Omissão da oposição pode incentivar ressurgimento de Iris Rezende em Goiânia

Quem não for conhecido não ficará conhecido durante a campanha. Chegou a hora dos pré-candidatos se apresentarem, de maneira crítica. Antes que seja tarde

Elias Vaz, deputado: cadê a oposição? | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Entre 2017 e 2018, em qualquer lista dos piores prefeitos de Goiás e do Brasil, seria justo incluir o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, do MDB. O alcaide de 85 anos pouco trabalhou e limitou-se a pagar salários de servidores. A Saúde foi deixada ao deus-dará. A Educação ficou escanteada. O que mais faltou? Oposição política.

Francisco Júnior, deputado: cadê a oposição?| Foto: Divulgação

Como oposicionistas de peso desapareceram, assistindo o caos de longe, sem manifestar qualquer posicionamento crítico, alguns vereadores mais ousados apareceram e ocuparam espaço na mídia. Alguns deles, depois de atendidos pelo prefeito — com cargos e certas benesses (não se se trata, frise-se, de corrupção financeira) —, abandonaram o discurso de oposição e voltaram a ser iristas de carteirinhas. Dos vereadores, os que se mantiveram críticos, de maneira consistente, foram mesmo Elias Vaz, do PSB, Sabrina Garcez, e Dra. Cristina Lopes, do PSDB. O mais articulado, Elias Vaz, acabou eleito deputado federal e deixou de criticar o alcaide.

Cristina Lopes, vereadora: cadê a oposição? | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Mas aqueles que deveriam ter se postado como oposição de fato — como Francisco Júnior, do PSD, Adriana Accorsi, do PT, e Major Araújo, do PRP, para mencionar apenas três —, se omitiram. Tornaram-se ausentes.

Adriana Accorsi, deputada: cadê a oposição? | Foto: Divulgação

O resultado é que, em seus piores momentos, Iris Rezende não enfrentou uma oposição consistente e respeitável. Se houve crítica, ficou por conta da imprensa. E só.

Agora, com dinheiro no caixa e fazendo obras, mas ainda com a Educação e a Saúde desguarnecidas, Iris Rezende está ganhando um pouco mais de musculatura. Mas não passou da hora de articular uma crítica consistente ao prefeito, mostrando as mazelas de sua administração, as prioridades que não são prioridades.

Major Araújo, deputado: cadê a oposição? | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Não passou, mas está quase passando da hora de Francisco Júnior, Elias Vaz (PSB), Dra. Cristina Lopes (PSDB, mas a caminho de outro partido), Adriana Accorsi (PT), Thiago Albernaz (SD), Wilder Morais (Pros), Major Araújo (possivelmente pelo PSL), José Nelto (Podemos), Virmondes Cruvinel (PPS) se manifestarem posicionada e criticamente.

Virmondes Cruvinel, deputado: cadê a oposição? | Foto: Reprodução

Aquele que se apresentar como uma alternativa moderna a Iris Rezende — o político mais desconectado dos goianienses modernos —, que se apresentar como o anti-Iris, certamente terá mais chance de ser eleito em 2020. Aqueles que esperarem 2020 para apresentarem suas críticas poderão não ser lembrados pelos eleitores. Não custa lembrar que a campanha eleitoral — de 45 dias — será curta. Quem não for conhecido não ficará conhecido durante a campanha. Chegou a hora, portanto, de se apresentarem, e de maneira crítica e propositiva. Antes que seja tarde, até muito tarde. Oposição Bela Adormecida ou Branca de Neve não funciona.

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