Ministra Damares Alves vai pedir demissão do governo de Bolsonaro

Titular da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos está sendo ameaçada de morte e alega problemas de saúde

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves — que, segundo o Datafolha, só perde em popularidade para os ministros da Justiça, Sergio Moro, e da Economia, Paulo Guedes —, vai deixar o governo do presidente Jair Bolsonaro. Ela nega que sairá. Mas, nos bastidores , auxiliares de Bolsonaro dizem que não ficará no governo.

Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, denuncia que está sendo ameaçada pelo crime organizado | Foto Divulgação

A reportagem “Preparando a saída”, de Laryssa Borges, da revista “Veja”, esclarece os principais motivos do afastamento. Damares “alega que está cansada e precisa cuidar da saúde [tem hipotireoidismo, asma e enxaqueca crônica], que anda debilitada”.

Mas tudo indica que o principal problema é que Damares Alves tem sido ameaçada de morte. Ela deixou sua residência e mora num hotel cujo endereço não é divulgado. A ameaça é real e está sob investigação da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Damares não costuma antecipar a agenda, circula pela cidade escoltada e um segurança fica postado na entrada de sua sala durante todo o expediente”, registra a revista. A Sociedade Secreta Silvestre estaria por trás das ameaças à ministra. A PF e a Abin “detectaram as ameaças. Na véspera da posse, uma bomba caseira foi deixada próximo a um uma igreja distante cerca de 50 quilômetros do centro de Brasília. O artefato não explodiu por uma falha do equipamento, mas tinha, segundo os peritos, considerável poder de destruição. (…) As mensagens postadas [no site da Sociedade Secreta Silvestre] falam na morte da ministra ‘na frente da igreja para impressionar seu povo’, além de conterem estímulos para machucá-la e envenená-la”.

“Damares informou que deixará o ministério apenas quando tiver concluído a revisão dos principais programas da Pasta, o que inclui um pente-fino que já detectou inúmeras fraudes e o treinamento da equipe que vai tocar o trabalho sem ela”, conta a “Veja”. A ministra avisou Bolsonaro que “não tem condições físicas e emocionais de continuar para suportar por muito mais tempo as demandas que o cargo impõe”. O presidente disse que gostaria de tê-la no governo por quatro anos.

Ministra se diz perseguida pelo crime organizado

Entrevistada pela “Veja”, Damares Alves assinala que o crime organizado a persegue. “No dia em que tomei posse, mandei o recado de que abusadores, exploradores e pedófilos seriam exemplarmente punidos. Há verdadeiras máfias por trás disso. A imagem de uma criança abusada custa 1000 reais, 2000 reais. Se for a de um bebê, chega a 50.000. É um comércio absurdo. O crime organizado e a pedofilia, portanto, não me querem. Vou provar que existe tráfico de órgãos no Brasil. Também milito contra os jogos de azar e a legalização das drogas, todos temas de interesse do crime organizado. São esses grupos que não me querem aqui”, denuncia a ministra.

A repórter da revista pergunta se o crime organizado é o motivo de a ministra manter “um segurança na porta de seu gabinete”. Damares Alves assinala: “Estou dentro de um hotel desde o dia da minha posse. No fim de dezembro, por recomendação da Abin, fui tirada de minha casa. Havia uma ameaça de que eu e o presidente seríamos explodidos por uma bomba. Quando os órgãos de segurança descobriram que o risco era real, levaram-me para o hotel. Existem ameaças também pelas redes sociais — posts de ‘como matar Damares na frente da igreja para impressionar seu povo’, ‘como fazer picadinho dela’, ‘como envenená-la’. O trabalho que estamos fazendo vai continuar”.

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