Kajuru: “Bolsonaro tem de falar menos e governar mais e Caiado faz governo respeitável”

O senador defende a probidade da gestão Bolsonaro e afirma que, apesar de não ser mais amigo, o governador goiano faz uma gestão séria

O senador Jorge Kajuru concedeu entrevista ao Jornal Opção e debateu vários assuntos. Começou informando que seria entrevistado por Silvio Santos, a estrela-mor do SBT. “Silvio tem quase 90 anos e está lúcido.” O político do Patriota responde tudo? “Sim, sem censura.” Frise-se que não aprecia falar em “off” — daí suas falas se tornarem polêmicas. Aquilo que outros políticos falam em privado, o senador por Goiás abre o jogo publicamente.

Jorge Kajuru: “Caiado merece respeito pelo fato de que não rouba nem deixa roubar, mas escolheu não ser meu amigo” | Foto: Senado

Trechos da entrevista

Reforma política

“O Brasil tem de fazer reformas Política e Administrativa — cortando duramente o alto custo da máquina pública. Deveriam ter sido feitas antes da Reforma da Previdência — assim como a Reforma Tributária. O Senado gasta 5 bilhões de reais por ano e pode funcionar com a metade — 2,5 bilhões. O custo do setor público, insisto, é muito alto para a sociedade. Parte deste dinheiro poderia ser utilizado para financiar a educação em todo o país.”

Reforma da Previdência

“O país precisa fazer uma Reforma da Previdência. Mas admito que a que está sendo proposta sacrifica quem não tem e privilegia quem tem recursos. Os pobres não serão beneficiados.”

Gastos de Parlamentares

“O Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar os gastos de senadores e deputados federais com restaurantes. É excessivo o gasto com restaurantes e consultorias. Cada senador tem 21 privilégios. O Senado tem funcionários altamente qualificados. Mas ninguém fala porque não quer comprar briga com os colegas. Infelizmente, poucos aceitam abrir mão de privilégios.”

Cargos

“Não pedi cargos para aliados e amigos nos governos federal, de Jair Bolsonaro, e estadual, de Ronaldo Caiado.”

Jair Bolsonaro e Jorge Kajuru: “O presidente demitiu no Denatran” | Foto: Divulgação

Governo Bolsonaro

“O principal defeito do governo de Bolsonaro está na sua comunicação deficiente. Governo precisam de orientadores que, respeitados, sejam acatados. Antes de abrir a boca, seja para criticar ou para elogiar, é preciso ‘ligar’ o cérebro. Bolsonaro precisa parar de falar do passado e falar mais do presente e do futuro. Antes que a esquerda petista, tornada vítima, volte ao poder. Recomendo a Bolsonaro que aja mais e fale menos. Os ministros têm de ser liberados para trabalhar, no lugar de serem convocados para o debate ideológico — que não interessa ao povo, à sociedade. O lado positivo de Bolsonaro: é bem-intencionado e não rouba. Repassei denúncias sobre desmandos no Detran e no Denatran e o presidente mandou tomar providências. Ele disse que não aceita ‘coisas erradas’ e por isso demitiu o diretor do Denatran por causa de minhas denúncias. Outro fator positivo é que há ministros que realmente conseguem tirar as ideias do papel e torná-las realidade.”

Esquecer 2022 e focar no governo

“Bolsonaro tem três anos e três meses pela frente, quer dizer, todo um governo para tocar. Portanto, tem de parar de se preocupar com 2022. O que vai torná-lo mais forte em 2022 não é o debate de 2019, e sim as realizações de todo o seu governo, entre 2019 e 2022. Eu vou dizer ao Silvio Santos: ‘Silvio, parece de conversar com o Bolsonaro. Deixe o Bolsonaro trabalhar’”.

Aplausos em voos

“Não sou populista e não me preocupo com a questão da popularidade. Mas, nos vários voos que faço pelo país, notadamente para São Paulo, sou aplaudido pelas pessoas. Elas elogiam minha coragem nas críticas aos desmandos dos poderosos. Falam também do hospital para diabéticos e do meu projeto para que o Fundeb se torne permanente.”

