O governador do Tocantins, Mauro Carlesse, pode ser preso?

Advogado sugere que há possibilidade de prisão. Porém, se confirmado o afastamento e ele não continuar obstruindo as investigações, tende a ficar livre

Governador Mauro Carlesse | Foto: Esequias Araújo/Governo do Tocantins/ Divulgação

O Superior Tribunal de Justiça determinou o afastamento do governador do Tocantins, Mauro Carlesse. Investiga-se pagamento de propina relativo ao plano de saúde dos servidores estaduais. O gestor estadual também teria atuado para obstruir as investigações.

Claudinei Aparecido Quaresmin: se fica, é Carlesse no governo | Foto: Divulgação

A pergunta que os tocantinenses fazem, neste momento, é: Mauro Carlesse e alguns auxiliares podem ser presos? Há, de fato, a possibilidade de prisão. Porém, segundo um advogado, o fato de ter sido afastado sugere que “não” será preso. “Se confirmado, o afastamento pode significar que não terá mais condições de atrapalhar as investigações. Porém, se, mesmo afastado, continuar obstruindo as investigações, aí há a possibilidade de prisão.”

Sandro Henrique Armando, secretário da Fazenda | Foto: foto de João Di Pietro Ascom Sefaz

O advogado sugere também que, com as novas informações obtidas, se forem ainda mais comprometedoras, “há, sim, possibilidade de prisão”.

A segunda pergunta dos tocantinenses é: Claudinei Aparecido Quaresemin, sobrinho de Mauro Carlesse, permanece no governo? Se persistir, Carlesse continuará mandando na gestão. O secretário da Fazenda, Sandro Henrique Armando, foi importado de São Paulo e é da cozinha de Carlesse. Se ele é Carlesse acima de tudo e de todos, e controla o caixa do governo, Carlesse continuará mandando. É uma questão que o STJ terá de examinar.

Confira texto do site da Polícia Federal
PF investiga servidores públicos por corrupção e obstrução de investigações
em Tocantins

As investigações, iniciadas há quase dois anos, demonstram um complexo aparelhamento da estrutura estatal voltado a permitir a continuidade de diversos esquemas criminosos comandados pelos principais investigados

Palmas/TO — A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (20/10) as operações Éris e Hygea para desarticular organização criminosa composta por membros da cúpula do governo do Estado suspeita de obstruir investigações de combate à corrupção e desmantelar o esquema de pagamento de vantagens indevidas relacionadas ao Plano de Saúde dos Servidores do Estado do Tocantins (Plansaúde).

Cerca de 280 policiais federais cumprem 57 mandados de busca e apreensão e outras 50 medidas cautelares, como a suspensão do exercício das funções públicas, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça, nas cidades de Palmas/TO, Gurupi/TO, Porto Nacional/TO, Minaçu/GO, Goiânia/GO, Brasília/DF e São Paulo/SP.

As investigações, iniciadas há quase dois anos, demonstram um complexo aparelhamento da estrutura estatal voltado a permitir a continuidade de diversos esquemas criminosos comandados pelos principais investigados, que teriam movimentado dezenas de milhões de reais por meio dos crimes praticados. Até o momento, foi determinado o bloqueio judicial de R$ 40 milhões.

A operação Éris visa desarticular o braço da organização criminosa instalado na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Tocantins suspeito de obstruir as investigações, utilizando-se de instrumentalização normativa, aparelhamento pessoal e poder normativo e disciplinar contra os policiais envolvidos no combate à corrupção. O grupo ainda é suspeito de vazar informações de investigações em andamento aos investigados.

Já a operação Hygea tem o objetivo de desmantelar o esquema de pagamentos de vantagens indevidas relacionadas ao Plansaúde e a estrutura montada para a lavagem de dinheiro, assim como demonstrar a integralização dos recursos públicos desviados ao patrimônio dos investigados.

Segundo as investigações, o governo estadual removeu indevidamente delegados responsáveis por inquéritos de combate à corrupção conforme as apurações avançavam e mencionavam expressamente membros da cúpula do Estado. Há ainda fortes evidências da produção coordenada de documentos falsos para manutenção dos interesses da organização criminosa.

Além da obtenção de novas provas, busca-se interromper a continuidade das ações criminosas, identificar e recuperar ativos frutos dos desvios, resguardar a aplicação da lei penal, a segurança de testemunhas e a retomada das Instituições Públicas.

As ações de hoje contaram com o apoio da Força Aérea Brasileira.

Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e documental e embaraço às investigações.

Os nomes das operações fazem referência a figuras da mitologia grega ligadas à discórdia e à saúde, respectivamente.

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