Morre o ex-deputado Severino Cavalcanti, o rei do baixo clero no Congresso

15 julho 2020 às 10h12

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O político de Pernambuco tinha 89 anos. Ele cobra mensalinho dos donos de duas lanchonetes na Câmara dos Deputados
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti morreu na quarta-feira, 15, aos 89 anos (faria 90 em dezembro). Era conhecido como “rei do baixo clero” e se tornou presidente da Câmara em 2005, mas, denunciado por ter criado o “mensalinho”, renunciou tanto ao cargo quanto ao mandato. Ao prorrogar o contrato de concessão de duas lanchonetes na sede do Legislativo, o parlamentar cobrava 10 mil reais por mês. Imitando Fidel Castro, Severino Cavalcanti bradou: “Todos seremos, em muito breve, julgados pelo povo. Para quem dedicou sua vida à política, esse é o julgamento que conta, a sentença que importa. Voltarei. O povo me absolverá”. Não absolveu: ele não conseguiu voltar para Brasília. Depois, foi eleito prefeito de João Alfredo, em Pernambuco, mas, para não ser cassado, acabou renunciando.

Na disputa pelo comando da Câmara, Severino Cavalcanti derrotou Luiz Eduardo Greenhalgh, o candidato bancado pelo então presidente da República, Lula da Silva. O baixo clero se uniu e venceu o rolo compresso do governo federal. Na época, dizia-se que o baixo clero batia carteiras e passaria a bater caixa forte (e não é uma referência ao político de Pernambuco, e sim ao baixo clero).
Adepto da política do toma-lá-dá-cá, Severino Cavalcanti disse, em 2005, à então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff: “O que o presidente (Lula) me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo. É essa que eu quero”. Estava se referindo à Diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, para a qual havia indicado um apaniguado.
Severino Cavalcanti teve uma longa carreira política: foi deputado estadual por sete mandatos (28 anos) e deputado federal por três mandatos (12 anos). Ele foi prefeito de João Alfredo por duas vezes.