Ambos apostaram alto nas eleições gerais de 2022. Tinham noção do risco, bancaram o risco e perderam a aposta. Humberto Teófilo (PSC) e João Campos (Republicanos) tentam agora recompor suas forças para os próximos embates eleitorais – afinal, 2024 e 2026 estão logo “ali” e eles, como políticos profissionais que se tornaram, sabem o caminho que precisam traçar.

Humberto Teófilo se elegeu em sua primeira candidatura, a deputado estadual, em 2018, pelo PSL – que depois se tornaria União Brasil (UB), em fusão com o DEM, depois de se tornar conhecido como delegado, por investigações que ganharam repercussão e por atuar na populosa região noroeste de Goiânia, no 22° Distrito Policial. No mandato, usou bem as redes sociais para se posicionar como opositor ao governo estadual e acabou se filiando ao Patriota, acompanhando o candidato ao governo Gustavo Mendanha, para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. O partido não conseguiu quociente eleitoral e ele ficou sem mandato, com 37.091 votos.

Depois de quatro mandatos seguidos como deputado federal, João Campos achou que era o momento, em meio à onda bolsonarista, de buscar uma vaga no Senado. A concorrência pelo mesmo nicho conservador foi grande. Wilder Morais (PL), diretamente apoiado pelo então presidente, Jair Bolsonaro (PL), foi o eleito; Delegado Waldir (UB) ficou em 3º, atrás do ex-governador Marconi Perillo (PSDB); e João Campos foi apenas o 5º colocado, com pouco mais de 350 mil votos, logo atrás de Alexandre Baldy (pP).

Os dois delegados agora tentam retomar o contato com suas bases no setor da segurança, participando de entrevistas, eventos e reuniões com policiais, agentes e pessoas que tenham algum vínculo com o tema.

Um exemplo: ambos estavam presentes à cerimônia comemorativa ao Dia do Policial Civil, realizada na terça-feira, 9, no auditório da Secretaria de Segurança Pública (SSP), no Setor Aeroviário, em Goiânia. Em tempos de exercício de mandato, talvez fosse um evento “menor” para a agenda de parlamentares.

Com vistas a 2024, João Campos tem ligado sua agenda e suas redes sociais nas últimas semanas principalmente a Aparecida de Goiânia, onde tem base eleitoral e não descarta concorrer.

Já Teófilo tem publicado sempre em seus perfis, seu dia a dia, em que tem buscado estar sempre em contato com seu eleitorado. No fim de semana, em uma das publicações deixou claro que a corrida eleitoral em Inhumas, sua principal base fora de Goiânia, será uma prioridade.

Tanto um quanto o outro são nomes importantes na sucessão, ainda que sem mandato. O que fazem é uma tentativa de se reorganizar politicamente. Estão no desempenho da “tarefa de casa”, mas a pergunta que fica: com que força chegarão nas próximas eleições? Com Bolsonaro praticamente fora do jogo devido aos sucessivos desgastes, e com índices positivos da segurança em Goiás, ainda há apelo para o discurso da bala?