Professora Geli pode disputar a Prefeitura de Anápolis pelo PT

24 maio 2020 às 00h00

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Se Antônio Gomide desistir, por receio de perder para Roberto Naves, a vereadora estaria disposta a pôr seu nome no jogo
O deputado estadual Antônio Gomide teve um tumor retirado do rosto, recentemente, e ficou com uma ligeira sequela. Na semana passada, ele estava em São Paulo, com o objetivo de fazer uma cirurgia estética — reparadora. O objetivo é “levantar” um pouco os lábios para não ficarem caídos. O fato é que o problema mexeu com a estima do indivíduo, não, claro, a ponto de ele desistir da política.

Entretanto, se Antônio Gomide desistir da disputa, optando por ficar na Assembleia Legislativa — ele teme uma derrota política por causa da poderosa coalisão que se formou para apoiar o prefeito Roberto Naves, do PP —, a vereadora Maria Geli Sanches, de 59 anos, conhecida como Professora Geli, pode colocar seu bloco na rua e disputar a eleição.
Formada em Pedagogia e em Direito, mestre aposentada, Professora Geli é articulada e, com o “sumiço” de Antônio Gomide, é a política do PT em Anápolis que mantém mais contato com a sociedade civil.
Temendo o rolo compressor dos irmãos Antônio Gomide e Rubens Otoni, deputado federal — são inimigos pessoais, mas aliados políticos —, Professora Geli não se manifesta de maneira aberta. Mas, na Câmara Municipal, vereadores dizem que, se o PT abrir espaço, ela disputa mandato de prefeita. “O PT em Anápolis é machista e nunca permitiu que uma mulher seja candidata a prefeita. Parece que só uma família tem direito de disputar mandato pelo PT — quando não é Rubens Otoni, o mais velho, é Antônio Roberto. Eles não são apenas membros — são donos do PT no município”, afirma um vereador que mantém bom relacionamento pessoal com Professora Geli.

“Por que Professora Geli serve para disputar mandato de senadora, mas não serve para disputar a Prefeitura de Anápolis?”, pergunta o vereador. “Veja. Há a história de servidores fantasmas na Câmara Municipal. A vereadora do PT está envolvida? Não. Antônio Roberto precisa abrir espaço para o novo, para a mudança. Como vai falar em mudança na campanha se não aceita mudança no próprio partido?” O vereador afirma que, apesar das críticas, sempre manteve relacionamento cordial com o ex-prefeito, que ele chama sempre de “Antônio Roberto”, e não de Antônio Gomide. “Gosto dele. Mas o Antônio Roberto não abre espaço para ninguém e avalia que todo mundo precisa dele. É sério, mas é arrogante, e até autoritário, parece uma alemaozão.”