Morre o ex-guerrilheiro e ex-deputado federal Alfredo Sirkis

O líder ambientalista morreu num acidente automobilístico, em Nova Iguaçu. Ele tinha 69 anos

O ex-guerrilheiro e ex-deputado federal Alfredo Sirkis morreu na sexta-feira, 10, num acidente de automóvel, nas proximidades do Arco Metropolano, em Nova Iguaçu (RJ). Ele tinha 69 anos e faria 70 anos em 8 de dezembro.

Alfredo Sirkis, jornalista, escritor e ambientalista | Foto: Reprodução

Alfredo Sirkis iria visitar a mãe (de 96 anos) e um filho, no sítio de família, em Vassouras.

O deputado estadual Carlos Minc, do PSB, disse: “Não quero acreditar nisso. Há três dias estávamos conversando sobre o novo livro dele que ia chegar por esses dias”.

Ao lado de Carlos Minc, Fernando Gabeira e Lizst Vieira, Sirkis participou de várias lutas ambientalistas no Brasil e foi um dos fundadores do Partido Verde.

Polo de Alfredo Sirkis: a polícia acredita que ele tenha perdido o controle da direção, bateu num poste e capotou o automóvel| Foto: Reprodução

Trajetória: de guerrilheiro a ambientalista

Alfredo Hélio Sirkis nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de dezembro de 1950. Ultimamente, era o diretor-executivo do think tank Centro Brasil no Clima (CBC). Foi deputado federal e vereador por quatro mandatos.

No livro “Os Carbonários” relata sua participação na guerrilha urbana no Brasil, entre as décadas de 1960 e 1970. Como membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob a liderança de Carlos Lamarca, atuou ativamente na guerrilha. Participou do sequestro do embaixador da Alemanha Ocidental no Brasil, Ehrenfried von Holleben, em junho de 1970, em plena Copa do Mundo de Futebol, realizada no México. O sequestro possibilitou a libertação de 40 presos políticos — como Carlos Minc e Fernando Gabeira.

Embora não tenha participado diretamente do sequestro do embaixador Giovanni Enrico Bucher, da Suíça, Alfredo Sirkis foi um dos responsáveis por vigiá-lo. O sequestro levou à liberação de 70 presos políticos.

Em 1971, com a guerrilha em frangalhos, sob ataque cerrado dos militares, Alfredo Sirkis deixa a VPR e exila-se no Chile, onde se torna correspondente do jornal francês “Libération”. Com a queda do presidente Salvador Allende, escapou para o Argentina. Em 1975, já em Portugal, se torna redator-chefe da edição lusa da revista “Cadernos do Terceiro Mundo”, editor internacional do jornal “Página Um” e colaborador do “Le Monde Diplomatique”.

Com a Anistia, Sirkis volta ao Brasil, em 1979. Em 1980, lançou o livro “Os Carbonários”, best-seller instantâneo. Ele trabalhou nas revistas “Veja” e “IstoÉ’.

Participou da fundação do Partido Verde, em 1986, e chegou a ser seu presidente nacional.

Em 1988, Sirkis foi eleito vereador. A aprovação da Lei de Incentivos Fiscais para projetos eco-culturais, em 1992, teve seu dedo de amplo conhecedor das questões ambientais.

Sirkis foi secretário do Meio Ambiente na gestão do prefeito César Maia, em 1993, no Rio de Janeiro. Foi secretário-executivo da Fundação Ondazul.

Para divulgar as ideias do PV, Sirkis disputou a Presidência da República, em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi reeleito.

Em 2000, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro. Sirkis coordenou a campanha presidencial de Marina Silva, em 2010, e foi eleito deputado federal.

Em 2014, ao rejeitar a coligação do PSB, então seu partido, com o PT, Sirkis optou por não disputar a reeleição.

Sirkis também se afastou da Rede Sustentabilidade, dedicando-se ao terceiro setor. Ele escreveu vários livros, como “A Guerra na Argentina”, “Roleta Chilena”, “Corredor Polonês” (romance sobre sua família polonesa), “Silicone XXI” (ficção científica) e “Megalópoles”.

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