Pesquisadores sugerem que, se Caiado cair um pouco, começa a perder expectativa de poder

Pesquisadores sublinham que pesquisa Serpes é mais preocupante para quem está liderando e pode cair do que para quem tem menos intenção de voto

Foto: Arquivo / Jornal Opção

A pesquisa Serpes, divulgada na semana passada, sinalizou, para leitores comuns mas não para pesquisadores profissionais, simplesmente que Ronaldo Caiado, pré-candidato a governador pelo DEM, tem índices elevados, quase 40% das intenções de voto, e o governador José Eliton e o deputado federal Daniel Vilela, pré-candidatos a governado pelo PSDB e pelo MDB, aparecem com índices bem desfavoráveis. Cria-se, portanto, uma expectativa de poder, altamente positiva, para o postulante do partido Democratas.

O Jornal Opção submeteu os dados a três pesquisadores especializados, com experiência em várias campanhas eleitorais. Como trabalham ou vão trabalhar para candidatos — como pesquisadores ou consultores —, nenhum aceitou falar em “on”, optando pelo “off”. Entretanto, ouvidos separadamente e sem nenhum contato entre eles, disseram praticamente a mesma coisa.

“Quem deve ficar mais preocupado com os números não são Daniel Vilela e José Eliton. Quando se tornarem mais conhecidos, os dois vão crescer, tanto pela estrutura — o MDB e o PSDB estão em todo o Estado, tem vários prefeitos e candidatos a deputado estadual e federal — quanto pela exposição de seus nomes e imagens. Por não serem conhecidos, ainda não sensibilizaram, nem a favor nem contra, os eleitores. Ronaldo Caiado, o mais conhecido dos candidatos, aparece bem. Mas, até pelo fato de ser muito conhecido, seus números podem impressionar quem não é do ramo, mas não são excelentes. Há indícios de que se trata de uma frente inercial — quer dizer, os eleitores não sabem quais são os outros candidatos”, afirma um dos pesquisadores.

Um segundo pesquisador sugere que, com menos de 40% na pesquisa estimulada e apenas 8,7% na pesquisa espontânea — números inteiramente discrepantes —, a situação para Ronaldo Caiado pode se tornar, a médio prazo, grave. “É provável que, entre maio e junho, os números de Caiado caiam, sobretudo com o crescimento, possivelmente inevitável, tanto de José Eliton quanto de Daniel Vilela, dadas as estruturas partidárias de ambos e à força da máquina gerida pelo primeiro.”

Na política, em período de campanha, a expectativa eleitoral pode mudar de uma hora para outra, postula o terceiro pesquisador. “A desidratação de Ronaldo Caiado pode ocorrer mais rapidamente do que a de Iris Rezende em 1998, porque, com, menos de 40% das intenções de voto, não tem muita ‘gordura’ para queimar. Se cair de 39,7% para 35%, em seguida para 30%, com a provável ascensão de José Eliton e Daniel Vilela — que logo terão índices acima de 10% —, Ronaldo Caiado começará a perder expectativa de poder. A ideia de queda e virada pode prevalecer e a tendência é que comece a perder aliados.”

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Luciano Almeida

Caiado provavelmente repetirá o pífio desempenho da aventura tosca a que arrastou o então senador Demóstenes Torres, em 2006. Sem estrutura partidária, sem propostas convincentes e sem a confiança do eleitorado, Demóstenes sofreu uma derrota fragorosa: 3,5% dos votos, um inesquecível vexame para quem foi eleito ao senado em 2002 com mais de 1,2 milhões de votos. Pelo visto, Caiado não se emenda, mesmo.