Lula preso pode “minguar” o PT goiano

Sigla deverá repetir o isolamento da campanha de 2014

Professora Kátia Maria, pré-candidata do PT ao governo, e Lula: PT goiano precisa dele como candidato à Presidência para não diminuir

Enquanto o PT insiste na candidatura do ex-presidente Lula da Silva, a Polícia Federal tem laudo que aponta que a Odebrecht movimentou R$ 700 mil de propinas que podem ter pago obras no sítio que “não” é do petista em Atibaia. O numerário teria saído de uma conta única da empreiteira usada para esse tipo de repasse, abastecida com dinheiro até da Petrobrás. Lula visitou esse sítio mais de 100 vezes e um ordenança dele comprou pedalinhos para os netos do petista brincarem num lago na propriedade. Mas o sítio “não” é de Lula.

O fato é que se vier uma nova condenação do petista, ficam ainda mais distantes as possibilidades de registro da candidatura do ex-metalúrgico, que já é ficha suja e, portanto, está inelegível, a não ser que um grande golpe jurídico seja armado.

Sem Lula candidato, o prejuízo também será para os candidatos petistas nos Estados. Em Goiás, o registro da pré-candidatura da professora Kátia Maria ao governo estava agendado para sexta-feira, 17, com homologação da postulação no sábado, 18. Se o PT goiano já tem candidata ao governo, dificilmente conseguirá atrair partidos para formar uma aliança que lhe dê o mínimo de chances. Com isso, a sigla deverá repetir o isolamento da campanha de 2014, quando lançou candidatura do ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide, sem coligação. O resultado foi que Gomide, que vinha de uma gestão aprovadíssima no terceiro maior colégio eleitoral do Estado, obteve uma votação pífia para governador. Esse é o risco que corre Kátia Maria. Esse risco, aliás, é real e os próprios petistas sabem que sua candidata vai disputar apenas para constar.

Kátia já deixou escapar que o objetivo principal do PT em Goiás é formar palanque para Lula. De cara isso significa que, se Lula não puder ser candidato, o objetivo do partido fica esvaziado. A insistência do partido se dá então como estratégia para não perder terreno. Em Goiás, o PT tem sua história marcada por lançar candidatos que, às vezes, surpreendem e têm boa votação. Aconteceu mais de uma vez, mas em circunstâncias bem diferentres, quando o nome maior do partido não estava preso, nem a a sigla tendo na testa a palavra corrupção carimbada.

Nesse cenário, um dos maiores problemas é o partido continuar sua descendente no legislativo. Sem chapa forte, sem a marca Lula no contexto nacional, o PT goiano corre o risco de minguar sua presença na Assembleia Legislativa, onde perdeu dois deputados na atual legislatura: Humberto Aidar, para o MDB, e Karlos Cabral, para o PDT.

Também a chapa para a Câmara Federal é problemática. A ponto de Rubens Otoni, o único deputado federal do petismo goiano atualmente, correr o risco de ficar fora. Outra condenação de Lula da Silva só viria agravar todo esse quadro desfavorável para o PT.

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