O número um de Lula é o banqueiro Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco. O goiano Meirelles é o número dois

O ex-presidente Lula da Silva será peça decisiva na montagem do novo ministério da presidente Dilma Rousseff, reeleita no domingo, 26. Antes mesmo que a petista-chefe discutisse nomes de ministros, Lula começou a apontar os seus preferidos para o Ministério da Fazenda — considerado o mais importante do governo. Lula apresentou três nomes — um deles sendo considerado o favorito. O número um é Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. “Trabuco é uma pessoa firme, culta e um excelente administrador, na definição de quem o conhece”, afirma o “Valor Econômico” na edição de terça-feira, 28. Resta saber se vai deixar um dos maiores bancos da América Latina, no qual tem ganhos de executivo norte-americano, para receber, mensalmente, menos de 30 mil reais. Costuma-se dizer que, depois que se passa pelo Ministério da Fazenda de uma País que representa a 7ª maior economia global, os executivos se cacifem ainda mais no mercado financeiro.

Trabuco — cujo nome será um maná para os humoristas — é, de fato, o mais cotado. Se aceitar, não tem para ninguém. Porém, como sabe que um presidente sempre cobra a indicação de três nomes, Lula apresentou também os nomes de Henrique Meirelles e Nelson Barbosa. As indicações serão de Lula, mas o nome sai da caneta de presidente Dilma Rousseff. A presidente costuma acatar as indicações do seu principal conselheiro, mas é ela quem decide. Quando Lula quis manter Henrique Meirelles no Banco Central, em 2011, Dilma Rousseff não aceitou.

Henrique Meirelles, goiano de Anápolis, foi presidente do BankBoston e do Banco Central do Brasil. É apontado como um dos mais completos executivos do país, até do mundo, e é respeitado pelo mercado financeiro internacional (no momento, preside a J&F Participações, grupo da família de José Mineiro, Júnior Friboi, Joesley Batista e Wesley Batista). A campanha de Dilma Rousseff criticou Marina Silva por sua suposta ligação com o grupo Itaú-Unibanco. Na verdade, era com uma sócia minoritária, Neca Setúbal. Mas o PT nunca descolou-se de seus banqueiros, como Henrique Meirelles. O objetivo, ao indicá-los para cargos estratégicos do governo, é apresentar um recado preciso ao setor financeiro internacional e às potências globais: o Brasil não vai romper as regras do jogo do capitalismo. Regras, sabem os políticos e empresários e banqueiros, que são definidas, em geral, no setor financeiro.

Quando Guido Mantega quase foi demitido, o primeiro nome a ser apresentado por Lula a Dilma Rousseff para substitui-lo foi o de Henrique Meirelles, hoje, mais do que aliado, amigo do ex-presidente. Lula se aconselha em termos econômico-financeiros com Henrique Meirelles e este se aconselha, em termos políticos, com aquele.

Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, também aparece na lista de Lula. É visto como um executivo competente e com visão global do Estado.

O “Valor”, mais importante jornal de economia do País, publicou que “a reação do mercado à reeleição de Dilma foi negativa, mas nem de longe provocou fuga de investidores”. O mercado não aposta em falta de estabilidade da economia devido à reeleição da petista. O que o mercado sugere é que o País precisa crescer e, para tanto, é preciso mudar a política econômica ou, quem sabe, criar uma.