O prefeito não veta Maguito Vilela. Mas quatro fontes avaliam que, para concluir obras, pode disputar um novo mandato este ano

O Jornal Opção ouviu, na sexta-feira, 12, dois iristas e dois caiadistas e aos quatro fez a mesma pergunta: “O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, do MDB, vai disputar a reeleição?”

Para a surpresa — sim, surpresa — do repórter, os quatro disseram que “sim”: o emedebista de 86 anos “vai” disputar a Prefeitura de Goiânia.

Por que a convicção dos quatro políticos? O que se lerá a seguir é uma síntese do que disseram — em “off the record”, é claro.

Quando Paulo Ortegal e Agenor Mariano optaram por ficar na prefeitura, parte da mídia parece ter acreditado que Iris Rezende estaria dando o seguinte recado: “Não vou disputar a prefeitura”. Estaria também dizendo: “Estou retirando o meu pessoal de campo”.

Pois bem: as quatro fontes discordam da interpretação. Segundo elas, Iris Rezende quis dizer outra coisa, mais ou menos o seguinte: “O projeto político é meu”. Como assim?

O prefeito, uma raposa política, das mais felpudas, estaria sugerindo, na verdade, que ninguém de seu grupo iria desincompatibilizar-se para ser vice numa chapa, por exemplo, de Maguito Vilela. (Frise-se que, se as eleições forem adiadas, os prazos de desincompatibilização também devem ser estendidos.)

Iris Rezende teria mandado outro recado, agora para o governador Ronaldo Caiado: sim, ao contrário do que andam dizendo, quer um vice indicado pelo líder do partido Democratas. Possivelmente, Wilder Morais, do PSC, ou então um filiado do DEM — mais jovem para suavizar a imagem de “idoso” do prefeito.

Iris  Rezende: o prefeito estaria de volta ao palco da sucessão / Foto: Instagram

Mas o que fez Iris Rezende mudar de ideia — se é que mudou? Primeiro, as pesquisas, que lhe são amplamente favoráveis. Segundo, as qualitativas indicam que o goianiense pode até apreciar a “mudança”, mas pensa também duas coisas. Primeiro, respeita o prefeito. Segundo, não avalia, até agora, que haja outro político com sua estatura. Ou melhor, aceita que há dois: o ex-governador Maguito Vilela, do MDB, e o senador Vanderlan Cardoso, do PSD.

Entretanto, Maguito Vilela já disse que só disputará se obtiver o apoio do decano emedebista. Já o meio político avalia que Vanderlan Cardoso não será candidato e está jogando para a “torcida”. Noutras palavras, planeja disputar o governo de Goiás em 2022 e, se disputar e perder para prefeito, não chegará cacifado para a próxima eleição. O meio político trabalha com duas interpretações a seu respeito. Primeiro, vai apoiar o deputado federal Francisco Júnior, do PSD, para prefeito. Segundo, gostaria de apoiar Maguito Vilela, bancando seu vice. Porque, se Maguito Vilela for eleito, e tendo contado com seu apoio, terá de se comprometer com seu projeto político para governador em 2022, e possivelmente indicaria Daniel Vilela para senador.

(Uma das fontes, muito próxima de Iris Rezende, disse que seus filhos, notadamente as duas filhas, uma delas médica, preocupam-se mesmo com a saúde do pai, sobretudo por causa da pandemia do novo coronavírus. Mas a família teria tomado uma decisão: não vai tentar barrar o projeto de uma pessoa que ama a política e a administração pública. O que ele quiser fazer, decidiu a família, ele poderá fazer — sem caras feias na família.)

Há um outro fator. Iris Rezende vai trabalhar para concluir as obras que está fazendo ainda nesta gestão. Tanto que levou Samuel Belchior para o Paço Municipal única e exclusivamente para ser um gerentão das obras. Para cobrar dia e noite dos que estão fazendo as obras. O prefeito informa aos seus aliados que, além de vontade, tem dinheiro para terminar o que começou. Ao mesmo tempo, tem sugerido que ainda há muito por fazer em Goiânia — sua paixão. Observe-se que Goiânia é de 1933 — o mesmo ano em que Iris Rezende nasceu, na sua Itabira goiana — Cristianópolis (seu filho chama-se Cristiano).

O fato é, segundo as quatro fontes: Iris Rezende está de volta ao jogo. Aliás, nunca saiu do jogo.

O retorno ao jogo, depois de amplas especulações de que o ex-governador Maguito Vilela seria o candidato a prefeito pelo MDB, muda tudo? Segundo as fontes, o fato de que Iris Rezende pode ser candidato não significa que está definido que será candidato. É certo que, dada sua aliança com o governador Ronaldo Caiado — uma união motivada pelo desejo de que Marconi Perillo não volte ao palco da política de Goiás —, Iris Rezende prefere disputar a reeleição a passar o bastão para Maguito Vilela.

Procede que Iris Rezende realmente “rejeita” Maguito Vilela? Na verdade, não. O prefeito tem resistência ao presidente do MDB, Daniel Vilela, mas já compreendeu que Maguito Vilela não tem controle efetivo sobre o filho, que ganhou autonomia. Poderia apoiar Maguito Vilela para prefeito? Sim, talvez indicando o seu vice. Mas o irismo sugere que Iris Rezende avalia Maguito Vilela, além de Daniel Vilela, como “condescendente” com Marconi Perillo — ao contrário do governador Ronaldo Caiado. As alianças do MDB com o PSDB em algumas cidades goianas não têm aprovação do irismo, que acredita que o emedebismo não pode trabalhar para dar sobrevida política para o tucanato.

O fato é que, se não for candidato, o prefeito de Goiânia não tentará vetar Maguito Vilela, até por se lembrar que, há 22 anos, o emedebista de Jataí desistiu de disputar a reeleição — o então governador de Goiás era o favorito — e abriu espaço para ele, Iris Rezende, disputar e perder o governo para Marconi Perillo, então um jovem de 35 anos.