Mendanha pode desistir da disputa do governo pra manter o comando da Prefeitura de Aparecida?

Aliados comentam que o prefeito não confia no vice, Vilmarzinho Mariano, e por isso teme deixar o comando da gestão municipal

Gustavo Mendanha e Magda Mofatto : circulando pelo interior| Foto: Divulgação

Há uma conversa de bastidores de que o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (quase-PL, quase-PSDB, quase-Patriota), vai esperar até a undécima hora para decidir se vai disputar mandato de governador. No dia 4 de abril de 2022, daqui a cinco meses e 17 dias, se quiser disputar mandato eletivo, o ex-emedebista terá de desincompatibilizar-se.

Na marca do pênalti, se perceber que não tem chance de vencer o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do Democratas, Mendanha poderá renunciar à disputa? A bem da verdade, ele nunca disse isto. Mas, entre aliados, dos mais fiéis, persiste a dúvida.

Mendanha, na opinião de aliados, já esteve mais “animado”. No momento, ele está preocupado e teria dito a um secretário que não confia na dupla Vilmarzinho Mariano, vice-prefeito, e Veter Martins, secretário de Planejamento (indicado pelo vice). No início do governo, frisa um auxiliar de Mendanha, Vilmarzinho pressionou para indicar três secretários (tinha interesse em postos chaves). Não tendo conseguido as indicações, o vice teria ficado “estremecido” com o prefeito. Este teria dito, segundo um vereador, que às pessoas sugeridas por Vilmarzinho “faltava qualificação”.

Vilmarzinho Mariano, vice-prefeito de Aparecida de Goiânia: sua caneta começa a ficar cheia de tinta | Foto: Reprodução

Entretanto, quando começou a pensar em disputar o governo do Estado, seguindo orientação do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), Mendanha recuou e começou a tratar “melhor” Vilmarzinho e seus aliados. Houve uma recomposição e hoje aliados do prefeito sustentam que as relações foram “normalizadas”. O vice pode até dizer que tudo voltou ao “normal” — espécie de “novo normal” —, mas certamente ficaram arestas. É aquela história: quem bate esquece, mas quem apanha jamais esquece.

A antecipação da eleição na Câmara, articulada pelo presidente do Legislativo, André Fortaleza, tem a ver com a desconfiança do prefeito em relação ao seu vice. Mantendo um presidente do Legislativo de seu grupo, ao deixar a prefeitura, acredita que poderá controlar o prefeito — ameaçando-o com impeachment ou comissões especiais de inquérito. Há quem postule que o vereador Aldivo Araújo — ligado a Vilmarzinho — poderá ser o próximo presidente. Aposta de Mendanha é André Fortaleza. Os vereadores sabem que a tinta da caneta de Mendanha está acabando e que a caneta de Vilmarzinho, daqui a pouco, estará cheia de tinta. O prefeito teria ficado “chateado” com a divisão da Câmara, mas, como bom entendedor das coisas da política, certamente percebeu que seu poder, ao anunciar que deixará a prefeitura daqui a cinco meses, está se esvaindo. De alguma maneira, Vilmarzinho já está “prefeitando”. Outra questão é que, como quase não para mais na prefeitura — exceto para fazer fotografias ilustrativas e gravar vídeos, que são postados nas redes sociais pela assessoria —, daí o apelido de “Missing”, Mendanha está perdendo força em Aparecida.

Portanto, se está articulando até a reeleição do presidente da Câmara, é sinal de que Mendanha vai disputar a eleição para governador? Tudo indica que sim. Mas fica o registro de que até alguns de seus aliados preferem que ele fique na Prefeitura de Aparecida e dispute eleição estadual apenas em 2026. Por isso acreditam — ou torcem — que não disputará o governo em 2022.

Frise-se que, se assumir no dia 4 de abril de 2022, Vilmarzinho Mariano governará Aparecida de Goiânia por dois anos e nove meses. Em 2024, ele certamente disputará a reeleição. Mendanha poderá até dizer que vai apoiá-lo, mas, segundo aliados, seu candidato será Max Menezes, secretário de sua gestão.

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