Bastidores
Depois de sua prisão no Rio de Janeiro, Carlos Cachoeira, que se intitula a nova Geni da política brasileira — teme que seja preso por crimes cometidos no século 19 —, voltou para sua residência no Residencial Cruzeiro, em Alphaville. Um político goiano conversou demoradamente com o empresário, que alterna dois momentos. Primeiro, quando fala de suas duas paixões, a filha bebê, Clara, e a mulher Andressa Mendonça, é só alegria e contentamento. Segundo, quando comenta sobre sua prisão, permanece magoado. Ele tem dito que nada tem a ver com obras no Rio de Janeiro, seja no Maracanã ou noutro lugar, em sociedade com Fernando Cavendish. O político percebeu que não está pintando o cabelo, está mais magro, mas permanece sereno, dialogando com tranquilidade.
Por enquanto, o quadro indicado pelas pesquisas não autoriza tanto entusiasmo, mas é fato que o candidato do PMDB, Gustavo Mendanha, segundo tanto Serpes quanto Grupom, começa a descolar dos demais postulantes, Marlúcio Pereira (PSB), cuja rejeição parece intransponível, e o tucano Alcides Ribeiro (que, brincando, chamam de Rabeira, por ser o último colocado). Os peemedebistas estão acometidos pela febre “primeiroturnite”. “É contagiante”, diverte-se um mendanhista.
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Arquivo[/caption]
Fica-se com a impressão de que, se Lúcifer aparecesse em Nerópolis — como o Belfagor de Maquiavel apareceu na Itália — e dissesse: “Fabiano da Saneago, quer o meu apoio?”, o prefeito responderia: “Só se for agora!” O que parece brincadeira tem lógica. Fabiano da Saneago governou a cidade, nos últimos quatro anos, com o apoio do governador Marconi Perillo (PSDB). Mas agora entregou o comando de sua campanha para os principais líderes do PMDB de José Nelto, que banca o seu vice, Wendell Araújo; do DEM de Ronaldo Caiado e do PRP de Jorcelino Braga. Em 2018, o prefeito, que deve sair do PSDB, planeja apoiar a candidatura de José Nelto para deputado federal e a de Caiado a governador. Um vereador afirma que Ramon Xavier, primo do senador, e o médico Walter Luiz, ligado a Jorcelino Braga, estão na linha de frente da campanha. O favorito para prefeito é Gil Tavares, do PRB, que tem um vice do PSD, o médico Luiz Alberto. Mas Fabiano é populista e aprendeu a fazer política.
O prefeito de Catalão, Jardel Sebba, do PSDB, pode até não ser o favorito (mas está em ascensão). Mas seu programa de TV é ágil, consistente e de plástica irretocável. O programa de Adib Elias é conhecido como “Circo dos Horrores”. O peemedebista dirige um programa mambembe, lembrando vídeos amadores da década de 1980. Um radialista, com voz cavernosa, narra o programa, como se fosse apresentador de circo. É falta mais de criatividade do que de dinheiro. Pesquisas qualitativas indicam que Jorcelino Braga errou a mão.
O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e o presidente do PMDB de Goiás, Daniel Vilela, persistem mantendo um distanciamento prudente da campanha de Iris Rezende para prefeito de Goiânia. O fato é que iristas sublinham, com todas as letras, que não precisam deles na campanha. O deputado José Nelto, que não é irista — é danielista —, é o único que tenta aproximá-los da campanha. Daniel Vilela, que tem andado por todo o Estado — o Jornal Opção localiza-o nos vários cantos do Estado com frequência —, até agora, só participou de uma carreata. Maguito Vilela não participou de nenhuma reunião, concentrando-se na política de Aparecida e de Jataí (que fica mais longe do que Goiânia).
Do sempre bem-humorado deputado estadual Santana Gomes: “O delegado Waldir Soares deve se preparar para o pós-2 de outubro. Até seus eleitores começarão a chamá-lo de Deletado Waldir”. Brincadeira à parte, o parlamentar do PSL afirma que tem respeito pelo político. “Só que não é a sua hora, que pode ser em 2020.”
O deputado federal Sandes Júnior esteve em Rio Verde recentemente e faz um depoimento: “Fiquei impressionando o que chamado ‘volume’ da campanha do deputado Heuler Cruvinel [candidato a prefeito pelo PSD]. Na questão de sitrus, é três por um. Ele temais candidatos a vereadores e, sobretudo, são políticos que têm votos. Nas ruas, pude ver o povão dizendo que vai votar no Heuler, porque se trata de um político jovem, moderno e determinado. Acrescento que 11 deputados federais fizeram um compromisso de colocar emendas no Orçamento da União dirigidas para Rio Verde. Gravei o ministro da Saúde, Ricardo Barros, do PP, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do PP, respaldando sua candidatura. Os vídeos foram usados na campanha. Heuler em uma vice articulada, a vereadora Maria José, do PSDB, e tem o apoio do governador Marconi Perillo. Eleito, Rio Verde estará nas mãos de um político capacidade e que tem prestígio local, estadual e nacional — isto é importante para quem vai administrar o município mais importante, em termos políticos e econômicos, do Sudoeste”.
O deputado federal Sandes Júnior diz que tem andado com Vanderlan Cardoso, candidato do PSB a prefeito de Goiânia. “O que mais impressiona é como é bem recebido pelos eleitores. Percebo que, na capital, se terá segundo turno entre Iris Rezende, do PMDB, e Vanderlan Cardoso. O segundo turno, como se sabe, é outra eleição, com outra expectativa de poder. Como o voto de Vanderlan é consistente, e ele está em ascensão, é muito provável que, numa disputa direta com Iris, seja eleito. No segundo turno, toda a base governista estará em peso em sua campanha — o que, sem dúvida, fará a diferença. Fora Aparecida de Goiânia e Anápolis, nas outras cidades não se terá segundo turno. Então, políticos de várias cidades estarão na capital trabalhando, voluntariamente, para Vanderlan”.
