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O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, fez o maior estardalhaço ao nomear Cairo Peixoto para a Secretaria de Finanças. Seria uma espécie de Delfim “Edward Mãos de Tesoura” Netto chegando à capital goiana. Em suma, o salvador da pátria.

Com poder total para supostamente organizar as combalidas contas da prefeitura, Cairo Peixoto era chamado, nos corredores, de “o James Bond do Paulo Garcia”. Ele tinha licença para detonar tudo e todos. Tinha? Não era bem assim.

Depois de críticas pontuais, explicitando o que havia de errado, Cairo Peixoto começou a cavar mais fundo e descobriu o que era óbvio, mas ninguém tinha coragem de enunciar: Iris Rezende, do PMDB, deixara a prefeitura quebrada para o sucessor — com uma dívida de 400 milhões de reais.

Aos poucos, Cairo Peixoto aprofundou as críticas, sugerindo medidas duras para conter a crise que paralisou a gestão de Paulo Garcia — que não é incompetente e néscio. Só está engessado pelas dívidas deixadas por Iris Rezende. Pro­vocado sobre o assunto, o peemedebista-chefe irrita-se, faz cara de “matador” e garante que deixou 200 milhões em caixa e insinua que o prefeito petista gastou-os mal.

Ao assenhorar-se dos dados, Cairo Peixoto percebeu que o “rombo” era gigante e as digitais de Iris Rezende estavam “quentes” — quase queimando as mãos de Paulo Garcia. Ao perceber que o secretário estava chegando ao busílis da questão, o cacique do PMDB chamou o prefeito em seu escritório político e disse mais ou menos assim: “Ou você fica comigo ou com seu secretário”.

Ao deixar o escritório, minutos depois, Paulo Garcia entregou a cabeça de Cairo Peixoto numa bandeja para Iris Rezende. A partir daí, mesmo desgastando sua imagem, o prefeito proibiu seus auxiliares de associarem a dívida da prefeitura ao seu pai político. Paulo Garcia, ao blindar Iris Rezende, desblindou-se. Daí seu desgaste imenso, pelo qual tem quase nenhuma culpa. Se tem, é mais por omissão, por não ter coragem suficiente de apontar o verdadeiro culpado pela crise da prefeitura.