Ministério Público constata que Renato de Castro cometeu abuso do poder econômico e fraude. 250 mil reais, repassados pelo vice, não aparecem nas contas de sua campanha

Renato de Castro e Fião de Castro: pai e filho administram Goianésia | Foto: Reprodução Facebook

O fenômeno Iris Rezende (PMDB), prefeito de Goiânia, e Iris Araújo, primeira-ministra, se repete em Goianésia. Nesta cidade, há o prefeito, Renato Menezes de Castro (PMDB), e o primeiro-ministro ou prefeito-adjunto, Manoel de Castro Arantes, mais conhecido como Fião. Fião comandava desde a campanha, mas Renato, pressionado pelos aliados, avisara que, se eleito, o pai seria mantido a distância. “Era tudo mentirinha” (o “faz-tudo” é secretário), afirma um líder local. Pois Fião, o onipresente, pode ser responsável por uma possível cassação do filho.

Renato de Castro e Carlos Veículos durante a campanha eleitoral | Foto: Facebook do vice-prefeito

Segundo denúncia investigada pelo Ministério Público, o empresário Carlos “Veículos” Gomes, quando candidato a vice-prefeito de Renato, repassou para Fião, o caixa da campanha majoritária do PMDB, 250 mil reais — com três notas promissórias devidamente assinadas. Ocorre que, como apurou o Ministério Público Eleitoral, o dinheiro não apareceu na prestação de contas junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) — o que configura crime eleitoral. Trata-se, no mínimo, de caixa 2. A defesa de Carlos Veículos sugere que a decisão de usar 2 foi de Fião, o “prefeito-adjunto”. Ele aparentemente não sabia que o dinheiro não seria contabilizado legalmente.

A exaustiva investigação do Ministério Público — comprovando que houve prática de abuso do poder econômico e fraude por caixa 2 nas eleições de 2016 em Goianésia, na campanha do PMDB, daí a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) — pode levar à cassação do mandato do prefeito Renato. A sentença da Justiça deve sair nos próximos dias e, como o peemedebismo não conseguiu apresentar uma defesa consistente, há uma aposta generalizada, sobretudo entre advogados eleitorais, de que Renato será cassado. A cassação não deve implicar em afastamento imediato, porque o prefeito poderá recorrer. Porém, como sua defesa é considerada frágil e falha, a cassação, em segunda instância, é tida como inescapável.

Frise-se que todas as audiências foram concluídas, com a documentação e a defesa devidamente apresentadas. Comenta-se, entre peemedebistas, que o próprio Renato estaria altamente pessimista em relação à sentença. A decisão está nas mãos do juiz André Reis Lacerda, tido como rigoroso, competente e absolutamente isento.