O candidato do PSDB a prefeito de Uruaçu, Valmir Pedro, diz que é preciso “ficar muito claro a respeito de quem de fato representa a base governista no município. Sou o candidato do governador Marconi Perillo e tenho vídeos gravados com ele afirmando isto”. As palavras de Valmir Pedro são uma estocada no candidato Machadinho, do DEM. Na semana passada, o Jornal Opção publicou uma fotografia, na qual aparecem Machadinho, Benitez Calil, Lucas Calil e o presidente da Agetop, Jayme Rincón. “Na verdade, Machadinho é o candidato de Ronaldo Caiado e, em 2018, vai apoiá-lo para governador. Esclareça-se ao Lucas Calil que ele já tem candidato a deputado estadual em Uruaçu. Não dá para ficar fingindo que se pertence à base marconista quando, de fato, se pertence à base caiadista.” O deputado federal Thiago Peixoto esteve em Uruaçu e ficou impressionado com a campanha de Valmir Pedro. “Agora, entendi porque é o favorito. Quando vai fazer comício num bairro, antes visita todas as casas e conversa com todas as pessoas, com uma fineza de trato que impressiona. É muito bem recebido e toda a Uruaçu costuma dizer: ‘Agora é a vez de Valmir Pedro’. É o que vi, ouvi e percebi.”
O candidato do PSDB a prefeito de Uruaçu, Valmir Pedro, é apontado como “favorito” e tem uma campanha mais volumosa e empática. Mas a surpresa do pleito é o aparecimento do candidato do DEM, Machadinho, que começa a polarizar com ele. Valmir Pedro e Machadinho deixaram a prefeita Solange Bertulino — que os adversários chamam de Bertulonge —, do PMDB, e o candidato do PTB, Lourenço Neto, para trás. A disputa será, até o final, entre eles. No momento, pelo menos, não há como dizer que um está eleito e o outro está derrotado. Eles têm chances parecidas. Independentemente dos números atuais das pesquisas.
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Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção[/caption]
Todos os líderes da base do governador Marconi Perillo, exceto os do PSD, que tem candidato a prefeito, estão na campanha de Vanderlan Cardoso para prefeito de Goiânia. Mas uma falta tem sido sentida. O presidente do PHS, Eduardo Machado, é sempre convidado para participar de comícios e caminhadas, mas está sempre viajando.
Presidente nacional do PHS, Eduardo Machado praticamente não faz mais política em Goiás. A sorte é que o partido tem o deputado estadual Jean Carlo, que mantém ligações fortes com a base do governador Marconi Perillo. Por isso, é cotado como fortíssimo candidato a deputado federal em 2018.
O PHS conta também com o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Marcelo Augusto, que está na linha de frente da campanha de Vanderlan Cardoso. Ele disputa mandato de vereador e está na lista dos favoritos. Mas todos perguntam: “Cadê o Eduardo Machado?” Aí os líderes do partido respondem: “Tomou Doril!”
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Antônio Gomide e João Gomes: juntos na campanha de 2016 | Foto: reprodução[/caption]
O ex-prefeito Antônio Gomide prova que transfere voto mesmo em Anápolis. Ao assumir a campanha do prefeito João Gomes (PT) como principal general eleitoral, como porta-voz e até como marqueteiro, dando os rumos das ações, o petista cresceu e descolou do segundo colocado.
Antônio Gomide é mesmo a grande estrela política de Anápolis, superando até mesmo o hermano Rubens Otoni, deputado federal.
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Foto: André Costa[/caption]
A surpresa tem sido, nos últimos dias, a ascensão de Roberto do Orion, candidato do PTB a prefeito de Anápolis. Não é um crescimento que assuste Carlos Antônio, do PSDB, e Pedro Canedo, do DEM. Mas é fato que cresceu.
O espantoso mesmo é a queda de Carlos Antônio e Pedro Canedo, que, aos olhos dos eleitores, deixaram de ser uma alternativa ao prefeito João Gomes, do PT.
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Foto: Fernando Leite[/caption]
O advogado Abelardo Vaz (PP), não há a menor dúvida, é o melhor candidato a prefeito de Inhumas e deve ser eleito com certa facilidade. Por isso, é estranha a sordidez de sua campanha contra o prefeito Dioji Ikeda (PDT).
Gentleman, Abelardo Vaz é afável no trato e sempre manteve uma relação cordial com Dioji Ikeda, nunca atacando-o. Agora, embora seja o favorito, permite que sua equipe de marqueteiros ataque, com extrema grosseria, a família do prefeito, notadamente sua mulher (que está grávida).
Não se trata do Abelardo Vaz que se conhece em Goiânia. Ou talvez seja possível sugerir que há dois Abelardos — um, o da capital, de rara lhaneza, e o de Inhumas, adepto das velhas grosserias dos coronéis políticos de outrora.
Abelardo Vaz é do bem e é digno. Espera-se que retome sua verdadeira personalidade.
Carlão da Fox (PSDB), candidato favorito a prefeito de Goianira, também sido vítima de um marketing dos mais agressivos. Mas está resistindo bem. Resta saber se o outro candidato, o prefeito Miller Assis, perdendo a eleição, continuará morando na cidade. Um expert em Miller Assis assegura que, ao final da campanha, se derrotado, vai culpar o marqueteiro pelas estripulias.

