O líder do governo Bolsonaro afirma que é uma falácia dizer que Onyx Lorenzoni faz e ele desfaz na Câmara dos Deputados

O líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo, do PSL de Goiás, disse ao Jornal Opção que reformas são mesmo difíceis de serem aprovadas. “A da Previdência, então, é muito complexa, especialmente por que envolve todos os brasileiros, quer dizer, 209 milhões de pessoas. Trata-se de uma mudança profunda e, por isso, é mesmo difícil uma aprovação rápida. O governo quer e vai fazê-la. Adiar um pouco, como aconteceu há agora, não significa que não será feita. Porque ela precisa ser feita — para o bem do Brasil e de todos os brasileiros. Um recuo tático não é o mesmo que um recuo estratégico.”

Major Vitor Hugo, líder do governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Vitor Hugo frisa que tem conversado com o pessoal do governo — “o Planalto”. “Nós mapeamos todos os votos. Há políticos, inclusive líderes, insatisfeitos com o governo? Há, mas é sempre assim. Mas percebe-se que todos sabem, por uma questão de responsabilidade, que a Reforma da Previdência precisa ser feita.”

Inquirido sobre a história de que “Onyx Lorenzoni [o ministro-chefe da Casa Civil] faz e Vitor Hugo desfaz”, o líder do governo afirma que se trata tão-somente de uma frase de efeito — “uma falácia, não existe nada disso. Nosso trabalho é coordenado, pois o objetivo é um só: aprovar a Reforma da Previdência, e o mais cedo possível. E nós dois somos favoráveis à reforma, ao governo de Jair Bolsonaro”.  Há quem, no Congresso, postule que Onyx Lorenzoni, embora tenha sido deputado federal por vários anos, perdeu conexão com a Câmara e seus líderes. Um parlamentar governista frisa: “Onyx Lorenzoni reaproximou-se do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), mas antes era seu desafeto. A ideia cristalizada que se tem é que Onyx não participa da cena diretamente, porque não está no Congresso, onde as decisões são tomadas e decididas”. Vitor Hugo prefere não discutir a questão: “Nós precisamos de união para aprovar a reforma. Então, meu objetivo é jogar com todos, sem excluir ninguém. Neste momento, trabalhar pela harmonia e pela conciliação entre os vários grupos é crucial”.

O líder do governo frisa que “não” desfez nada. “Nós estamos dialogando e tentando encontrar um denominador comum para aprovar a Reforma da Previdência.” Outro parlamentar, que prefere não se identificar, pontua que “se o centrão ficar com o governo, este ganha. Mas, se ficar contra, o governo perde”. Com sua voz calma e ponderada, o Major Vitor Hugo sugere outra interpretação: “Nós temos condições de ganhar. Porque nós, no caso, somos todos nós, o Brasil. Fazer uma Reforma da Previdência ampla e verdadeira, sem enganação, será crucial inclusive para ampliar o crescimento e o desenvolvimento do Brasil”.

O repórter pergunta: “O governo federal está mesmo ajudando o governo de Goiás, dirigido por Ronaldo Caiado? A ajuda é concreta, está chegando dinheiro novo, que não seja o pactuado constitucionalmente?” O líder do governo afirma que, “sim, o governo de Jair Bolsonaro já está apresentando uma ajuda concreta ao governador Ronaldo Caiado. Estive com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e com Ronaldo Caiado, em Goiás. O governador goiano está fazendo um grande esforço para articular com o presidente Jair Bolsonaro, de quem é próximo. E o DEM, partido do gestor estadual, indicou três ministros para o governo”.

Major Araújo, Prefeitura de Goiânia e Delegado Waldir

Quanto à disputa para a Prefeitura de Goiânia, o PSL vai bancar o deputado Major Araújo (que está saindo do PRP, que, incorporado pelo Patriota, está deixando de existir)? “É possível que Major Araújo seja o candidato do partido, mas é um assunto para mais tarde, pois a eleição será realizada daqui a um ano e cinco meses, em outubro de 2020. Acrescento que a articulação passa mais pelas mãos do presidente do PSL em Goiás, Delegado Waldir Soares. De fato, quero participar do fortalecimento do PSL em Goiás.”

O repórter insiste sobre uma questão delicada: procede que a relação do sr. com o Delegado Waldir Soares não é nada boa? “Não quero ficar contestando o Delegado Waldir, porque é o presidente do PSL, o nosso partido, e é o líder do partido na Câmara dos Deputados. Mas admito que só reajo às suas manifestações quando sou provocado. Nós dois, porque pertencemos à base do presidente Jair Bolsonaro, devemos atuar inclusive de maneira coordenada.”