Lula da Silva sustenta que Deltan “montou quadrilha” e que Moro é “canalha”

“Eu estou até desafiando eles para um debate, o Moro e o Dallagnol, quero que eles provem um delito que eu cometi”, diz o ex-presidente

Pronto: uma live com Lula da Silva e o teólogo Leonardo Boff só pode resultar numa coisa: na descoberta de um novo santo. O ex-frei? Não. O político.

Na quarta-feira, 1º, em live com o teólogo Leonardo Boff, o ex-presidente Lula da Silva, do PT, desopilou o fígado contra duas pessoas que considera, não como adversárias, e sim como inimigas: o ex-magistrado Sergio Fernando Moro e o procurador federal Deltan Dallagnol.

Sergio Moro e Lula da Silva: o primeiro pode ser o adversário do PT do segundo em 2022 | Fotos: Reproduções

Lula da Silva radicalizou: “Aos 74 anos, eu pensei que ia parar de brigar (…). Mas eu quero provar que o Moro é um canalha, eu quero provar que o Dallagnol é um cara que montou uma quadrilha na força-tarefa, eu quero provar. Eu estou até desafiando eles para um debate, o Moro e o Dallagnol, quero que eles provem um delito que eu cometi”. Nem Santo Agostinho, de fato um santo, teria tanta ousadia?

Com base nas informações colhidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, depois de ouvir todas as partes, Sergio Moro, quando juiz federal em Curitiba, condenou Lula da Silva, em julho de 2017, a nove anos e seis meses de prisão. No processo do tríplex do Guarujá, o ex-presidente foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O MPF postulou que o apartamento fora “oferecido” (com reforma) a Lula da Silva por uma empreiteira-construtora, que havia sido beneficiada com contratos na Petrobrás. Há inclusive fotografias do petista no apartamento.

Deltan Dallagnol e Sergio Moro: por certo, vão mover mais um processo judicial contra Lula da Silva | Foto: Divulgação

Em seguida a pena de Lula da Silva foi elevada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para 12 anos e um mês de prisão (curiosamente, o petista não ataca nenhum dos desembargadores, que estão na ativa, ao contrário de Sergio Moro, que deixou o Judiciário. Ele também não ataca a Polícia Federal). Mas o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena para oito anos e quatro meses. Preso em 7 de abril de 2018, o ex-presidente ficou 580 dias na cadeia.

O ministro do STF Gilmar Mendes vai colocar em votação, até dezembro, o pedido de Lula para que Sergio Moro seja declarado “suspeito” para julgar o caso (refere-se ao julgamento). Há quem, no meio jurídico, avalie que a suspeição de Moro, por ter pertencido ao governo de Jair Bolsonaro, não será considerada pelo Supremo. Um fato posterior, bem posterior — quando Jair Bolsonaro nem era considerado candidato a presidente, pelo menos não como favorito —, não vale para avaliar um fato bem anterior. O que Lula da Silva quer, possivelmente, é conturbar o ambiente de tal maneira para que a sociedade, e não a Justiça, o avalie como “inocente”.

Lula da Silva e o ex-frei Leonardo Boff | Fotos: Reproduções

A possibilidade de Sergio Moro ser eleito presidente em 2022 assusta Lula? É possível que o PT queira retirá-lo do páreo para que a disputa seja entre o petismo e o bolsonarismo?

“Não tenho mais nenhuma razão para ficar quieto, tenho razão para gritar mais. Não vejo a hora de acabar essa quarentena para começar a ir para a rua, viajar o Brasil e conversar com esse povo, porque o povo precisa aprender que, somente quando ele tiver consciência, ele vai evitar que a gente eleja um presidente como elegeu Bolsonaro”, acrescentou Lula na live.(E. F. B.)

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