Marconi Perillo diz que é o responsável pela ascensão política de Gustavo Mendanha

O prefeito de Aparecida recebeu uma votação expressiva. Mas a imprensa esquece de lembrar que 111.258 disseram “não” ao emedebista

Numa entrevista à Rádio Jornal Metropolitano, de Valparaíso de Goiás, o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB, disse que é o principal responsável pela ascensão política do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, do MDB.

Em MDB, o então prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, pretendia, de fato, bancar o economista Euler Morais — um economista com doutorado pela Universidade de Lancaster, na Inglaterra — para prefeito. Porém, convencido pelo filho Daniel Vilela, passou a apoiar Mendanha e, na campanha, o “carregou” nas costas. A versão de Perillo é outra.

Perillo disse que convocou Mendanha ao Palácio das Esmeraldas — com vinho e ambrosia — e o convidou para ser candidato a prefeito de Aparecida pelo PSDB. Depois da conversa, Mendanha voltou ao gabinete de Maguito Vilela e disse: “Chefe, fui convidado a disputar a prefeitura pelo PSDB”. Aí, na versão de Perillo, Maguito teria dito: “Você será o nosso candidato”. A versão foi submetida a três emedebistas. Todos admitiram que Mendanha foi ao Palácio das Esmeraldas, mas acrescentam que ele não se tornou candidato por causa do convite do então governador. “É um conto da carochinha”, afirmou um ex-deputado.

Gustavo Mendanha e Marconi Perillo | Foto: Reprodução

Empolgado ao falar do “aliado” Mendanha, Perillo disse que o prefeito foi reeleito com 98% dos votos válidos. Errou na matemática: na verdade, recebeu um pouco menos: 95,81%. Mas há uma questão que nem Perillo nem Mendanha querem lembrar.

Vamos lá explicitar o que ninguém, na impressa, explicita. Mendanha obteve 197.491 votos. Não há dúvida, uma excelente votação. Mas há detalhes que precisam ser dimensionados.

O que não se diz, nas reportagens encomiásticas, é que 111.258 eleitores não votaram em Mendanha. Vamos apresentar os números para os leitores entenderem, de maneira abrangente, o que se está dizendo.

Na eleição de 2020, 79.799 eleitores decidiram não votar, 8.066 eleitores votaram em branco e 14.862 anularam o voto. O somatório é: 102.628 votos (o equivalente a 35% do eleitorado). Mas há mais dados. A candidata Márcia Caldas obteve 6.235 votos (3,02%) e o candidato Bruno Felipe conquistou 2.395 votos (1,16%). Conclusão: 111.258 eleitores (cerca de 40%) não votaram em Mendanha — o que é um número bem significativo.

Os dados, que ficam “escondidos” nas projeções ufanistas, indicam que, sim, havia uma oposição silenciosa a Mendanha. O que faltou mesmo foi um candidato que pudesse expressar a insatisfação com o prefeito. A rigor, considerando todos os eleitores, pode-se falar que o emedebista obteve uma excelente votação — que não deve ser desmerecida. Mas muitos eleitores não o escolheram, o que o percentual de 95,81%, que só considera os votos válidos, “esconde”.

Marconi comete um outro equívoco, o que talvez decorra de não morar mais em Goiás — ele reside em São Paulo. O ex-governador afirma que Aparecida de Goiânia tem 650 mil habitantes. O IBGE informa a qualquer pessoa que o número de habitantes é outro: 590.146. Ou seja, o tucano “criou” mais 60 mil habitantes para o município. Mendanha deve pedir, com urgência, o aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de Aparecida.

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