Marconi Perillo deve fechar aliança com o PT de Wolmir Amado

O tucano quer usar a onda Lula para tentar se eleger senador. Na verdade, o tucanato não acredita que o PT tenha condições de eleger governador em Goiás

O ex-governador Marconi Perillo continua morando em São Paulo, mas começa a circular por Goiás. Na segunda-feira, 24, estará em Anápolis, onde, segundo aliados, levará recursos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) — na qual trabalha como lobista (na base política da empresa) — para o hospital Santa Casa de Misericórdia e vai conversar com líderes políticos locais (o PSDB é quase um fantasma no município), e não apenas do PSDB.

Lula da Silva, do PT, e Marconi Perillo, do PSDB: o ex-presidente e o ex-governador “esqueceram” o Mensalão e a Operação Monte Carlo? | Reprodução

A partir de um encontro com Lula da Silva em São Paulo, Perillo abriu conversações com o PT em Goiás. Oficialmente, para os salamaleques habituais — como recebê-lo no Estado —, o tucano dirá, de público, que apoiará João Doria, do PSDB, para presidente da República. Na prática, longe dos holofotes, colocará toda a sua estrutura a serviço da campanha do petista-chefe. Fala-se, até, entre os tucanos, do movimento Malu (ou Luma) — quer dizer, Marconi e Lula.

As bases de Perillo cobram que disputem mandato de governador. Porém, como é uma águia política e aprecia examinar pesquisas, tem percebido que suas chances, para governador, são mínimas, dado o imenso desgaste em decorrência de sua prisão pela Polícia Federal (dormiu numa cela da PF em Goiânia) e das denúncias de corrupção.

Wolmir Amado: pré-candidato do PT a governador | Foto: Marcos Aurélio/Jornal Opção

Então, enquanto as bases o querem para governador, e ele próprio sugere que pode disputar, o fato é que quer, segundo fontes tucanas, disputar mandato de senador. Por três motivos. Primeiro, se eleito, poderá disputar o governo em 2026, sem correr o risco de ficar sem mandato. Segundo, avalia que os demais pré-candidatos a senador são passíveis de serem derrotados. Terceiro, admite que não seria fácil enfrentar Ronaldo Caiado, um governador bem avaliado.

A composição com o PT tem pouco a ver com o PT de Goiás, que tucanos consideram que não tem chance de eleger o governador, apesar de avaliarem que o ex-reitor da PUC Wolmir Amado é um político de qualidade. Na verdade, Perillo, afirmam aliados, avalia que pode aproveitar a onda Lula da Silva para se cacifar para o Senado. Então, na prática, não seria ele que estaria apoiando Lula da Silva — que, a rigor, não precisa de seu apoio —, mas o poderoso chefão do PT é quem estaria apoiando seu pleito. Há também a questão de que o PT goiano não está, a rigor, preocupado em eleger governador, e sim em forjar um palanque relativamente consistente para o candidato a presidente do PT em Goiás. No Estado, segundo as pesquisas de intenção de voto, o presidente Jair Bolsonaro é muito forte. Há pesquisas que o mostram em primeiro lugar.

Hoje, a chapa dos sonhos de Perillo, de acordo com um ex-secretário de seu último governo, é Wolmir Amado para governador, Jânio Darrot (Patriota) na vice e ele, Perillo, para senador. O problema é que, segundo o comando do Patriota, Darrot estaria mais próximo de Gustavo Mendanha (sem partido) do que do ex-governador. Por isso, alguns tucanos postulam que a chapa adequada deveria ter Wolmir Amado (ou o ex-reitor da UFG Edward Madureira) para governador, Valmir Pedro (prefeito de Uruaçu, do PSDB) ou Kátia Maria (PT) para vice e Perillo para senador.

Já os deputados estaduais Lêda Borges e Helio de Sousa, ambos do PSDB, gostariam que Perillo disputasse mandato de deputado federal. Acredita-se que, sem Perillo no páreo para deputado federal, o tucanato não elegerá nenhum deputado federal em 2 de outubro deste ano. Consta que Valéria Perillo, mulher de Perillo, bateu o martelo: o marido deve disputar mandato de senador, e não de governador ou de deputado federal.

2 respostas para “Marconi Perillo deve fechar aliança com o PT de Wolmir Amado”

  1. Avatar Walter Cardoso Sobrinho disse:

    Artigo totalmente especulativo.

  2. Avatar Denis Robson disse:

    Marconi e Lula já eram

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