A Unimed representa uma vitória dos médicos goianos, da competência deles. Souberam agregar, por intermédio de uma cooperativa, alguns dos melhores profissionais do Estado. Por isso se mantém há tantos anos, sem quebrar.

Neste sentido, o de agregar médicos de alta qualidade, a Unimed é vitoriosa. Trata-se de um acerto.

Mas há, entre médicos gabaritados, o consenso de que a Unimed cresceu demais, e nem sempre de maneira sustentada. A estrutura gigante, dizem eles, não significou, por outro lado, que os profissionais passaram a ser remunerados de maneira digna. Grande parte dos recursos obtidos está sendo usada para bancar a estrutura cada vez mais dispendiosa, e não necessariamente para melhorar os serviços aos usuários e atender os médicos com mais dignidade. A Unimed estaria contribuindo, ainda mais, para a proletarização da categoria médica.

Médicos admitem que o diretor-presidente da Unimed, Sergio Baiocchi Carneiro, é bem-intencionado, mas seria extremamente “turrão” e teria pouco apreço pela opinião dos profissionais de saúde. Depois de sua eleição, estaria se distanciando da categoria, encastelando-se numa espécie de torre de marfim. “Sergio Baiocchi se tornou arrogante e briga com as pessoas por qualquer motivo. Ele se tornou o ‘dono’ da verdade”, revela um médico experimentado, que, por sinal, o apoiou na última eleição. “A próxima eleição será apenas em 2024, portanto está bem longe, mas a oposição deveria se reunir para pressionar os atuais gestores”, sublinha. “Sergio Baiocchi, talvez por ser bolsonarista, se tornou uma espécie de ditador.”

Vários médicos postulam que novos planos de saúde, de espectro nacional, podem contribuir para um possível esgotamento do modelo da Unimed-Goiás, com sua estrutura física dispendiosa. “Se não se reinventar, se não adotar novos critérios, a Unimed vai perder médicos qualificados de várias áreas”, frisa um neurologista. “Com os valores atuais que pagam por uma consulta, muitos profissionais deixarão de atender usuários-pacientes da Unimed”, afirma.

Se há insatisfação por parte dos médicos, que preferem falar sem que seus nomes sejam mencionados — receiam ser “perseguidos” pelo grupo de Sergio Baiocchi —, não faltam reclamações por parte dos usuários.

A principal reclamação é que está cada vez mais difícil marcar consultas com vários médicos credenciados pela Unimed. Há consultas que precisam ser marcadas com três ou até seis meses de antecedência, e, ainda assim, algumas delas podem “cair”.

Recentemente, dois usuários da Unimed, mesmo com indicação de uma médica pneumologista, demoraram quase uma semana para obter autorização para fazer o exame para verificar se estavam contaminados pelo coronavírus. Numa unidade da Unimed, na Avenida T-9, um dos usuários ouviu de um funcionário: “A Unimed retarda os exames para reduzir seus próprios custos e, certamente, para ver se o paciente desiste e procura uma unidade pública de saúde”. O mesmo funcionário acrescentou que, para os demais exames, não há tanta demora para autorizar. “É quase automática”, assinala.

As unidades públicas, em termos de exames que tenham a ver com Covid, realmente estão atendendo com mais rapidez.