Depois do recado da última semana, quando pela primeira vez na história o Senado rejeitou a indicação do chefe do Executivo para a DPU (Defensoria Pública da União), parece que está cada dia mais longe a indicação do ministro Flávio Dino para o STF. De acordo com interlocutores, perfil “combativo” do ministro da Justiça teria queimado sua indicação antes do tempo.

A rejeição de Igor Roque Albuquerque para chefiar a DPU foi uma surpresa, porque quando sabatinado e aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça), em 11 de julho, recebeu 20 votos favoráveis e apenas 1 contrário.

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não decide quem ficará com a vaga do STF, grupo faz força para que o advogado-geral da União Jorge Messias seja o indicado. Eles estão promovendo almoços e jantares em Brasília para fortalecer o nome de Messias, que agrada petistas mais que Bruno Dantas (presidente do Tribunal de Contas da União).

O entendimento é que Dantas teria mais facilidade de passar no Congresso, porque conta com apoio do senador Renan Calheiros (MDB), e por isso, o maior apoio a Messias “equilibraria” o jogo. Ainda há espaço para Dino? Improvável, mas não impossível. Esse tempo todo para definir o nome do STF pode inclusive indicar que o presidente esteja esperando “outros ventos”, já que a política é como nuvem: uma hora o desenho está de um jeito, e no momento seguinte, parece outro. (A.B)