Na questão da pandemia, Daniel Vilela mostra mais maturidade do que Gustavo Mendanha

O sociólogo alemão Max Weber fala em ética da responsabilidade e na questão dos políticos profissionais.

Os políticos profissionais, como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, eram e são necessários. Porque são eles que dedicam seu tempo ao bem comum. Em Goiás há políticos profissionais, no bom sentido? Há. Dois deles: Iris Rezende e Ronaldo Caiado.

Recentemente, o governador Ronaldo Caiado, um médico especializado na França de Louis Pasteur, decidiu-se, baseado na ciência e no bom senso, por adotar medidas eficazes para combater a pandemia do novo coronavírus. O prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, mesmo sob intensa pressão, aderiu à tese de fechar o comércio por 14 dias e abrir por 14 dias. É difícil? É. Entretanto, muitas vidas podem ser salvas. Observe-se, inclusive, que os hospitais estão com dificuldade para atender todos os contaminados que precisam, além de internação, de cuidados especiais. Reduzir o número de contaminados é o mesmo que reduzir o número de mortes e, ao mesmo tempo, os hospitais ficarão menos sobrecarregados.

Aparecida de Goiânia, dirigida pelo jovem Gustavo Mendanha — por sinal, internado com Covid-19, num hospital particular (seu pai, Léo Mendanha, está internado no Hospital Albert Einstein, apontado como o melhor e mais caro de São Paulo, ao lado do Hospital Sírio-Libanês) —, decidiu não seguir a decisão do governo do Estado e da Prefeitura de Goiânia. Ora, fechar o comércio em Goiânia e abrir em Aparecida de Goiânia é um contrassenso. Porque, conurbadas, as cidades são, na verdade, uma só. “Segurar” a contaminação em Goiânia só é possível se o mesmo for feito em Aparecida.

Não há a menor dúvida de que Gustavo Mendanha é um político e gestor sério e capaz. Mas, no caso, faltou-lhe senso de responsabilidade — e, se fosse vivo, Max Weber lhe puxaria as orelhas. Assim como o falecido ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela — que morreu em consequências de complicações derivadas da Covid-19. Mas a questão chave é que Gustavo Mendanha não pode pensar no seu futuro político — agradando determinados comerciantes — e sacrificar o presente (a vida) das pessoas.

É provável que tenha faltado maturidade ao jovem gestor. É possível que algum marqueteiro tenha lhe dito para confrontar o governador Ronaldo Caiado e o prefeito Rogério Cruz para “marcar” posição e mostrar que está no jogo político para 2022.

Curiosa ou sintomaticamente, e até por ter perdido o pai, o presidente do MDB, Daniel Vilela, não se comporta como Gustavo Mendanha. Em nenhum momento, o que prova que não é populista, o ex-deputado federal jogou para a plateia, defendendo a abertura do comércio a qualquer custo. Parece evidente que há, aí, um sinal de maturidade que distingue os dois políticos. Um, Daniel Vilela, pensa no presente (vale lembrar que já morreram 328 mil brasileiros), avaliando que a vida é muito importante — até porque não tem estepe. O outro, pensando em 2022, escancarou o comércio.

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