Perillo percebe Mendanha como um de seus rivais para o pleito de 2026

O tucano estaria de olho muito mais na eleição seguinte do que na de 2022. Ele planeja enfrentar Daniel Vilela e Mendanha em 2026

Políticos são, em geral, mestres da astúcia. Veja-se o caso do pré-candidato a governador pelo Patriota, Gustavo Mendanha, e do pré-candidato a governador pelo PSDB, Marconi Perillo.

Mendanha, depois de articular com Perillo, abandonou-o, de repente, na chapada. Há quem diga que se trata de veto do presidente do Patriota, marqueteiro Jorcelino Braga, e do deputado federal Alcides “Cidinho” Rodrigues. Sim, há um veto.

Mas há mais do que veto. Braga mostrou uma série de pesquisas indicativas de que a rejeição de Perillo é alta — e tende a crescer durante a campanha, quando a história de sua prisão pela Polícia Federal for repetida pelos adversários — e, possivelmente, “contaminadora”.

Como Mendanha poderia se apresentar como candidato “do novo” se estivesse apadrinhado por um político que governou Goiás, em quatro mandatos, durante 16 anos? Ele seria visto como “continuidade”. Por isso, rompeu com Perillo. A tese de seu grupo é: ele “fortalece” Perillo, mas este o “enfraquece”.

Gustavo Mendanha e Marconi Perillo: cacifando para 2026 l Foto: Reprodução

Não há dúvida de que o mais astuto dos dois é Perillo (de 59 anos), que faz política há mais de 30 anos, desde o governo de Henrique Santillo, na segunda metade da década de 1980.

No momento, Perillo se prepara para disputar o governo de Goiás. A história de que vai consultar a militância é para inglês ver. Na verdade, suas decisões políticas sempre foram unilaterais, sem consultar ninguém, exceto a si.

Perillo vai disputar o governo com o objetivo de defender seu legado e tentar “restaurar” sua imagem — corroída pela prisão sob acusação de que havia se envolvido em corrupção. Mas não só. Esta é apenas parte da história. Há outra faceta.

Aliados de Perillo admitem que o ex-governador avalia como difícil conseguir vencer o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), dadas sua imagem positiva e a ausência de sentimento de mudança.

Portanto, Perillo está se colocando agora, reafirmando que não foge da luta, para, possivelmente, disputar, com mais chances de voltar ao poder, a eleição de 2026.

Os luas-azuis que o acompanham postulam que o apoio a Mendanha, em 2022, seria um erro de estratégia política, se visto da perspectiva da disputa de 2026.

Porque, se Mendanha vencer em 2022, abre-se um novo ciclo, e com ele disputando a reeleição em 2026. Porém, se perder em 2022, chegará enfraquecido no pleito de 2026, porque ficará um longo tempo fora das articulações políticas, sem mandato.

Noutras palavras, o melhor dos cenários para Perillo é uma derrota de Mendanha em 2022. Porque, se isto ocorrer, ele poderá chegar mais forte para uma possível disputa contra o ex-deputado federal Daniel Vilela, presidente do MDB e pré-candidato a vice de Ronaldo Caiado.

Daniel Vilela, se Ronaldo Caiado for reeleito, tende a assumir o governo, em abril de 2026, e se tornará, de imediato, candidato à reeleição. O marconismo afirma que, estando no poder, será um candidato forte, mas o emedebista é visto como um peso-leve em comparação com o atual governador, que é muito mais experimentado politicamente.

Na prática, o que se está dizendo é o seguinte: Perillo quer polarizar é com Daniel Vilela, em 2026. Mas, para tanto, precisa se colocar a partir de agora.

Fica a ressalva de que, apesar de pensar mais em 2026, Perillo também está pensando no pleito de 2022. Ele acredita que, se sua rejeição cair cerca de 10%, entre julho e setembro, terá chance de disputar o segundo turno contra Ronaldo Caiado. Aí tentaria arregimentar toda as oposições para enfrentar o governador.

É possível perceber que o marconismo, que andava adormecido, voltou à ativa nas redes sociais. Há uma militância atuando, contestando e questionando os adversários.

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