Salatiel Soares Correia

Já vai tarde. A Enel, enfim, saiu de Goiás literalmente queimada perante a sociedade goiana.

Nos mais de quatro anos que essa multinacional italiana esteve entre nós, jogou ela seu próprio jogo, desconsiderando completamente os interesses do povo goiano. A estratégia da Enel para exportar capitais para sua sede italiana era uma só: enxugar a estrutura organizacional. Demitir pessoas e integrar a empresa via tecnologia.

Não tenham dúvidas que a empresa se voltou para atender o Goiás dos ricos desconsiderando os outros dois goiases que crescem por incorporação de terras e o que não cresce é apenas uma meia verdade, a verdade se torna completa no momento em que essas regiões se mantiveram pobres sem esperança de mudanças na qualidade de vida. Sendo assim ante a escassez de investimentos em infraestrutura energética por parte Enel manteve o Goiás dos pobres no patamar da miséria.

No momento em que este articulista pôs o dedo na ferida da falta de investimentos da Enel na expansão do sistema, se devia ao fato dessa empresa se apropriar dos elevadíssimos ganhos de gestão por ela obtida no enxugamento da estrutura organizacional, a verdade veio à tona.

Durante o período de revolta da população e das cobranças do governo de Ronaldo Caiado, a empresa foi saindo de mansinho levando consigo o total dos ganhos de gestão que, por lei, a empresa deveria investir 50 por cento na expansão do sistema.

Rei morto, rei posto. A Equatorial será a empresa que fornecerá energia para o desenvolvimento de Goiás. Desejo, sinceramente, que a empresa não tenha os mesmos insucessos

 Vejo bons olhos o novo presidente da Equatorial, engenheiro Lener Jaime. Ele mostrou serviço quando dirigiu grandes empresas do setor de telecomunicações no Brasil.

Além disso, é notória a experiencia dele em presidir empresas do setor elétrico, a exemplo da das duas empresas que esse competente engenheiro comandou: Companhia Energética de Brasília e, a convite do governador Ronaldo Caiado, a Celg Geração.

Encerro este artigo desejando ao novo diretor de Relações Institucionais melhor sorte quando ele se dirigir à sociedade goiana.

Digo isso pelo fato de que, dias atrás, ele escreveu um artigo, sem citar as fontes, dizendo mil maravilhas da Enel. A realidade mostrou ser aquela uma análise equivocada. Espero que esse diretor estude mais pouco no momento em que resolver falar com a sociedade goiana em nome da Equatorial.

Salatiel Soares Correia é engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Energia pela Unicamp. É autor, entre outros livros, de “Crônicas de um Rebelde”.