É provável que leitores de jornais ficam meio confusos com as articulações dos políticos. Veja-se um exemplo (com uma pergunta): o governador Ronaldo Caiado, do União Brasil, o vice-governador Daniel Vilela, do MDB, o ex-prefeito Gustavo Mendanha, do MDB, vão apoiar a reeleição do prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano (por enquanto, no Patriota, mas a caminho do MDB ou do União Brasil)?

Leandro Vilela: o Plano B que pode se tornar Plano A? | Foto: Reprodução

Os políticos dizem que Vilmar Mariano é simpático e tem a cara do povão. Mas há três problemas. Primeiro, está no poder há mais de um ano, mas não se consolidou como um político de estatura — ainda parece um vereador no comando da prefeitura. Segundo, permanece desconhecido da população. Terceiro, começa a acumular desgastes, sobretudo por causa de problemas nas áreas de saúde e infraestrutura.

Um dos problemas de Vilmar Mariano é que as pessoas — os eleitores, aqueles que o conhecem — o comparam com dois pesos-pesados da política e da administração pública, Maguito Vilela (falecido) e Gustavo Mendanha. Os dois foram prefeitos altamente qualitativos e, por isso, chega a ser injusta a comparação do prefeito com os eles.

Professor Alcides Ribeiro, deputado, e André Fortaleza, vereador | Foto: Divulgação

Entretanto, apesar do tudo o que se disse, Vilmar Mariano está no poder e controla uma máquina poderosa. Por isso, está no jogo e tem chance de ser reeleito. Se realmente firmar aliança com Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Gustavo Mendanha — os generais eleitorais da Grande Goiânia —, ele tende a ser reeleito. Até porque alguns pré-candidatos, como o ex-deputado estadual Max Menezes, do PSD, e o ex-prefeito Ademir Menezes, pai e filho, podem não disputar ante frente política tão poderosa.

Se Mendanha pegar Vilmar Mariano pela mão, apresentando-o como seu candidato, dificilmente o prefeito não será reeleito. Pesquisas mostram que o ex-prefeito transfere voto em larga medida. Não à toa, numa pesquisa recente, ele aparece em primeiro lugar para prefeito, no levantamento espontâneo.

Glaustin da Fokus, deputado federal | Foto: Secom da Câmara dos Deputados

Mas os três generais estão mesmo decididos a apoiar Vilmar Mariano? O Jornal Opção ouviu que se trata do plano “A”. Mas escutou também que há um plano “B”.

Consta que Mendanha gostaria de devolver Aparecida, sua prefeitura, a um Vilela — no caso, o ex-deputado Leandro Vilela, sobrinho de Maguito Vilela e primo de Daniel Vilela. Trata-se de um político experimentado, e com experiência inclusive no setor privado (já trabalhou, para citar um exemplo, como o empresário multimilionário Júnior Batista do Friboi).

A rigor, Leandro Vilela, hoje numa diretoria do Detran, não é muito empolgado com a política, em termos de disputas eleitorais. Entretanto, dependendo do projeto de Daniel Vilela — que planeja disputar o governo em 2026, e precisa de uma base político-eleitoral azeitada —, o ex-deputado pode deixar seus projetos pessoais de lado e disputar a Prefeitura de Aparecida.

João Campos relatando projetos na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
João Campos: ex-deputado federal | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

De acordo com especialistas na política de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela tem mais chance de derrotar o deputado federal Professor Alcides Ribeiro, do PL, do que qualquer outro candidato, como Vilmar Mariano. “A base governista pode apoiar Vilmar Mariano, é certo, mas sem grande empolgação, pois, em termos de modernidade e avanços reais, ele tem pouco a ver com Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Mendanha. Os três têm mais a ver com Leandro Vilela”, afirma um especialista em política de Aparecida.

Professor Alcides está articulando para disputar a prefeitura, ainda que seja contra Vilmar Mariano, que sempre considerou como aliado. Há pouco tempo, numa entrevista a uma rádio, o deputado deu nota 5 à administração do prefeito. Ou seja, não considera sua gestão como qualitativa. Pelo contrário, a avalia como regular, quase ruim. Em política, como se sabe, 5 é praticamente reprovação. E, quando uma nota baixa é dada por um suposto aliado, é ainda pior.

Ademir Menezes: ex-prefeito e ex-vice-governador | Foto: Secom estadual

O Podemos deve lançar o deputado federal Glaustin da Fokus para prefeito. “Glaustin é o tipo do político que adora ser o primeiro a chegar atrasado. Some, não atende ninguém e, de repente, divulga que será candidato. Pode se sugerir que será candidato… a chegar em terceiro lugar. O empresário tem pouco a ver com a cidade. Na eleição para deputado federal, ele foi o sexto colocado em Aparecida, com 8.667 votos, ficando bem atrás de Silvye Alves (43.846 votos), Professor Alcides (33.596), Gustavo Gayer (14.547), Zacharias Calil (12.617) e Delegada Adriana Accorsi (10.302). Frise-se que, dos cinco, apenas Professor Alcides tem domicílio eleitoral em Aparecida. O que estou dizendo é que Glaustin, mesmo tendo torrado uma fortuna, não tem força eleitoral no município”, afirma um ex-deputado.

Glaustin enfrenta outro problema: Felipe Cortês também planeja ser candidato a prefeito de Aparecida. O deputado tem afirmado que, por ter mandato, é ele quem manda no Podemos. Pode até ser. Mas Cortês tem forte ligação com a presidente nacional do partido, Renata Abreu.

O ex-deputado federal João Campos planeja disputar a Prefeitura de Aparecida pelo Republicanos. Entretanto, como Glaustin da Fokus, aparece na cidade apenas em solenidades. Depois, desaparece.

O ex-prefeito Ademir Menezes está se apresentando como possível candidato a prefeito. Ele também foi deputado estadual e vice-governador. (E.F.B.)