Piantella, restaurante-celebridade de Brasília, fecha as portas. Dívidas são milionárias

O fim do restaurante de Kakay, advogado expert em inocentar culpados, coincide com a decadência dos reds do PT

Kakay: o advogado fechou o restaurante para não falir junto

Kakay: o advogado fechou o restaurante para não falir junto

Em Goiânia, para tentar sobreviver à crise, os restaurantes Piquiras (dívidas de 17 milhões de reais) e Kabanas (dívidas de 5 milhões de reais) recorreram ao artifício da recuperação judicial. Seus proprietários estão tentando pagar as dívidas, ao mesmo tempo que mantêm a excelência de casas, hoje mais esvaziadas. Em Brasília, o Piantella, espécie de restaurante-celebridade, optou, no lugar de recorrer à recuperação judicial, por outra via: fechou as portas na quinta-feira, 31. Seu proprietário, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay — advogado especializado em “inocentar culpados” —, afirma que, mesmo tendo recorrido ao Refis, não há como mantê-lo aberto. As dívidas são milionárias e crescentes.

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Para os amigos, Kakay enviou uma mensagem comunicando e lamentando o fechamento do Piantella: “Hoje é um dia especialmente difícil. Depois de anos tentando salvar o Piantella, me vejo na obrigação de fechar as portas. Não tenho apego às questões materiais, o que me comove é que o Piantella era uma segunda casa para muita gente. Ali se trabalhou pela redemocratização, pelas Diretas Já, ali famílias se reuniram e viram o costume de estar lá. Simples assim, de geração para geração, era onde os amigos se encontravam. Era um patrimônio imaterial da cidade. Por isso, tentei tanto manter aberto nosso bom e velho Piantella. Tem horas, porém, que a realidade tem que ser enfrentada. Me despeço do Piantella como quem se despede de um amigo e me lembrarei das incontáveis noites, madrugadas, tardes que viravam notite, das cantorias ao pé do piano, e esta lembrança boa, divertida, alegre que me acompanhará pela vida toda. La vie cest pas un lonmg fleuve tranquille”.

Entrevistado pelo “Correio Braziliense”, Kakay acrescentou: “Optamos por fechar. O Piantella tem uma longa história. Bonita. De encontros políticos, familiares, de amores e namoros. Queremos lembrar só das coisas boas. Uma lembrança é a época do Diretas Já. O Piantella era o centro de tudo em Brasília, com almoços e jantares que não acabavam nunca. Ao piano, diversas composições políticas foram feitas por lá”.

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Se o Piantella falasse — há quem acredite que falava e até assoviava —, a República cairia ou, quem sabe, se tornaria mais forte. Os poderosos de Brasília e de outros Estados se encontravam no restaurante (para comer, dialogar, articular lobbies, alianças políticas e fazer negócios). Poderosos, no caso, são políticos, empresários, profissionais liberais, modelos, jornalistas (uns sim, outros não). Ulysses Guimarães, o cacique do MDB-PMDB, e Luís Eduardo Magalhães — que o pai, Antonio Carlos Magalhães, preparava para ser presidente da República (sem combinar com os russos e os deuses) —, eram habitués do Piantella. José Dirceu era tão frequente no restaurante, e tão bem tratado, que os funcionários acreditavam que era sócio de Kakay. Não era. Kakay tinha um sócio, mas, a partir de 2014, se tornou o único proprietário. O restaurante era quase seu escritório de advocacia. Quase.

Kakay, que comandava o Piantella há 17 anos, mantém aberto o restaurante Piantas, ao lado de sua mulher, Valéria Vieira.

O fim do Piantella coincide com a decadência dos reds do PT. Caem, portanto, duas cortes: a do restaurante e a da política. Esclareça-se que Kakay é advogado de meio mundo político e empresarial, não só de gente do PT. O restaurante quebrou; o advogado, não.

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