O ano em que Marconi Perillo se tornou um político nacional

Políticos nacionais avaliam que o tucano goiano pode disputar a Presidência da República ou ser vice de Aécio Neves, de Geraldo Alckmin ou de Ciro Gomes

Marconi Perillo com FHC e Akckmin IMG-20150514-WA0003

Os Estados brasileiros, em sua maioria, estão quebrados. A maioria dos governadores, inclusive o de São Paulo, Geraldo Alckmin, enfrenta grande desgaste político e administrativo. Entretanto, o governador de Goiás, Marconi Perillo, mantém uma imagem positiva no país. No próprio Estado há críticas dos setores organizados, corporativos, que querem pôr os recursos públicos a seu serviço-dispor — não da sociedade. Porém, nos outros Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, Marconi é profusamente mencionado como um case de sucesso.

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Por que o governo de Marconi, apesar dos problemas provocados pela crise econômica nacional — que atinge todos os Estados —, está melhor do que os de outros Estados? Porque iniciou um duro ajuste fiscal, com contenção de despesas, ainda no período eleitoral (muitos aliados chegaram a aconselhá-lo a ser mais comedido nos cortes, com receio de que perdesse as eleições de 2014). Feito o ajuste, quando entrou o ano de 2015, o governo estava melhor do que aqueles governos que nada fizeram em 2014.

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Porém, se apenas cortasse e não fizesse investimentos, Marconi Perillo (acima com Jorge Gerdau, o rei do aço) não teria se tornado destaque nacional. Mesmo na crise, o governo tucano fez obras, como o Hospital de Urgências 2 de Goiânia, o Hugol (Hospital de Urgências Otávio Lage), recuperou a maioria das rodovias (o ex-governador Alcides Rodrigues havia abandonado as estradas, praticamente todas esburacadas), iniciou a construção dos centros de recuperação de dependentes químicos (quando estiver funcionando, deverão se tornar uma referência para o país).

Governador Marconi com a Presidenta Dilma no Lançamento do BRT fotos Eduardo Ferreira

A adoção de organizações sociais no setor de saúde é outro dos méritos do governo. Não há nada perfeito no mundo, portanto os problemas não acabam de uma hora para outra, mas, em termos de qualidade de atendimento, a saúde deu mesmo um salto qualitativo. Pode-se dizer que o setor foi requalificado. As críticas são feitas mais por setores corporativos, que perderam espaço (a famosa boquinha) e, também, não têm mais como ganhar eleições com base na história de que a “saúde não funciona”. Alguns políticos se elegeram e se reelegeram com base no discurso de que a saúde era ruim. Na eleição passada, pelo menos um deles perdeu de maneira vexatória. O sucesso das OSs no setor de saúde significa o insucesso de determinados políticos. Felizmente, a vitoriosa é a população, sobretudo os mais pobres.

Marconi Perillo com Henrique Meirelles 6208527281_d1121ccd30

O Crer, o centro de reabilitação, tem sido aperfeiçoado e ampliado ao longo do tempo. Hoje, é referência para vários Estados. Detalhe: quem o transformou em referência para o país, com recomendação de que os demais Estados devem seguir o modelo goiano ao construir seus hospitais, não foi o governo de Goiás. Quer dizer, não se trata de marketing. Quem transformou o Crer em referência nacional foi o Ministério da Saúde do governo da presidente Dilma Rousseff, quer dizer, uma petista (e seus técnicos) avaliza a qualidade do hospital. Aliás, mais do que um hospital, o Crer é um centro de humanidade, de humanismo.

Agora, apesar da resistência dos setores corporativos, que temem perder privilégios — curiosamente, os filhos de seus líderes e dos políticos que combatem a mudança não estudam em escolas públicas —, o governador Marconi Perillo vai implantar organizações sociais na Educação. O objetivo é tornar a escola pública mais qualitativa para os filhos das pessoas mais carentes. É aproximar a qualidade do ensino público da qualidade do ensino da escola particular. Os que não querem mudar, numa defesa corporativa do modelo atual, não apresentam nenhum projeto alternativo para melhorar a qualidade da escola pública. Vale dizer que, se a escola pública já melhorou, e muito, tem a ver com ações tanto do governador Marconi Perillo quanto do ex-secretário da Educação Thiago Peixoto, que adotaram métodos para requalificá-la. Os números positivos do Ideb mostram isso.