Saúde

“Tenho um tumor benigno no pâncreas. Breve, vou passar por uma cirurgia, em São Paulo. Adiei o tratamento para votar a Reforma da Previdência.” (Ao ser abordado pelo Jornal Opção, Kajuru estava colocando uma prótese num olho, em São Paulo.)

Políticos

“A política é desencorajadora. Chego a ter vontade de renunciar. Na maioria das vezes, a política é um chiqueiro, e não quero ficar no chiqueiro. Às vezes penso se tenho mesmo de ficar oito anos no Senado. Felizmente, há políticos de qualidade lá. Poucos, mas há. E, com o mandato, posso fazer coisas boas para a sociedade, como os hospitais para diabéticos e a transformação do Fundeb em um fundo permanente de apoio à educação.”

Projetos históricos

“Há políticos que passam oito anos usando a estrutura do Senado. Pois eu, em sete meses, me tornei responsável por três projetos de amplo interesse público. Primeiro, os hospitais para diabéticos, que o presidente Jair Bolsonaro promete instalar em todos os Estados. Segundo, a transformação do Fundeb em fundo permanente para manter a educação pública do país. Consegui aprovar também a revitalização do Rio Araguaia. Os três projetos vão ser sancionados pelo presidente. Bolsonaro confirmou isto numa entrevista a Vicente Datena, na televisão. Confio na palavra de Bolsonaro. Mas, quanto à política em geral, vou ser franco: perdi o encanto. Vários políticos — não todos, é claro — querem negociar cargos e participar de negociatas. Planejam enfiar a mão no dinheiro do Erário. Poucos, pouquíssimos, participam da atividade política com objetivos nobres, com ideais. Querem ganhar dinheiro, mais dinheiro. A maioria dos políticos me entristece.”

Leila do Vôlei, senadora respeitável, segundo o senador Kajuru | Foto: Reprodução

Tasso, Reguffe e Randolfe

“Tasso Jereissati tem palavra, é respeitoso. Mas é empresário, por isso não pensa no cidadão. Ele pensa antes nos negócios. O senador José Antônio Reguffe (Podemos-DF) tem ideal, assim como os senadores Leila do Vôlei Barros (PSB) e Alessandro Vieira (Cidadania). O senador Randolfe Rodrigues (Rede) é um cara do bem, mas ama o poder, a política; eu, pelo contrário, não tenho nenhum apego ao poder. Frise-se que o senador Álvaro Dias, que também ama a política, é um político respeitável.”

Senador e governador

“Quero ficar na história como o melhor senador por Goiás. Depois, possivelmente, posso ser candidato a governador do Estado. Mas, repito, não tenho apego ao poder. O que gosto mesmo é de fazer gente feliz, de ajudar as pessoas a resolver seus problemas. Por isso não aceito nenhuma aliança com lobbies. Jogo sempre, pensando com a própria cabeça, em prol dos cidadãos, sobretudo dos mais carentes, que são subrepresentados no Senado.”

Chet Baker: músico e cantor admirado por Kajuru

Chet Baker e B. B. King

“Entre a política e o jazz e blues, fico com a música. Gosto de ouvir o trompete e a voz de Chet Baker. Aprecio B. B. King.”

CPI do Judiciário

“Ao contrário da imprensa, não falo CPI da Lava-Toga, e sim de CPI do Judiciário. Não faço prejulgamento, não tenho interesse em revanchismo. Mas é preciso investigar as decisões do Judiciário, sobretudo do Supremo Tribunal Federal. Recentemente, um desembargador do Rio de Janeiro foi apontado como ‘vendedor de sentenças’. É grave. Por que não se pode investigar a Justiça? Se não sair agora, a CPI sai, lá na frente, sob pressão da sociedade.”

