Político, que ficou rico com advocacia, defendeu fazendeiro que matou mulher grávida

Um político de Goiás, que, apesar de milionário, se apresenta como “pobre”, garante que erigiu seu patrimônio à custa de um trabalho de Hércules na advocacia. Consta que nem o crédulo Pinóquio acredita na história. O que se sabe é que o advogado não era muito chegado ao trabalho e, no escritório em que às vezes aparecia, era mais um captador de causas do que um advogado atuante e bem-sucedido.

Porém, ao menos uma das causas foi mesmo assumida pelo advogado — que se tornou uma sumidade financeira, apesar de nunca ter sido considerado brilhante como profissional. Muitos anos atrás, um fazendeiro violento brigou com posseiros, em Mato Grosso. Num momento de conflito direto, a mulher de um posseiro avançou, para protestar, e o fazendeiro sacou uma arma. Até hoje, não se sabe direito como ocorreu o crime. Mas o fato é que uma bala saiu do revólver do fazendeiro e matou a mulher — que, descobriu-se, estava grávida. Ela e a criança morreram.

Tempos depois, o fazendeiro foi levado a julgamento. Quem aparece para defendê-lo, mais serelepe do que o Saci-Pererê? O tal político que se tornou rico advogando, mesmo estando longe de ser uma sumidade jurídica.

Não se sabe por efeito de qual milagre, talvez dos mais solertes, o advogado conseguiu a absolvição do cliente, alegando legítima defesa. A vítima, portanto, era a culpada — não o causador da morte.

Tempos depois, quando se acreditava que o crime havia sido esquecido, eis que o fazendeiro, mais brabo do que o touro Bandido, é indicado para ministro da Agricultura. Pois o indivíduo, aquele que havia matado a mulher grávida, assumiu num dia e, no seguinte, caiu. A grávida assassinada continuava a assombrá-lo.

Já o advogado, pelo contrário, alegou que estava apenas fazendo um trabalho. O mais importante, para ele, era ganhar seu dinheiro. Questões éticas ou de consciência — mesmo se apresentando, tempos depois, como representante do povo — “não” devem ser levadas em consideração.

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