Marconi Perillo e Kassab principal-2

Ao mesmo tempo que administra o Estado, criando programas construtivos como o Inova Goiás e o Goiás Competitivo, Marconi Perillo articula politicamente no país. Não se trata da pequena política. O que o tucano-chefe pretende é produzir um movimento de governadores — inicialmente com Consórcio do Brasil Central — para propor alternativas de crescimento e desenvolvimento para o país. Um dos fatos mais importantes é a união dos governadores do Centro-Oeste, com o acréscimo dos governadores do Tocantins e de Rondônia. O Nordeste sempre se uniu em defesa de seus interesses. O Centro-Oeste se uniu, e não apenas para pressionar o governo federal em busca de obras, e sim também para encontrar caminhos coletivos para obras de infraestrutura que possam beneficiar a região. Determinadas obras, por exemplo, podem beneficiar Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; portanto, podem ser tocadas coletivamente. O que se propõe, e pela primeira vez com tanta ênfase, é integrar o Centro-Oeste — o que acelerará seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, lhe dará mais força política nacional. Marconi Perillo é o líder deste movimento que põe o Centro-Oeste no fulcro da política nacional.

Noutras palavras, Marconi Perillo, e para além da questão do Centro-Oeste, se torna, cada vez mais, um político nacional. Em todas as grandes questões é chamado para discutir os temas nacionais e é mencionado por toda a imprensa do país, com destaque para os jornais e revistas de São Paulo e Rio de Janeiro.

O tucano-chefe tem um projeto político nacional? Tem, é claro. Em 2018, pode disputar uma vaga no Senado, como favoritíssimo. Mas há outros caminhos. Pode ser candidato a presidente? Pode (sobretudo se Aécio Neves soçobrar na Operação Lava Jato), e exatamente pelo PSDB. Seu cartel é o que está fazendo em Goiás, nas várias áreas, mas também o fato de que tem uma ideia de Estado, de país. Outros partidos podem buscar Marconi Perillo para a disputa? Podem, sim. O PSB, por exemplo, é um deles. Geraldo Alckmin é cotado para disputar a presidência pelo PSB, mas, se Aécio Neves sair do processo, pode permanecer no PSDB. Aí o candidato do PSB poderia ser Marconi Perillo.

Há também a possibilidade de Marconi Perillo postular a vice. Pode ser vice de Aécio Neves ou de Geraldo Alckmin. Recentemente, Ciro Gomes, que deve ser candidato a presidente, sugeriu que Marconi seria o vice ideal. Isto quer dizer que o nome do tucano goiano está nas bocas políticas nacionais e, sobretudo, de políticos de vários partidos. O PSDB cada vez mais tem de ficar de olho neste jovem de 52 anos, que se elegeu quatro vezes governador de Goiás, foi senador, deputado federal e deputado estadual. Quer dizer, tem experiência de sobra para voos mais altos.

Uma prova de provincianismo: os goianos parecem não apreciar quando goianos fazem sucesso fora do Estado. É como se o político — ou o artista — tivesse de ficar circunscrito ao próprio Estado, fechado, isolado, menor.

2 respostas para “O ano em que Marconi Perillo se tornou um político nacional”

  1. Geraldo Alckmin é fundador do PSDB. Nunca demonstrou nenhum
    descontentamento com sua situação no tucanato. Portanto, não vejo a menor possibilidade
    de ele sair do partido. Cabe lembrar que em 2009 cogitaram a saída de Aécio.
    Não saiu. Em 2013, que Serra sairia. Também não saiu. Quem apostar nisso, vai
    perder. Já o PSB, se quiser ganhar as eleições em 2018, pode apoiar Alckmin,
    mas no PSDB.

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