Davi Alcolumbre (na foto com Renan Calheiros) barrou a  CPI da Lava-Toga e a CPI do Esporte | Foto: Agência Senado

“Conta-se que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez um compromisso com o presidente do STF, Dias Toffoli. Duas investigações contra Alcolumbre foram engavetadas? Não sei, apesar dos comentários no Senado. O presidente do Senado engavetou também a CPI do Esporte, pois não quer que se foque no futebol, e sim no esporte olímpico. Não aceitamos sua proposta, por ser absurda, então ele engavetou a CPI.”

Elias Vaz para prefeito

“O deputado federal Elias Vaz é um animal político. Trabalha intensamente em Brasília e, em quatro dias, notadamente na sexta-feira, no sábado, no domingo e na segunda-feira, faz política em tempo integral. Trabalha nas bases em Goiânia. Ele tem bom relacionamento com vários segmentos e dialoga com todos, sempre arranja tempo para conversar. A partir de agora, vai trabalhar mais nos bairros, mais junto àquele público que tradicionalmente é visto como simpático ao prefeito Iris Rezende.”

Elias Vaz, deputado federal e candidato a prefeito de Goiânia com o apoio de Kajuru | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

“Torço para que haja uma composição com o Cidadania, partido ao qual estou filiado. Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania, me disse: ‘Kajuru, contribua para harmonizar o Cidadania em Goiânia e em Goiás. Tente uma sintonia legal para a gente crescer lá’. Respondi: ‘Devemos juntar todas as nossas forças: eu, Elias Vaz, Virmondes Cruvinel, Marcos Abrão e Lúcia Vânia’. Creio que a união geral é a única maneira de derrotar o prefeito Iris Rezende, que tem dinheiro em caixa e está gastando a rodo. Iris vai ser candidato, porque a política é seu oxigênio.”

Cristina Lopes, vereadora: “Se ficar no PSDB, terá de carregar o peso de Marconi Perillo e Aécio Neves” | Foto: Jornal Opção

Cristina Lopes fora do PSDB

“A vereadora Cristina Lopes é bem-vinda na nossa aliança, digamos como vice de Elias Vaz, meu candidato. Ela continua a conversar com o PDT, mas ainda não se definiu. O que sei é que não será candidata pelo PSDB. É a convicção dela, mas tem gente dizendo que o PSDB precisa dela e que ela precisa do PSDB. O problema é que teria de carregar, na campanha, tanto o peso local de Marconi Perillo quanto o peso nacional de Aécio Neves. Por isso, deve deixar o partido, assim que surgir a janela partidária.”

Senador Jorge Kajuru e o governador Ronaldo Caiado: respeito, mas não amizade | Fotos: Jornal Opção

Ronaldo Caiado

“Não voltei a falar com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Mas, politicamente, continuo 100% ao seu lado. Porque sei que não rouba nem deixa roubar. Quem testá-lo vai ser posto para fora, como está ocorrendo. Tenho respeito político por Caiado. Mas não quero mais ser amigo dele, porém insisto: por fazer um governo no qual a probidade é um dos elementos, merece o meu respeito. Assim como Gracinha Caiado, por sua seriedade e simpatia, merece o meu respeito. Os dois são pessoas decentes e pensam na sociedade, não em grupos e lobbies. Entretanto, Caiado escolhe seus amigos, como Ivana Faria, e eu escolho os meus, como Elias Vaz. Na eleição de 2018, ele ficou com Wilder Morais, que foi derrotado. E eu, com minha micro estrutura, fui eleito.”

Romário Policarpo: pré-candidato a prefeito pelo Patriota | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Romário Policarpo

“Não acredito que Jorcelino Braga, meu amigo histórico, vai lançar o vereador Romário Policarpo para prefeito de Goiânia. Só, é claro, se a pesquisa for muito boa para o Romário. Braga não gosta de perder. Não gosta de disputar eleição para marcar posição — ele gosta de ganhar.”

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