As denúncias — infindáveis — contra o candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, escondem outro problema: sua falta de conteúdo e, por isso, de um projeto para gerir a 10ª economia do mundo.

Flávio Bolsonaro tem, claro, um plano de governo — escrito, possivelmente, por economistas de sua equipe, com o apoio de políticos. Mas muito possivelmente não o leu, ao menos não com a devida atenção.

Servidores do Palácio do Planalto dizem que Jair Bolsonaro, quando presidente, exigia textos curtos, de no máximo uma página, mesmo quando assuntos complexos exigiam uma exposição mais ampla e nuançada. Por vezes, pedia explicações orais, mas não prestava a devida atenção ao que estavam lhe dizendo.

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Flávio Bolsonaro: as denúncias escondem que não tem conteúdo | Foto: Redes sociais

Flávio Bolsonaro não é muito diferente de Jair Bolsonaro, seu pai. Quando está expondo alguma coisa parece um robô, sobretudo um robô à deriva. Não há um discurso mais técnico sobre o crescimento da economia e a respeito do desenvolvimento do país.

Os luas-vermelhas do PT orientam todo seu marketing político para um único fim: Lula da Silva quer enfrentar Flávio Bolsonaro, porque é mais fácil derrotar quem está derretendo, ainda que tenha certa força, a do bolsonarismo e do antipetismo. E, claro, não quer enfrentar políticos pesos-pesados como Ronaldo Caiado e Romeu Zema

Num debate sério, sem ataques destemperados, dificilmente terá condições de vencer um político astuto e experimentado como o presidente da República, Lula da Silva.

O petista-chefe o colocará no bolso. O “jantará”, como dizem políticos. A direita, quando representada por Flávio Bolsonaro, se torna intelectualmente mignon.

Romeu Zema e Ronaldo Caiado

A oposição tem dois políticos com conteúdo: Ronaldo Caiado, do União Brasil, e Romeu Zema, do Novo.

Romeu Zema foi governador de Minas Gerais, o segundo Estado mais rico do Brasil. Por isso tem experiência como gestor público e privado (é empresário bem-sucedido).

Quando fala, Romeu Zema é meio atrapalhado. Faltam-lhe duas coisas. Primeiro, cultura básica. Segundo, visão de estadista. Nenhum presidente da República, em sã consciência, pode pensar em governar única e exclusivamente para o mercado.

Lula da Silva: astuto, o presidente “jantará” Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução

Mas o político mineiro, ao contrário de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, não tem um olhar detido para as desigualdades sociais. A retórica de fornecer a vara para o pobre pescar é até bonita, mas é irrealista e, até, cínica.

Ainda assim, Romeu Zema é gestor. Não é um néscio em administração, ao contrário de Flávio Bolsonaro, que não deu conta, quando acabou a rachadinha da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, de gerir uma franquia da Kopenhagen.

Como Romeu Zema, Ronaldo Caiado é um gestor eficiente, pois governou o Estado de Goiás, por sete anos e três meses, com resultados altamente positivos. O crescimento do Estado foi, para citar um exemplo, maior do que o Brasil.

Em termos de crescimento, Goiás, com Caiado, ainda de jato e o Brasil, com Lula da Silva, anda de automóvel.

Nenhum governante conseguiu resolver o problema da segurança em seus Estados. Ronaldo Caiado conseguiu em Goiás.

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Romeu Zema: falta cultura ao candidato, mas pelo menos é gestor | Foto: Reprodução

Há quem postule que a polícia de Goiás se tornou mais violenta. Na verdade, subestima-se, quem diz isto, tanto Ronaldo Caiado quanto a própria Polícia Militar, apoiada pela Polícia Civil. Subestima-se também a própria Justiça, que é quem condena criminosos contumazes.

De fato, a polícia de Goiás é dura na proteção ao cidadão de bem. Mas a política de segurança é altamente eficiente porque se usa sistemas de Inteligência modernos — que têm contribuído para a prevenção e o combate ao crime, seja organizado ou não.

Entre a paralisia, para ganhar elogios dos ditos bem-pensantes — que moram em locais altamente protegidos — e a ação, para proteger todos, Ronaldo Caiado e o governador Daniel Vilela deram incentivos decisivos para tornar as polícias estaduais mais proativas.

Um homem de Estado

Mas há outra discussão sobre Ronaldo Caiado. Trata-se de um homem de Estado, que pensa grande. Se consertou Goiás, e não apenas na questão da segurança, possivelmente, se eleito presidente, terá condições de consertar o país.

Lula da Silva é um homem de Estado? Pode-se criticá-lo, sobretudo por causa da dívida pública, do populismo e da falta de compromissos com reformas para aumentar a eficiência do Estado. Ainda assim, é um político de Estado.

Para enfrentá-lo, num debate de ideias — um debate crítico —, só mesmo Ronaldo Caiado. Porque, além do conteúdo, tem a mesma astúcia do petista, com a agilidade mental de Carlos Lacerda.

Se os eleitores do país prestarem um pouco mais atenção nas falas de Ronaldo Caiado certamente concluirão que se trata de um político que tem um projeto para o país. Um projeto estrutural.

Em disputas polarizadas, os eleitores tendem a prestar mais atenção naqueles que aparecem nas primeiras posições — como Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Mas deveriam prestar um pouco mais de atenção no que dizem e propõem tanto Ronaldo Caiado quanto Romeu Zema.

Os luas-vermelhas do PT orientam toda sua comunicação —  marketing político — para um único fim: Lula da Silva quer enfrentar Flávio Bolsonaro, porque é mais fácil derrotar quem está derretendo, ainda que tenha certa força, a do bolsonarismo e do antipetismo. E, claro, não quer enfrentar políticos pesos-pesados como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. (Euler de França Belém)