Para conter desgaste, Câmara de Goiânia tenta aprovar lei que proíbe porte de arma no plenário

Situações tidas agora como abusivas encontram ainda respaldo no fato de que o Regimento Interno da Câmara de Goiânia é omisso quanto à questão

Após mais uma semana marcada por exposição e desgaste provocados pela repercussão negativa da presença de vereadores armados no plenário, a Câmara de Goiânia pode ter encontrado a oportunidade certa para aprovar projeto de lei que proíba ou pelo menos restrinja o porte de arma no Legislativo. Na avaliação de vereadores de diversas tendências, há espaço político para aprovar a matéria sobre o tema que está na pauta da Casa, até como saída à pressão da comunidade para que episódios como o da última quarta-feira, 30, sejam levados à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

Protagonista, mais uma vez, do entrevero, o vereador Sargento Novandir (Avante) foi alertado por colegas do desgaste provocado pela exibição de sua arma de fogo durante o bate-boca com o também vereador Santana Gomes (PRTB) na sessão plenária. Em reservado, o presidente do Comissão de Ética, Anselmo Pereira (MDB), classificou como “praticamente insustentável” a pressão para que leve o caso à apreciação do colegiado. Os participantes da reunião fizeram chegar a Novandir a compreensão do decano sobre a crise.

Em paralelo, vereadores estimulam o vereador Ronilson Reis (Brasil 35), autor da matéria que proíbe o porte e a posse de arma de fogo que está na pauta da Casa, a trabalhar pela aprovação do projeto. A mobilização parece ter tido efeito: o vereador deu diversas entrevistas nos últimos dias dizendo que vai pedir a inclusão da proposta na pauta do plenário na primeira sessão útil da semana que começa.

A polêmica envolvendo o porte e a posse de arma no plenário e nas dependências da Câmara – exceto para policiais e guardas metropolitanos em serviço – é antiga, mas se arrefeceu com a ascensão do bolsonarismo. Desde então, a defesa das medidas de flexibilização da compra e porte de armas e munições passou a ser vista como eleitoralmente vantajosa.

Situações tidas agora como abusivas encontram ainda respaldo no fato de que o Regimento Interno da Câmara de Goiânia é omisso quanto à questão – nem proíbe nem autoriza o porte. Um cartão verde para que cada um proceda como bem entender.

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