Aparecida de Goiânia tem o segundo maior eleitorado de Goiás. São 329.587 eleitores. Ou seja, 46.091 eleitores a mais do que Anápolis (283.496), a cidade com o terceiro maior eleitorado do Estado. Os dados são do Tribunal Regional Eleitoral e são referentes ao eleitorado estabelecido em 2022. A tendência é que, em 2024, daqui a dois anos, o eleitorado chegue a 350 mil — o que eleva a “cobiça” dos políticos.

Dada a força eleitoral de Aparecida, além de sua pujança econômica — em ascensão, graça às indústrias e ao comércio ativos —, a disputa pelo comando da prefeitura, em 2024, tende a ser “estadualizada”. Quer dizer, políticos de renome estadual, e com algum vínculo com o município, tendem a disputá-la.

Leandro Vilela: cotado para disputar a Prefeitura de Aparecida | Foto: Divulgação

O União Brasil do governador Ronaldo Caiado pode lançar a candidatura do deputado federal Delegado Waldir Soares — que sempre foi bem votado no município (ficou em terceiro lugar para senador, com 36.427 votos, ou seja, 16,86% do eleitorado). Popularíssimo, o parlamentar já aparece em pesquisas feitas na cidade — bem-posicionado para o próximo pleito. Se contar com o apoio do governador do Estado — que, em 2023, poderá nomeá-lo para uma espécie de assessoria especial para a Grande Goiânia, com foco em Aparecida —, o líder do União Brasil passa a ser um candidato consistente. Seu discurso é afiado e o tema segurança pública, que ele domina bem, tem forte apelo em Aparecida.

Vilmar Mariano, prefeito, e Professor Alcides Ribeiro, deputado federal: novo grupo | Foto: Reprodução

O MDB do vice-governador Daniel Vilela também está de olho grande em Aparecida. O ex-deputado federal Leandro Vilela, sobrinho de Maguito Vilela, é cotado para a disputa. Tanto pode ser candidato a prefeito quanto a vice de Delegado Waldir. Porém, uma chapa só com “estranjas” talvez não funcione na cidade. Então, o mais provável é que se lance um vice “do” município.

O ex-prefeito Gustavo Mendanha confidenciou a um pastor da Assembleia de Deus que poderá bancar o pastor e deputado federal João Campos, do Republicanos, para prefeito de Aparecida. Desde a disputa deste ano — quando o ex-prefeito disputou o governo do Estado e o parlamentar foi candidato a senador, ambos derrotados —, os dois estão bastante ligados. A tendência é que Tatá Teixeira, do Patriota — filho do falecido ex-prefeito Norberto Teixeira —, seja o vice. (Ressalte-se que João Campos foi o mais votado para senador no município — com 51.029 votos, quer dizer, 23,62% do eleitorado.)

João Campos e Gustavo Mendanha: aliança firme em Aparecida | Foto: Divulgação

O que é praticamente certo é que Mendanha não apoiará a reeleição do prefeito Vilmar Mariano, do Patriota. O mendanhismo postula que o gestor municipal, por ser vinculado ao grupo do deputado federal Professor Alcides Ribeiro, do PL, não terá o apoiado do ex-prefeito.

Vilmar Mariano, de fato, pertence ao grupo de Professor Alcides e de Veter Martins, recém-eleito deputado estadual (um mendanhista disse a um repórter do Jornal Opção: “Gustavo sabe que o projeto de Professor Alcides é substitui-lo como principal líder político de Aparecida”). Ele irá à reeleição. Recentemente, abriu conversações com o governador Ronaldo Caiado, do União Brasil. Ficou estabelecida uma parceria inicialmente administrativa, mas que poderá se tornar, com o tempo, uma parceria política. Portanto, não está descartada a possibilidade de o prefeito ser o candidato da base governista.

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André Fortaleza: vereador de discurso afiado | Foto: Marcelo Silva/Câmara Municipal de Aparecida

O presidente da Câmara Municipal, André Fortaleza, do MDB, tem dito aos aliados que também poderá pleitear a prefeitura. Ele tem um discurso afiado e bate duro naqueles que considera como adversários. O que lhe falta, porém, é estrutura política e financeira. A campanha de Aparecida em 2024, dado o fato de possivelmente ser “estadualizada”, vai ser uma das mais dispendiosas do Estado. A “fortaleza” de André, a Câmara, não será páreo para as estruturas gigantes que estarão jogando no município. Ele poderá ser vice de João Campos? Não se sabe.

O fato é que, numa disputa possivelmente estadualizada, três candidatos terão chances de vencer o pleito de 2024: o de Mendanha (João Campos), o do governador Ronaldo Caiado e Daniel Vilela (Delegado Waldir ou Leandro Vilela) e o de Professor Alcides (Vilmar Mariano).

Max Menezes
Max Meneses: possível postulante do PSD | Foto: Reprodução

Pode surgir alguma coisa surpresa? Pode, é claro. Fala-se que o deputado estadual Max Menezes, do PSD — enfraquecido por não ter sido reeleito —, pode ser candidato, com a vereadora Camila Rosa, do PSD, na vice. Há quem especule que o ex-prefeito Ademir Menezes, pai de Max, pode disputar a reeleição.

Mas a grande surpresa pode ser a candidatura de Professor Alcides. Se as pesquisas mostrarem que Vilmar Mariano não tem chance de ser reeleito, o deputado federal pode entrar no circuito e disputar a eleição. Ao parlamentar, dono de empresas e faculdades em Goiás e na Bahia, não falta estrutura. Por enquanto, seu candidato é o prefeito.