexandre Baldy, quer manter Vanderlan Cardoso no partido, porque o respeita como político e o aprecia como pessoa. Mas os projetos políticos dos dois são excludentes.

A bola de cristal do jornalista é a razão, mas especular sobre o futuro é uma das artes do jornalismo e, claro, da política. A tendência é que sejam constituídos de dois a três grupos para a disputa de 2022.

Primeiro, o governador Ronaldo Caiado deve ser candidato à reeleição, possivelmente com Lincoln Tejota na vice — ou Adib Elias — e Alexandre Baldy para senador. É o quadro de hoje, portanto amanhã, quer dizer, em 2022, pode mudar. Nesta nova frente política não há espaço para Vanderlan Cardoso.

Alexandre Baldy toma um cafezinho e planeja disputar mandato de senador em 2022 | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Segundo, o ex-deputado federal Daniel Vilela planeja ser candidato a governador e, para tanto, circula em todo o Estado remontando as bases eleitorais do MDB — partido que preside em Goiás. Qual será sua composição? Não dá para prever, mas pode ser com o PT do deputado federal Rubens Otoni e do deputado estadual Antônio Gomide. Outra hipótese é incluir Vanderlan Cardoso na aliança. Mas, se Daniel Vilela for candidato a governador, não há espaço na chapa majoritária para o líder do PP. Porque, sendo senador, não irá disputar mandato de senador. E nenhum político deixa de senador, que tem força política, para ser vice-governador. Daniel Vilela o apoiaria para governador? Difícil, mas não impossível.

Terceiro, Vanderlan Cardoso planeja disputar o governo do Estado em 2022 e, para tanto, vai trabalhar, com firmeza, na campanha do deputado federal Francisco Júnior (PSD) para prefeito de Goiânia. A cidade que tem mais eleitores em Goiás pode se transformar num campo de guerra, porque será decisiva em 2022. Ronaldo Caiado e Alexandre Baldy podem bancar Iris Rezende (há até quem acredite que Baldy pode ser candidato).

Vanderlan tende a se filiar ao PSD, em 2020. Para 2022, tem a opção de uma campanha solo, ou quem sabe uma composição com o PSDB de Jânio Darrot. Mas há outra opção, que pode ser tentada adiante, mas não será nem discutida agora pelos políticos: pode se constituir um chapão — com Vanderlan Cardoso para o governo, Daniel Vilela para senador e Jânio Darrot (ou o deputado federal Célio Silveira), do PSDB, para vice-governador.

Há quem acredite, nas oposições, que, para enfrentar Ronaldo Caiado no poder, será preciso constituir uma frente ampla. Porque senão ele será reeleito.

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