Mendanha trabalha pra esvaziar Vilmarzinho Mariano e pode bancar Max Menezes em 2024

Para evitar auditorias nas contas da prefeitura, Mendanha pretende manter um aliado na presidência da Câmara

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido — o que prova sua dificuldade de relacionamento), está ficando conhecido como um político que desagrega. Primeiro, afastou-se de Daniel Vilela, presidente do MDB, que o bancou na sua primeira disputa para prefeito de Aparecida de Goiânia, em 2016 — quando ele era conhecido como o “Gordo” da Câmara Municipal.

Vilmar Mariano, vice-prefeito de Aparecida de Goiânia | Foto: Reprodução

Agora, Mendanha está encrencando com o vice-prefeito de Aparecida, Vilmarzinho Mariano, um político hábil e agregador. Na verdade, a crise é anterior.

No início de 2021, quando estava “remontando” sua equipe — a Prefeitura de Aparecida é uma das que mais tem secretários em Goiás (há quem a chame de Arca de Noé) —, Mendanha não queria abrir espaço para os aliados de Vilmarzinho no primeiro escalão. O prefeito não dizia pessoalmente os motivos de manter o vice distante das principais nomeações. Mas não barrava auxiliares que sugeriam que era “fisiológico” e “encrenqueiro”.

Em seguida, Mendanha nomeou Veter Martins para a Secretaria de Planejamento como se fosse da cota de Vilmarzinho. De fato, os dois são ligados. Mas, por sua história em Aparecida, Veter nem precisava da indicação do vice.

A rigor, Vilmarzinho não tem um aliado importante na equipe de Mendanha. “O prefeito e Tatá Teixeira fizeram o impossível para barrar as indicações do vice”, admite um vereador, que pediu “off”, para “não” ser perseguido pela equipe do prefeito.

Agora, Mendanha operou para tentar antecipar a eleição para presidente da Câmara Municipal. O prefeito quer manter André Fortaleza como presidente do Legislativo entre 2023 e 2024.

O motivo é que, se sair para disputar o governo de Goiás, em abril de 2022, Vilmarzinho assumirá a prefeitura e, de alguma maneira, Mendanha quer controlá-lo via Câmara Municipal. A tese dos mendanhistas é a seguinte: “Se Vilmarzinho assumir a prefeitura e criar problemas, como a adoção de auditorias para investigar as contas de Mendanha, André Fortaleza, orientado pelo atual prefeito, trabalharia pelo seu impeachment”. O que será que Mendanha tanto teme?

Gustavo Mendanha e Max Menezes: jogando para 2024 | Foto: Folha Z

Diplomático, e já pensando na governabilidade, Vilmarzinho prefere que a disputa pela presidência se dê quando ele estiver no comando da prefeitura. O que ele está pedindo é justo. Porque será ele quem terá de conviver com o presidente da Câmara, e não Mendanha. Um presidente hostil poderá atrapalhar a execução de seus projetos.

A turma de Mendanha pode até dizer que confia em Vilmarzinho — vereador por vários mandatos —, mas, na verdade, não confia. Há quem acredite que o vice vai ficar quieto, por estratégia, mas, se tomar posse, em 2 abril de 2022, no dia seguinte se posicionará ao lado de Daniel Vilela. Por sinal, ele pertence ao MDB e não fala em se desfiliar. Por isso Mendanha quer manter na presidência da Câmara um aliado. O objetivo é fustigar a gestão de Vilmarzinho, para evitar que obtenha sucesso administrativo.

Comenta-se em Aparecida que Mendanha deve bancar Max Menezes para prefeito na disputa de 2024. Tatá Teixeira — “que não aprecia Vilmarzinho”, sublinha um vereador — e o secretário da Fazenda, André do “Caixa” Rosa, também são cotados. Mendanha poderá dizer que apoiará a reeleição de Vilmarzinho, em 2024, mas é papo para inglês ouvir. Convém não subestimar a inteligência do vice-prefeito.

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