Se o ex-governador optar por apoiar Iris “Caixão e Vela Preta” Rezende, os eleitores tendem a escolher entre Francisco Júnior e Elias Vaz

No momento, os dois nomes mais fortes da oposição para a disputa da Prefeitura de Goiânia são os deputados federais Francisco Junior, do PSD, e Elias Vaz, do PSB.

Francisco Júnior pode obter o apoio de uma frente política ampla, com a inclusão do senador Vanderlan Cardoso e do ex-ministro Alexandre Baldy, ambos do PP. Se não lançar Lincoln Tejota para prefeito na capital, a tendência do Progressistas é apoiar Francisco Júnior, que é amigo de Vanderlan Cardoso e com o qual dialoga permanentemente.

Elias Vaz tem toda uma história em Goiânia, feita de muito arrojo como vereador, sempre crítico e posicionado. Agora, como conta com o apoio do senador Jorge Kajuru, passa a figurar na lista dos favoritos, mas ainda não aparece bem posicionado nas pesquisas. Sobretudo porque a maioria dos eleitores não sabe que é o nome bancada por Kajuru. Este, embora não queira, aparece, em pelo menos três pesquisas feitas recentemente, em primeiro lugar — disparado. A síntese da pesquisa é a seguinte: “É Kajuru e os outros”. O que mais se aproxima dele é o Delegado Waldir Soares, do PSL.

Wilder Morais, se candidato pelo Pros, dificilmente terá condições de criticar duramente o prefeito Iris Rezende — que será a Geni de todos na campanha eleitoral de 2020. Por dois motivos. Primeiro, o Pros participa de sua gestão. Segundo, por ser aliado do governador Ronaldo Caiado, que é aliado de Iris Rezende, possivelmente não terá condições de fazer críticas mais rigorosas à gestão do emedebista.

O deputado estadual Major Araújo (que deve ir para o Patriota) tem discurso e é posicionado. Contará com o apoio do deputado federal Delegado Waldir Soares, do PSL. Não é fraco, mas precisa construir a imagem de que pode se tornar, para além de um tribuno eficiente, um gestor de qualidade.

O mais surpreendente não é o que estão dizendo as pesquisas de intenção de votos — que mostram que, no momento, só quatro candidatos estão no páreo, Kajuru, Delegado Waldir, Vanderlan Cardoso e Maguito Vilela. O surpreende que é que o eleitor goianiense afirma que a cidade está “abandonada” e “encardida” e que, para recuperá-la, é preciso de um gestor tanto eficiente quanto responsável. Qual seria tal gestor?

Uma pesquisa qualitativa sugere que Vanderlan Cardoso e Maguito Vilela são vistos como os dois políticos e gestores que são capazes de recuperar Goiânia e recolocá-la no eixo do desenvolvimento e da modernização. A pesquisa indica que o motivo básico é que os dois têm experiência com gestão em Senador Canedo (Vanderlan Cardoso) e Aparecida de Goiânia (Maguito Vilela).

Os entrevistados disseram que Vanderlan Cardoso e Maguito Vilela administraram bem as duas cidades. Por isso merecem uma chance em Goiânia.

Como Vanderlan Cardoso não pretende ser candidato em Goiânia, sobra para Maguito Vilela a imagem de gestor mais capacitado para recuperar a capital de Goiás. Por isso, se for candidato, Maguito Vilela poderá agrupar uma grande frente política — incluindo do MDB a PP, PSD, entre outros partidos, talvez até o PSDB. A pesquisa qualitativa sugere também que, dos nomes do MDB, incluindo o prefeito Iris Rezende, nenhum tem chance em Goiânia — exceto Maguito Vilela.

A questão é que Iris Rezende não quer apoiar Maguito Vilela e este já avisou que não confrontará o líder histórico do MDB. Prefere apoiá-lo. Mas o MDB, se a pesquisas estiverem corretas, não ganha com Iris Rezende — só ganha, se ganhar, com Maguito Vilela. As oposições, no fundo, querem apoiar Maguito Vilela para criar uma cabeça de ponte para o enfrentamento com o governador Ronaldo Caiado (DEM) em 2022.

Se Maguito Vilela disser “P…”, Vanderlan Cardoso e Alexandre Baldy gritam de imediato: “PP, você será o candidato do PP a prefeito de Goiânia”. O problema é que o ex-governador de Goiás, ex-senador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia não parece disposto a acrescentar o outro “…P”, para formar “PP”, ou só “P” — de Progressistas. Prefere caminhar com Iris Rezende — o que sinaliza com caixão e vela preta para o MDB em 2020.

Iris Rezende está seguro de que, se trabalhar bem entre 2019 e 2020, com obras de grande visibilidade, como viadutos e trincheiras e pavimentação de ruas, pode ludibriar os eleitores. O que o alcaide não percebe é que, se ele não mudou, os eleitores mudaram e estão cada vez mais atentos e críticos. Em 2020, Iris Rezende poderá sofrer a derrota mais acachapante de sua história, por não saber ouvir e entender as novas mentalidades. Ninguém tenta enganar mais os eleitores impunemente. Os eleitores se tornam espécies de vingadores-justiceiros. Quem viver, se quiser, verá.